São Paulo, SP, 18/06/2019
 
07/09/2013 - 19h04m

Artigo 11 - Orientações sobre câncer para pacientes e cuidadores

Dra. Silvia Regina Graziani/Equipe de Oncologia do Centro Médico São Gabriel 
  • Psicóloga Dra. Thatiany Santana
  • I Simpósio Orientação Oncológica para Leigos
  • Equipe de Oncologia do Centro Médico São Gabriel
  • Enfermeiras Simone Trombetta e Rosana Mota
  • Fisioterapeutas Dra. Rosana Soares E. S. Lima e Dra. Sheila Ribeiro
  • Nutricionista Dra. Eliane Regina Vieira dos Santos
  • Oncologista Dr. Weslley Mota

Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56.925 *

No dia 31 de agosto de 2013, no Centro Médico São Gabriel, na zona Leste da cidade de São Paulo, o Serviço de Oncologia reuniu a equipe multidisciplinar de atendimento ao paciente oncológico, que organizou o I Simpósio de Orientação Oncológica para Leigos. O evento foi direcionado para pacientes, familiares e cuidadores.

Estiveram presentes 40 inscritos e foram discutidos temas de interesse dos participantes em 6 palestras, cujo resumo apresentamos.

INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O TRATAMENTO ONCOLÓGICO

Equipe de Oncologia do Centro Médico São Gabriel, organizadores do Evento

Dra. Silvia Regina Graziani

Médica Oncologista do Centro Médico São Gabriel

Se você vai iniciar uma das etapas do tratamento de sua doença, aqui seguem algumas dicas.

Para seu conhecimento os tipos de tratamento para o câncer são vários e subdivididos em etapas:

● Cirurgia – operação para remoção do tumor

● Radioterapia – uso de uma fonte de energias para destruir células cancerosas

● Imunoterapia – estimula o organismo a combater o câncer

● Quimioterapia – aplicação de drogas para matar células cancerosas ou inibir o crescimento e proliferação do tumor

Esta pode ser utilizada só ou em combinação com outras drogas.

O QUE E A QUIMIOTERAPIA?

Consiste na administração de drogas de várias formas.

- Formas de quimioterapia:

● Comprimidos

● Injeção

● Na veia

● No tecido celular subcutâneo

● Na artéria

● No músculo

● Nas cavidades, como na pleura e no peritônio

O tipo de droga e a forma de administração dependem do tipo de câncer e do estágio da doença.

O câncer é uma doença muito complexa, causada por vários fatores e em linhas gerais consiste em células que começam a se dividir sem parar e levam à formação do tumor.

Células normais Células cancerosas

Como parte de seu tratamento, a quimioterapia visa a acabar com essas células cancerosas que crescem no órgão que as originou e invadem outros órgãos (órgãos vizinhos ou através da circulação sangüínea ou linfática). Esta situação é chamada de metástase.

Porém, a quimioterapia afeta todas as células que estão em crescimento rápido como:

- células do sistema reprodutor (ovários e testículos)

- células produtoras de sangue da medula óssea

- células do trato gastrointestinal

- células produtoras de cabelo

A quimioterapia consiste na utilização de medicamentos específicos para destruição de células anormais ou malignas, com o objetivo de tratar um grande número de tumores malignos.

Os aspectos particulares sobre seu tratamento como a duração das sessões e número de ciclos necessários, os tipos de remédios que você receberá e o seu estado clínico em relação ao tratamento, poderão ser esclarecidos com seu médico e com a equipe multidisciplinar deste serviço. Estaremos sempre à disposição para esclarecer todas suas duvidas.

Você será informado sobre os medicamentos que irá receber, os possíveis efeitos colaterais e como agir, caso estes ocorreram. Os efeitos colaterais dependem fundamentalmente dos tipos de medicamentos e do seu próprio organismo. O que significa que se algum efeito colateral como náusea, vômito ou queda de cabelo tenham ocorrido com um amigo ou parente seu, não irão obrigatoriamente se repetir com você.

Não compare efeitos colaterais que eventualmente tenham ocorrido com pessoas conhecidas.

Os remédios (medicamentos) precisam ser administrados em tempos determinados para que o objetivo do tratamento seja alcançado. É importante seguir corretamente as orientações do seu médico e da equipe interdisciplinar que lhe assiste.

Quando sua ausência for extremamente necessária por algum motivo, comunique ao serviço.

