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31/07/2013 - 23h12m

Artigo 07 - Câncer Ocupacional: atenção à saúde do trabalhador

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani 

O Câncer ocupacional ou relacionado à atividade de trabalho se dá decorrente da exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho.

O conhecimento de que a atividade laboral estaria possivelmente associada ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer foi descrito pela primeira vez em 1890 por Sir Richard Doll, no Reino Unido. O eminente médico inglês (Sir era titulo dado a nobreza por reconhecimento de benfeitos a população), descreveu a correlação de causa/efeito em trabalhadores na atividade de limpadores de chaminé, que após alguns anos na atividade, desenvolviam câncer no testículo.

A partir deste relato na literatura, foram se descrevendo algumas atividades laborais relacionadas a uma maior incidência de alguns tipos de tumores, sendo o mais estudado o câncer de pulmão.

O câncer ocupacional é considerado uma doença causada pela longa exposição a agentes cancerígenos no ambiente de trabalho.

Este risco pode ser amenizado com o uso de equipamentos de segurança em cada ramo de trabalho, como luvas, máscaras e protetor solar.

Estima-se que a ocorrência de câncer ocupacional varia entre 4 e 40%, o que representa aproximadamente 20.000 pessoas que desenvolvem câncer devido à exposição a agentes presentes no ambiente de trabalho.

No relatório elaborado pelo Inca com as diretrizes para vigilância do câncer relacionado ao trabalho, consta que são causadores de 10,8% dos casos de câncer em homens e 2,2% dos casos em mulheres.

Este relatório também apresenta estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), onde mais de 440.000 pessoas morrerão no mundo até o ano de 2015 em consequência da exposição a substâncias perigosas. Ocorre em maior frequência em países em desenvolvimento por provável deficiência na vistoria de Segurança do Trabalho.

Na maioria das vezes a exposição isolada a agentes cancerígenos relacionados ao trabalho não leva ao desenvolvimento do câncer.

Outro fator é que a exposição desses agentes é potencializada por outros fatores de risco como poluição, alimentação rica em gorduras, consumo exagerado de álcool e principalmente o tabagismo.

Esses agentes são específicos e denominados de agentes carcinogênicos, pois associados a outros fatores, a exposição a longo prazo, levam ao desenvolvimento do câncer.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (InCa), os trabalhadores que desenvolvem câncer são os que estão expostos de forma direta ou indireta a agentes como:

Agente carcinogênico

Agrotóxicos

- Agricultores

- Trabalhadores de empresas desinsetizadoras

- Trabalhadores do transporte de agrotóxicos

- Trabalhadores da indústria química da formulação de agrotóxicos

Sílica

- Trabalhadores do setor de minérios

- Trabalhadores da indústria de cimento

- Trabalhadores do indústria de cerâmica

- Trabalhadores da construção civil

- Trabalhadores de fundição

Amianto

- Trabalhadores da construção civil

Radiação ionizante

- Trabalhadores do indústria nuclear

- Trabalhadores de hospitais na área de exames de imagem que envolvem a radiação e da radioterapia

Radiação solar

- lavradores

- carteiro

- trabalhadores que se expõem ao sol

Benzeno, xileno e tolueno

- Trabalhadores da indústria química

- Trabalhadores da indústria de combustíveis

- Motoristas de ônibus, taxis e motorista de caminhão

Arsênio, cádmio, mercúrio e níquel

- Trabalhadores do garimpo de ouro

Formaldeído

- Trabalhadores da indústria de produtos de beleza

Berílio

- Trabalhadores da indústria de cerâmica

Dentre os principais tipos de câncer relacionado à exposição ocupacional são os tumores de pulmão, as leucemias e o câncer de pele.

No Brasil a legislação específica do Ministério do Trabalho e Emprego reconhece como agentes cancerígenos apenas cinco substâncias:

- benzeno

- 4-aminodifenil

- benzidina

- beta-naftilamina

- 4-nitrodifenil

Os agentes físicos como a radiação ionizante, agentes químicos como amianto e sílica não estão incluídos na listagem, porém estão entre as exposições toleradas, o que no Brasil é considerado como “níveis máximos tolerados”, para a exposição ocupacional.

Ou seja trabalhadores expostos a esses agentes são teoricamente monitorados pelo medico do trabalho da empresa, para avaliação da exposição com o nível de segurança.

Contudo estudos científicos demonstram que não há limites seguros para a exposição a agentes carcinogênicos.

É importante o entendimento de que o câncer ocupacional é relativamente raro e o desenvolvimento da doença depende de mais de um fator, como da exposição a agentes cancerígenos.

Na realidade o que ocorre é:

Exposição a agentes cancerígenos

Associados: características genéticas de predisposição ao câncer

Outros fatores:

Dose diária absorvida

Tempo de exposição

Idade

Doenças preexistentes

Suscetibilidade individual

Alimentação, estresse, fumo, álcool

Muitos anos para o desenvolvimento do câncer

Associação do agente cancerígeno e o tipo de câncer mais comumente desenvolvido pela exposição ocupacional:

Substâncias, circunstâncias de exposição ou ocupação x Tipo de tumor

Alcatrão, piche, fuligem, xisto e betume - Câncer de pulmão e mesotelioma maligno

Arsênio - Câncer de pulmão e mesotelioma maligno

Asbesto - Câncer de pulmão e mesotelioma maligno

Berílio - Câncer de pulmão e mesotelioma maligno

Cádmio - Enfisema pulmonar

Vapores de ácido sulfúrico - Câncer de pulmão

Fabricação de produtos de calçados - Câncer de laringe

Gás mostarda - Leucemia

Sílica livre - Câncer de pulmão e mesotelioma maligno

Exposição à radiação solar - Câncer de pele

Como o câncer de pulmão é o mais incidente e estudado, há na literatura a relação das principais atividades laborais no Brasil que podem estar associadas ao desenvolvimento do câncer de pulmão ocupacional:

- trabalhadores de solda de aço inoxidável, o qual tem altos teores de níquel

- trabalhadores da fundição de metais

- carvoaria, exposição a fumaça emitida pelos fornos de carvão vegetal que contem hidrocarbonetos aromáticos

- trabalhadores de limpeza de superfície metálicas em metalúrgicas, principalmente os que trabalham nos processos de decapagem.

- trabalhadores da mineração de asbesto e produção de artefato de cimento – amianto

- trabalhadores da construção civil principalmente na atividade de coberturas de caixa d’água de cimento amianto, telhas e demolições em geral

Algumas atitudes podem fazer diferença e podemos adotar postura que possa levar a prevenção de tumores relacionados atividade laboral.

Hábitos que aumentam a prevenção do Câncer ocupacional:

- evitar a exposição prolongada ao sol sem a utilização de filtro solar, fator 30, no mínimo

- utilização de EPI (equipamento de proteção individual)

- ventilação adequada do local de trabalho

- trabalho educativo visando aumentar o conhecimento a respeito dos riscos relacionados ao trabalho

- realização de exames médicos periódicos com adoção de programas de proteção individual adequados a necessidade de cada grupo de risco laboral

- adoção de políticas de prevenção de câncer relacionado ao trabalho, principalmente em países em desenvolvimento, onde a incidência é maior.

Fontes:

www.bvsms.saude.gov.br

Instituto Salus

www.inca.org.br

www.jornaldepneumologia.com.br; 2010- volume 36, numero 6

Câncer de pulmão ocupacional

 

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