São Paulo, SP, 27/06/2019
 
17/09/2013 - 10h14m

Artigo 12 - Novas Perspectivas para tratar câncer de ovário

Dra. Silvia Regina Graziani* 
  • Figura 02- exemplo de angiogeneses (formação de novos vasos sanguíneos)
  • Figura 03 - Diferença entre tumor(sólido) e cisto do ovário.
  • Figura 01- anatomia dos órgãos genitais femininos

Artigo escrito pela Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56.925 *

O Câncer de Ovário é um tumor pouco frequente e muito difícil de ser diagnosticado em fase inicial da doença, o que torna o prognostico desta doença reservado na maioria dos casos.

Não há métodos de prevenção precoce deste tipo de tumor e o tipo mais comum são os tumores do tipo epitelial, que ocorrem na superfície do ovário.

Em 2012 foram diagnosticados 6190 casos novos, sendo que 2979 mulheres morreram pela doença no mesmo período.(InCa)

O ovário é um órgão genital que é responsável pela produção dos hormônios femininos – progesterona e estrógeno.

Também tem a função de produzir, armazenar e liberar os óvulos a cada mês a partir da puberdade, por um período médio de 40 anos, quando há exaustão desses óvulos e a falha na produção dos hormônios sexuais femininos, as mulheres entram na menopausa.

O desenvolvimento do Câncer do ovário está associado a múltiplos fatores como genéticos (mutações em genes como o BRCA 1 e 2), hormonais e ambientais.

O histórico familiar ainda é o fator de risco mais importante, sendo responsável pela incidência de 10% dos casos.

Mulheres que são submetidas a testes de pesquisa de mutação dos genes BRCA 1 e 2 e apresentam mutação no gen BRCA 1 tem 45% de chance de desenvolver Câncer de ovário e no gen BRCA 2 aproximadamente 25% de risco de desenvolvimento da doença.

Os fatores hormonais são baseados em estudos estatísticos de incidência em mulheres com o perfil e são considerados fatores de risco:

- nunca engravidaram

- não amamentaram

- menopausa tardia, após 55 anos

- antecedente pessoal de câncer de mama

- parentes de primeiro grau(mãe, irmã ou filha) com câncer de ovário.

No ovário há basicamente 3 tipos de tumores:

- tumores epiteliais

- tumores germinativos

- tumores do cordão sexual

Os Sintomas na maioria das vezes são inespecíficos ou aparecem apenas quando a doença está muito avançada e são geralmente relacionados com aumento do volume abdominal e dores pélvicas.

O Diagnostico é realizado exclusivamente com a abordagem cirúrgica, que além de fornecer material para análise do tipo do tumor, também avaliará a extensão da doença para a programação do tratamento.

O Tratamento é a cirurgia para remoção do tumor e estadiamento que é a avaliação da extensão da disseminação da doença na cavidade pélvica.

O primeiro medico a realizar o tratamento cirúrgico para o Câncer de ovário o fez na Austria em 1885, Na época o médico austríaco Friedrich Schouta tratou mulheres com câncer de ovário através da remoção cirúrgica do tumor pélvico.

Nesta época, há 200 anos, se instituiu a importância da remoção cirúrgica da maior quantidade de tumor o qual tem impacto direto no tempo que a doença recidiva.

A cirurgia é o procedimento chamado de Laparotomia exploradora e vai definir o estadiamento da doença que é de I a IV, onde I são os tumores em fase inicial, com acometimento exclusivo no ovário e IV é quando há metástases, ou seja, disseminação pela cavidade abdominal ou envolvimento de órgãos como pulmão e fígado, mais raramente.

A quimioterapia é a opção de tratamento complementar nos tumores iniciais e avançados.

Estudos com 19.043 mulheres com Câncer de ovário em um grupo cooperativo em vários centros no mundo denominado de Ginecology Oncology Group (GOG) confirmam que a cirurgia com remoção do tumor é o fator mais importante no tempo de vida após o diagnostico:

Tabela 01 - porcentagem de sobrevida em 5 anos conforme a quantidade de tumor residual após a cirurgia (veja foto 5):

Tamanho do tumor residual após a cirurgia % de pessoas vivas em 5 anos

Nenhum tumor residual 76%(76 pacientes em 100)

Tumores com menos de 1 cm 31%(30 pacientes em 100)

Tumores entre 1 e 2 cm 13%(13 pacientes em 100)

Tumores com mais de 2 cm 5%(5 pacientes em 100)

Fontes:

-Int J Gynecol Cancer 2011: 21, 750-752

-Cancer 2009; 15: 1234-1244

A novidade é que no Dia Mundial do Câncer de Ovário, em 8 de maio, o qual estabeleceu a primeira data de conscientização mundial deste tipo de tumor e no Brasil ocorreu um avanço que foi a incorporação na bula do medicamento Bevacizumabe (Avastin®- Roche), a indicação deste medicamento para o tratamento complementar do Câncer de Ovário.

Estudos internacionais do GOG em todo mundo, inclusive com pacientes no Brasil, mostraram a atividade deste medicamento associado a quimioterapia, o qual muda o cenário do prognóstico reservado em tumores avançados, aumentando as chances de viver maior tempo para as pacientes que utilizam este medicamento com a quimioterapia.

O Bevacizumabe não é um quimioterápico, é uma droga nova que atua impedindo o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o tumor.

Figura 02- exemplo de angiogeneses (formação de novos vasos sanguíneos) que nutrem as células tumorais. Esses vasos são formados exclusivamente para nutrir células tumorais para que elas cresçam e tenham garantido o aporte de oxigênio e nutrientes, esse processo se chama angiogeneses.

O Bevacizumabe atinge esses vasos sanguíneos que nutrem as células tumorais e desta forma leva as células tumorais a morte por falta de nutrientes e oxigênio.

Fonte:

-Gynecol Oncol 2006; 101: 436-440.

Dicas de Prevenção do Câncer de ovário:

- ficar atenta aos fatores de risco da doença, principalmente após os 50 anos

- ficar atenta se tiver um familiar de primeiro grau com Câncer de ovário

- mulheres com antecedentes de câncer de mama, útero e intestino e que nunca engravidaram apresentam risco aumentado

- mulheres que apresentam cisto de ovário maior que 10 cm, ou cistos que apresentam áreas sólidas a ultrassonografia

- importante saber que o exames de “Papanicolau” não detecta Câncer de ovário, pois são exclusivos para câncer do colo uterino

- consulte o ginecologista regularmente

- evite alimentos gordurosos e faça controle rigoroso de peso, pois há estudos estatísticos de maior incidência de câncer de ovário em mulheres obesas e com sobrepeso

- recomenda-se o exame de ultrassonografia pélvica anual em mulheres com parentes de primeiro grau com câncer de ovário e em mulheres que fazem reposição hormonal após os 40 anos.

É importante salientar e entender que os tumores do ovário são diferentes dos cistos do ovário.

Figura 03 – Diferença entre tumor (sólido) e cisto do ovário.

Os cistos são benignos e muito frequentes.

Há mulheres que apresentam cistos ovarianos formados pela liberação do óvulo, que são denominados de cistos foliculares.

Esses geralmente regridem sem tratamento.

Fontes:

- www.inca.org.br

- drauziovarella.com.br/mulher  

- www.abcdasaude.com.br

- www.minhavida.com.br

- www.oncoguia.org.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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