Se alguma informação não ficou clara, nunca fique constrangido em repetir a pergunta. É necessária para o sucesso de seu tratamento que você esteja bem esclarecido. Seu médico e a equipe que lhe atende ficarão satisfeitos em responder às suas perguntas da forma mais adequada possível.

Tabela 1: Principais efeitos do tratamento quimioterápico:

Imediato x Tardio

- náuseas - anorexia

- vômitos - alopecia (queda do cabelo)

- diarréia - alterações no sangue (queda do número de glóbulos brancos – leucócitos, dos glóbulos vermelhos – eritrócitos e plaquetas)

- mucosite*

Imediato – logo após receber o tratamento de quimioterapia

Tardio – pode demorar meses ou anos para aparecer

* mucosite – é a situação onde, por ação do medicamento, o tecido que recobre a boca, esôfago, estômago ou intestino sofre uma descamação, chegando inclusive a formar lesões ulceradas (forma pequenas feridinhas) que dificultam a mastigação e digestão dos alimentos.

O QUE É A RADIOTERAPIA?

A radioterapia, muitas vezes chamada de terapia de radiação, consiste no emprego de raios penetrantes de ondas de alta energia ou correntes de partículas chamadas de radiação.

As radiações utilizadas no tratamento do câncer provêm de máquinas especiais ou de substâncias radioativas. A máquina utilizada para a radioterapia direciona quantidades especificas de radiação para o local do tumor e áreas próximas de onde se encontra a lesão.

Como funciona a radioterapia?

A radiação em alta dose mata as células e evita que essas cresçam e se multipliquem. Como as células tumorais crescem mais rápido que a maioria das outras células normais que estão perto delas, a radioterapia pode matar muitos tipos de câncer. As células normais também sofrem com o tratamento radioterápico, porém a maior parte delas acaba se recuperando.

Para a proteção das células normais o médico radioterapeuta fará uma limitação do campo e da dose da radioterapia e o tratamento serão fracionados por um determinado período de tempo.

Quais os objetivos e benefícios da radioterapia?

O objetivo da radioterapia é matar as células cancerosas atingindo o menor número possível de células normais. A radioterapia muitas vezes e a única forma de tratamento do câncer, muitas vezes é associada a outros tipos de tratamento como a cirurgia e a quimioterapia, permitindo que muitas pessoas que assim foram tratadas hoje, estejam bem e livres da doença.

A radioterapia, assim como a cirurgia, é um tratamento localizado que só atinge as células da área especifica do tumor. Às vezes a radioterapia é associada a outros tipos de tratamento, como a quimioterapia, para aumentar o potencial de ação da radiação ou o uso de um elemento radioativo que seja capaz de atingir todo o corpo, como e o caso da terapia biológica à base de iodo radioativo, que é injetado na circulação sangüínea para atingir todas as partes do corpo.

A radioterapia e usada com freqüência em combinação com a cirurgia para o tratamento do câncer, e pode ser usada antes ou após a remoção do tumor. Quando utilizada antes de retirar o tumor é para poder diminuir o seu tamanho, de forma que a cirurgia seja mais adequada e menos agressiva.

Em alguns casos os médicos usam a radioterapia associada à quimioterapia para o tratamento do tumor. A radioterapia pode ser dada antes, durante ou após o tratamento, dependendo do tipo do tumor, tamanho e localização.

O propósito do tratamento antes da cirurgia é diminuir o tamanho do tumor e assim melhorar a eficiência da ação das drogas durante a quimioterapia. Outras vezes o paciente termina a quimioterapia e realiza a radioterapia para eliminar qualquer célula que possa ter sobrado durante o tratamento.

Também nos casos onde não é possível a cura do câncer, a radioterapia pode ser utilizada para alívio dos sintomas como a dor ou sangramentos. Esta situação é denominada de terapia paliativa.

Quais os riscos da radioterapia?

A alta dosagem da radioterapia pode causar destruição dos tecidos normais, causando efeitos secundários que discutiremos a seguir.

Os riscos dos efeitos secundários são menores que os benefícios de eliminar as células tumorais.

Como se aplica a radioterapia?

A radioterapia pode ser aplicada de varias maneiras:

Radioterapia externa – a maior parte das pessoas que são tratadas com a radioterapia recebe a radioterapia externa. O tratamento consiste em visitas diárias de segunda a sexta feira no serviço ambulatorial de radioterapia por um período médio de 4 a 6 semanas, A radioterapia externa e feita por uma máquina que dirige os raios de alta energia para o local do câncer e uma pequena margem de tecido normal.

O tipo de máquina mais comumente utilizada no tratamento do câncer é o acelerador linear, embora alguns lugares utilizem outras fontes de radioterapia como, por exemplo, o Cobalto – 60 como fonte de raio de alta energia.

Radioterapia Interna ou Braquiterapia – consiste em uma fonte de radiação que se coloca dentro do corpo. Isto pode ser feito através de implante colocado diretamente dentro do tumor ou no leito tumoral, após o tumor ser extraído, para poder se eliminar qualquer célula que tenha sobrado.

Outro tipo de radioterapia interna pode ser por via injetável, como por exemplo, a injeção de iodo radioativo.

Quem aplica o tratamento da radioterapia?

Na realidade quem aplica o tratamento da radioterapia é uma equipe especializada nesse tipo de tratamento e que consiste de:

- médico radioterapeuta, que vai determinar qual o tipo de tratamento e a dose a ser administrada em cada paciente, que trabalha em colaboração com outros profissionais:

- físico – o profissional que determina se o aparelho funciona corretamente para o seu tratamento e ajuda no planejamento do tratamento, junto ao radioterapeuta.

- enfermeira – acompanha os cuidados durante o tratamento e os principais efeitos colaterais, orientando e encaminhando ao médico para eventual tratamento.

- técnico – profissional que colocará o paciente de forma e maneira adequada na máquina para receber a dose de radiação necessária para o seu tratamento.

Quanto tempo dura meu tratamento?

Para a maioria dos tipos de câncer a radioterapia dura 5 dias da semana durante 6 a 7 semanas. Quando a radioterapia é paliativa o tratamento e mais curto, geralmente 2 a 3 semanas. O número de sessões será determinado pelo tamanho e local do tumor.

O princípio do tratamento é o uso de pequenas doses diárias, ao invés de doses elevadas, que aumentam a toxicidade em tecidos normais.

É muito importante que você não falte às sessões, para melhor aproveitar o tratamento. Ausentar-se ou atrasar o tratamento pode implicar em uma menor efetividade da radioterapia.

O que acontece durante as sessões da radioterapia?

Antes de iniciar as sessões você deverá substituir sua roupa por um avental do hospital.

O médico radioterapeuta irá fazer umas marcas com uma tinta solúvel em sua pele que identificará o local a receber a dose de radioterapia. Durante cada sessão de radioterapia externa você permanecera na sala por cerca de 15 minutos, porém a sessão da radiação durará de 1 a 3 minutos.

Você deve permanecer muito quieto durante a sessão para a radiação ocorrer unicamente na área onde é necessária, e para que a mesma área seja tratada a cada sessão.

Quais os efeitos secundários da radioterapia?

A radioterapia externa não faz com que seu corpo fique radioativo. Não tem necessidade de evitar o contato com outras pessoas durante o seu tratamento, pois o fato de abraçar, beijar ou mesmo manter relações sexuais não causa risco de exposição à radiação.

A maioria dos efeitos secundários da radioterapia ocorre na área que está sendo tratada.

Os efeitos secundários mais frequentes, porém raramente sérios, durante o tratamento, são na pele da área irradiada. Eles desaparecem em poucas semanas depois de terminado o tratamento. Muito pouco efeito persiste por mais tempo.

Como posso me cuidar melhor durante a radioterapia?

O corpo de cada um de nós responde diferentemente ao tratamento radioterápico, por isso o radioterapeuta deverá lhe acompanhar durante todo seu tratamento e fazer ajustes, se necessário, durante esta fase.

Quase todos os pacientes com câncer que recebem radioterapia necessitam de cuidados especiais durante esta fase, sendo os principais a seguir:

- antes de iniciar o tratamento faça uma lista dos medicamentos que você está fazendo uso, para que seu radioterapeuta tenha conhecimento deles e possa lhe orientar melhor. Não se esqueça de mencionar as medicações que você tem alergia. Nunca comece tomar nenhum medicamento sem conhecimento de seu médico.

- o cansaço é comum durante a radioterapia, seu corpo utiliza muita energia durante o tratamento e você poderá sentir-se cansado. Procure descansar e dormir adequadamente durante este período. Normalmente o cansaço melhora de 4 a 6 semanas após o término do tratamento.

- a boa nutrição é muito importante durante o tratamento e você encontrará algumas dicas a seguir.

- consulte sempre o seu médico antes de fazer uso de suplemento dietético, como vitaminas e outros, durante o seu tratamento.

- evite usar roupas apertadas sobre a área do tratamento.

- trate com muita suavidade a pele que está na área do tratamento

- sempre peça orientação do seu médico sobre qual o sabonete, creme hidratante, perfume, ervas medicinais, talco ou outras substâncias que podem ser utilizadas sobre esta área.

- use roupas de algodão suaves e soltas sobre esta área.

- não aplique compressa frias ou quentes sobre esta área, use somente água morna neste local.

- nunca use produtos para depilar esta área.

- proteja sempre esta área tratada do sol, porém não deve utilizar bloqueador solar durante o tratamento de radiação. Se possível, cubra esta área tratada com tecidos leves antes de sair. Após o tratamento use um fator de proteção solar no mínimo 15 antes de sair de casa.

Efeitos secundários da radioterapia

Os efeitos secundários da radioterapia são semelhantes para todas as pessoas?

Os efeitos secundários da radioterapia variam de pessoa para pessoa, e eles podem ser leves para alguns e graves para outros. Depende principalmente da dose de radioterapia e do local que está sendo irradiado.

Os efeitos secundários podem ser agudos ou crônicos. Os efeitos agudos são os efeitos mais rápidos, aparecendo muito pouco tempo após o início da radioterapia e desaparecem algumas semanas após o término do tratamento. Os efeitos crônicos aparecem algum tempo depois da radioterapia, podendo ser após meses ou anos.

Os efeitos secundários agudos mais comuns são os cansaços e as alterações na pele, e podem resultar da radioterapia em qualquer lugar do corpo. Outros efeitos secundários estão relacionados com lugares específicos do corpo, como por exemplo, a perda do cabelo quando a radioterapia é na cabeça. O apetite se altera quando a radioterapia é feita na boca, estômago ou intestino.

A maioria dos efeitos secundários desaparece com o tempo.

Os efeitos secundários da radioterapia dificilmente limitarão suas atividades diárias, porém depende do tipo e da intensidade desses efeitos.

A maior parte do pacientes continua exercendo suas atividades normalmente, a não ser que sinta muito cansaço; daí e necessário

um tempo para descansar e prosseguir seu tratamento.

O que pode estar causando o cansaço?

O cansaço é a sensação de esgotamento e falta de energia e é o sintoma mais comum do paciente que faz radioterapia. Não sabemos exatamente o que ocorre.

A maioria das pessoas começam a se sentir cansadas a partir de poucas semanas do início da radioterapia. Durante o tratamento o corpo utiliza muita energia e o cansaço pode ser causado por muitos fatores como o estresse da doença, a idas diárias a radioterapia para o tratamento e os efeitos da radiação no corpo (células normais).

O que você pode fazer para isso melhorar durante o tratamento é não ter muita atividade física, e aproveitar o seu tempo livre de maneira tranqüila e prazerosa. Guarde suas energias para coisas mais importantes. Não pense que tem que fazer tudo que normalmente fazia. Tente dormir mais a noite e planeje o seu dia para que possa descansar algum período que necessita.

Algumas vezes a atividade física como caminhadas pode lhe ajudar a combater o cansaço. Converse com seu médico.

Conversar com outros pacientes ou em grupos de apoio também pode ajudar muito neste momento.

No caso de você estar empregado, saiba que tem direito pela legislação brasileira de afastar-se para o tratamento através do beneficio chamado auxilio doença, concedido pelo INSS (Instituto Nacional de Assistência Social), para pessoas empregadas e que tenham pelo menos 1 ano de recolhimento para a Previdência Social.

Como se trata os problemas com a pele?

Você notará que a pele na área do tratamento estará avermelhada e irritada, como se estivesse queimada pelo sol. Depois de algumas semanas sua pele estará ressecada por causa da radioterapia.

Contudo alguns tipos de radioterapia podem causar na pele uma reação úmida, principalmente nas pregas da pele. Quando isto ocorre, a pele pode apresentar feridas. É muito importante que se isto estiver ocorrendo você comunique imediatamente seu médico.

Algumas dicas com a pele durante o tratamento

- evite irritar a pele durante o tratamento

- lavar com água morna e sabonete suave

- não use roupa apertada sobre a área

- não use compressas quentes ou frias sobre o local

- não use cremes, perfumes, loções ou ervas medicinais nesta área durante o tratamento

- evite a exposição ao sol

Qualquer tipo de alteração na pele que não considerar como normal mostre imediatamente a seu médico.

O que posso fazer com a perda do cabelo?

A radioterapia pode causar a perda do cabelo ou também chamada de alopecia, porém isto só ocorre na área tratada pela radiação, o seu cabelo pode ou não voltar a crescer.

Você terá que tomar alguns cuidados com este fato, um deles e que a área sem cabelo é muito sensível e deve evitar a incidência do sol. Portanto se seu cabelo caiu durante a radioterapia você devera usar um chapéu ao se expor ao sol para evitar queimaduras no couro cabeludo.

Como devo me alimentar durante a radioterapia?

Algumas vezes o tratamento de radioterapia pode causar transtornos alimentares como perda de apetite e alteração no paladar. Tente comer o suficiente para poder suportar o tratamento. Não é raro que perca 1 ou 2 quilogramas por semana durante o tratamento. Uma sugestão é controlar o seu peso uma vez por semana e avisar o seu médico.

Dicas de alimentação durante o tratamento da radioterapia

- coma quando sentir fome, mesmo que não seja hora da alimentação

- faça varias refeições em pequena quantidade durante o dia, ao invés de 3 refeições básicas

- tente alimentar-se em um ambiente agradável com luzes tênues, músicas suaves e cores brilhantes.

- varie a dieta, inventando novas receitas, e tente alimentar-se junto a seus familiares e amigos

- mantenha sempre uma comida pronta por perto para quando sentir fome

- aumente o aporte de calorias, veja em dietas para aumentar o aporte calórico, durante o tratamento.

- ingerir o máximo de quantidade de líquido possível, e deixe sempre próximo a você uma garrafinha de água para poder tomar de hora em hora ou quando estiver com sede.

O QUE E A HORMONIOTERAPIA?

Alguns tumores como os da próstata no homem e o de mama e do útero na mulher podem depender de hormônios para seu aparecimento e crescimento. Desta forma uma das estratégias do tratamento desses tipos de câncer pode ser terapia para bloquear o efeito desses hormônios, impedindo que os tumores cresçam. Isso de chama terapia hormonal ou hormonioterapia e se baseia no uso de medicações dadas por via oral. Esses medicamentos não devem nunca ser esquecidos ou interrompidos sem ordem de seu médico. Outra forma de administrar a hormonioterapia é com o uso de medicações injetáveis pelas vias intramuscular ou subcutânea, uma vez por mês ou a critério de sue médico.

Os efeitos colaterais do uso desse tipo de medicação são mais frequentemente relacionados aos sintomas da menopausa. Qualquer efeito colateral comunique seu médico.

TEMA: CUIDANDO DOS CUIDADORES

Enfermeiras: Simone Trombetta e Rosana Mota

Enfermeiras do Serviço de Oncologia do Centro Médico São Gabriel

"Cuidador é a pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, cuida do idoso, doente ou dependente, no exercício das suas atividades diárias, tais como alimentação, higiene pessoal, medicação de rotina, acompanhamento aos serviços de saúde e demais serviços requeridos no cotidiano”.

Para começar, é muito importante que o cuidador não confunda cuidar da paciente com assumir suas tarefas. Em muitos casos, isso não é necessário e pode até prejudicar.

Lembre-se de que a paciente precisa participar ativamente do processo de tratamento. Incentivar, estimular, orientar, supervisionar e acompanhar pode ser muito mais produtivo. O cuidador não deve nunca se deixar de lado. É muito normal aparecerem sentimentos como raiva, culpa, frustração e até mesmo certa sensação de impotência, mas é fundamental lembrar que, se ele está fazendo todo o possível para ajudar o paciente, está sendo de grande utilidade. E, para continuar esse trabalho, é preciso estar com a saúde física e emocional em dia.

Informação nunca é demais:

É uma ferramenta importante neste momento. Sempre que possível leia e aprenda coisas novas a respeito da doença e do tratamento.

Inteire-se das novidades relacionadas ao câncer.

É muito comum os cuidadores descuidarem da sua própria saúde enquanto providenciam o melhor cuidado possível para o pacientes.

Maus hábitos alimentares, insônia, estresse, depressão são problemas frequentemente encontrados.

EFEITOS COLATERAIS COMUNS NA QUIMIOTERAPIA

- Diferentes drogas podem causar efeitos colaterais, que são previsíveis para determinadas classes de drogas, porém a experiência de cada pessoa com a quimioterapia é única. É sempre bom ter uma conversa com seu médico sobre os efeitos secundários específicos que podem ocorrer ou estão ocorrendo.

- Feridas na Boca e na Garganta

A quimioterapia pode danificar as células que revestem a boca e garganta. As feridas (também conhecidas como mucosite) aparecem geralmente de cinco a 14 dias após o tratamento com quimioterapia e podem ser infecciosas. No entanto, elas costumam sarar completamente quando o tratamento é terminado. Uma dieta menos acida, e uma higiene bucal adequada, pode propiciar mais conforto a esses efeitos.

- Fadiga

Sensação persistente de cansaço ou exaustão. É o sintoma mais comum relatado pelos pacientes que recebem quimioterapia. Procure relaxar, descansar, poupar o corpo de esforços, lembre-se que agora ele está trabalhando para recuperar a sua saúde.

- Diarréia

Certos medicamentos provocam a eliminação de resíduos moles ou líquidos. Um bom monitoramento sobre a alimentação pode prevenir e evitar que o paciente fique desidratado (condição quando o corpo não recebe a quantidade de líquidos que necessita) ou o desenvolvimento de outros problemas. Lembre-se que a consulta com o Nutricionista é primordial, ele orientará a melhor dieta para amenizar estes sintomas.

- Náuseas e Vômitos

A quimioterapia pode causar náuseas (vontade de vomitar) ou vomito propriamente dito – um risco que depende do tipo e dose de quimioterapia. Com os medicamentos adequados, que normalmente são prescritos pelo seu médico, esses efeitos podem ser evitados em quase todos os pacientes.

- Constipação

A quimioterapia, assim como outros medicamentos que utilizamos para tratar náuseas , vômitos, dor, depressão, diarréia, pressão arterial, diabetes e outros podem causar prisão de ventre. Novamente é indicada a consulta com o Nutricionista, pois através de uma dieta balanceada, estes efeitos poderão ser minimizados.

- Dor

A quimioterapia pode causar dor para algumas pessoas, incluindo feridas na boca, dores de cabeça, dor muscular, dor de estômago e lombalgias, entre outras dores. Procure sempre comunicar o médico, pois ele ajudará a amenizar estes sintomas.

- Perda de apetite

As pessoas que recebem quimioterapia podem comer menos do que o habitual, não sentir fome, ou se sentir satisfeitas depois de comer apenas uma pequena quantidade. Uma contínua perda de apetite, ou a diminuição do paladar ou mesmo a sensação de gosto metálico pode levar à perda de peso. Entretanto pode ficar mais complicado para o organismo se recuperar após a quimioterapia.

- Perda de cabelo

Os pacientes que recebem a quimioterapia podem perder o cabelo por todo o corpo, gradualmente. O renascimento dos cabelos ocorre geralmente de 1 a 3 meses após início da terapia de manutenção ou após o fim da quimioterapia intensiva.

Efeitos Colaterais a Longo Prazo

Muitos efeitos colaterais da quimioterapia desaparecem no final do tratamento. No entanto, alguns podem persistir, retornar, ou surgir mais tarde.

Conclusão

Devemos ter sempre em mente que o tratamento é desafiador, porém nos promove a possibilidade de cura, controle e até uma qualidade melhor de vida em relação ao diagnóstico.

No dia que você for realizar a quimioterapia, procure tomar os medicamentos de uso contínuo, comunique qualquer alteração ao seu médico, pois ele ajudará a amenizar os sintomas pós quimioterapia.

Psicóloga: Thatiany Santana

Psicóloga do Serviço de Oncologia do Centro Medico São Gabriel

Receber um diagnóstico de câncer geralmente traz ao paciente aspectos emocionais que merecem ser avaliados e estudados. Um diagnóstico de câncer pode ser devastador num primeiro momento logo após o diagnóstico, bem como na expectativa de um prognóstico positivo. Ao longo do processo de adoecimento é possível identificar um conjunto de reações emocionais pelos quais passa o paciente.

São elas:

(1) choque e negação: ocorre quando o paciente está doente e se recusa a aceitar o diagnóstico;

(2) raiva: ocorre quando os pacientes se sentem frustrados, irritados ou com raiva pelo fato de estarem doentes, passando a descarregar esses sentimentos na equipe médica e familiares;

(3) barganha: ocorre quando o paciente tenta negociar sua cura com a equipe médica, com os amigos e até com forças divinas, em troca de promessas e sacrifícios;

(4) depressão: o paciente apresenta sinais típicos da depressão, como desesperança, retraimento, retardo psicomotor, enquanto reação aos efeitos que a doença opera sobre seu corpo ou como antecipação à possibilidade de perda real da própria vida;

(5) aceitação: ocorre quando o paciente aceita tal experiência de adoecimento. Cabe destacar que os estágios supracitados também podem ser vivenciados pelos familiares.

DOR

A dor deve ser considerada como um processo multidimensional, caracterizado como uma experiência subjetiva, mediada por fatores físicos, sociais, psicológicos e culturais, que requer a atenção integral de diferentes profissionais da saúde.

MORTE

Falar da morte é falar da vida

O paciente precisa ser ouvido e se sentir acolhido em seu sofrimento, para auxiliar no enfrentamento do medo da própria morte.

FAMÍLIA

O grupo familiar desempenha papel preponderante durante o processo de adoecimento e suas reações contribuem para a reação do paciente.

A família merece cuidado especial por parte da equipe multidisciplinar que se estende da comunicação do diagnóstico até o suporte no pós óbito.

Fisioterapeutas: Rosana Soares E. S. Lima e Sheila Ribeiro

Fisioterapeutas do Serviço de Oncologia do Centro Médico São Gabriel

- O exercício físico orientado é um grande aliado para pacientes com câncer

- Prevenção: redução do risco de câncer de mama e de cólon, próstata pulmão endométrio, estômago, fígado e rim.

- Efeitos terapêuticos:

- melhora a fadiga oncológica

- melhora a qualidade de vida

- auxilia o controle de peso que influencia a disponibilidade hormonal e a carcinogênese

- contrapõe o efeito da depleção hormonal sobre o sistema musculoesquelético

A sensação de fadiga é experimentada por 72% a 95% de todos os pacientes oncológicos durante e após o tratamento

redução de força muscular e a dor

- Dicas para manter a QUALIDADE DE VIDA:

- atividades diárias

- satisfação do paciente com seus níveis de funcionalidade

- estratégias: tem-se evidenciado na literatura os efeitos positivos da atividade física na qualidade de vida

- a atividade física, quando realizada de maneira regular, vem demonstrando ser um opositor aos efeitos deletérios do tratamento resultando em uma melhoria das capacidades cardioventilatória e funcional . Essas melhorias ocorrem não somente com intervenções após os tratamentos para o câncer, mas também durante os mesmos.

RECOMENDAÇÕES

- Seja moderadamente ativo fisicamente

- Realize uma caminhada acelerada por no mínimo 30 minutos todos os dias

- À medida que seu condicionamento físico melhorar, procure exercitar-se moderadamente por 60 minutos ou mais

- Ou por 30 minutos ou mais, de atividade física vigorosa todos os dias

- Limite hábitos sedentários tais como assistir à televisão.

Automassagem

- A automassagem é um exercício de relaxamento realizado pelo próprio paciente

- Pode ser aplicado em casa, na sala de espera do consultório, no trabalho

Mitos e Verdades no Apoio Nutricional do Paciente Oncológico

Nutricionista Eliane Regina Vieira dos Santos

Nutricionista do Serviço de Oncologia do Centro Médico São Gabriel

1. Paciente oncológico pode consumir frutos do mar e carne suína?

Verdade!

- Carne de porco, camarão entre outros alimentos

- Alergia

- Procedência

2. A beterraba é uma das principais fontes de ferro no controle da anemia?

Mito!

3. O Espinafre pode ser usado como fonte de ferro na cura da anemia?

Mito!

- Ácido oxálico

4. Os sucos verde-intensos contribuem para o aumento das plaquetas?

Mito!

5. Os alimentos ricos em ferro devem ser consumidos junto com suco de laranja ou de limão?

Verdade!

6. Não devemos consumir refrigerantes, leite, chá e café, junto às refeições do almoço e jantar?

Verdade!

- Cálcio

- Tanino

7. Paciente em quimioterapia não pode comer peixe?

Mito!

8. Paciente em quimioterapia não pode usar alimentos em forno microondas?

Mito!

9. É comprovado que a babosa ajuda na cura do câncer?

Mito!

- Sistema imunológico

- Antiinflamatória

- Antiviral

- Dores abdominais e fortes diarréias.

10. Paciente em quimioterapia e radioterapia pode usar chá verde?

Verdade!

- catequinas

- radicais livres

- 2 a 3 xícaras de chá por dia.

11. Não se deve ingerir antibiótico com leite?

Verdade!

- Fe, Mg, Zn, e Ca

- Absorção e a biodisponibilidade do fármaco.

12. O alho pode ser considerado um imunoterápico?

Verdade!

- Nutrientes X antineoplásico

13. Gengibre diminui as náuseas dos pacientes em quimioterapia?

Verdade!

- 01 colher de chá

- 500mg em cápsula duas vezes ao dia.

14. Paciente com câncer de mama não pode comer galinha de granja?

Mito!

15. Paciente com câncer de mama não deve fazer uso de soja?

Verdade!

- Genisteína

- Estradiol

16. A camomila tem um poder de diminuir as mucosites?

Verdade!

17. Pacientes em quimioterapia e radioterapia devem comer várias vezes ao dia e tomar muita água?

Verdade!

- Função intestinal

- Função Renal

18. O uso do Ginseng melhora a fadiga durante a quimioterapia?

Verdade!

Dr. Weslley Mota

Oncologista Clínico do Serviço de Oncologia do Centro Médico São Gabriel

O câncer é considerado uma doença devastadora, porem há muitos mitos a respeito desta patologia que é muito complexa.

Em primeiro lugar, e o mais interessante, é que pode ser evitado o desenvolvimento das células malignas com medidas que têm um grande impacto no diagnóstico precoce e aumento significativo nas chances de cura com medidas simples que podem ser solicitadas por médicos clínicos gerais.

Basta seguir um roteiro de recomendações de exames que devem ser feitos com periodicidade e a partir de determinada idade.

Esses exames são de custo baixo e muito nos auxiliam no diagnóstico precoce de alguns tumores.

Abaixo seguem os exames que podem ser solicitados para diagnóstico precoce de câncer em homens e mulheres:

- a solicitação do exame de citologia oncótica de Papanicolau, em mulheres com atividade sexual a cada 2 anos para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer do colo uterino, pois 99% desses tumores estão relacionados a infecção pelo vírus HPV Papiloma Vírus Humano, que pode ser tratado antes de se transformar em câncer.

Deve ser realizado em todas as mulheres após iniciar a atividade sexual, e ser repetido a cada ano ou no máximo a cada 2 anos.

É muito simples e colhido em postos de atendimento ginecológico, podendo ser colhido por um técnico.

- mamografia, que deve ser solicitado para mulheres a partir de 35 anos e deve ser anual em mulheres com parentes de primeiro grau (mãe, irmãs e filhas) que tiveram câncer de mama e a cada 2 anos em mulheres que não tem parentes com câncer de mama.

- colonoscopia, que deve ser realizado a partir dos 50 anos. Deverá ser anual para as pessoas que têm parentes de primeiro grau com câncer de intestino (principalmente com idade jovem) e a cada 5 anos para quem não tem parentes com câncer de intestino.

O exame do toque da próstata deve ser feito em homens a partir de 50 anos, ou em homens que apresentem alteração no jato urinário.

A dosagem do PSA também auxilia na pesquisa dos pacientes com potencial de desenvolvimento de câncer de próstata, pois valores altos este exame podem ser um sinal de alerta de câncer de próstata que geralmente é assintomático.

Os outros tumores não têm prevenção, exceto os tumores de pulmão onde 80% das pessoas que tem câncer de pulmão são fumantes, então o fato de não fumar, ou parar de fumar é um fator de prevenção do câncer de pulmão.

E o câncer de pele que pode ser prevenido com o cuidado na exposição à radiação solar, lembrando sempre que a exposição ao sol a partir de 10 horas é muito nociva e o uso de filtro solar fator 30 diariamente previne a formação de lesões

 


Palestra 06: Prevenção do Câncer

 


Palestra 05: Alimentação durante o tratamento

 


Palestra 04: Tema: Atividade Física e Bem Estar

 


Palestra 03: Tema: Aspecto psicológico do adoecimento

 


Palestra 02: Ministrada pelas enfermeiras do Serviço de Oncologia do Centro Medico São Gabriel – São Paulo

 


Palestra 01:

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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