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30/09/2013 - 09h22m

Artigo 13 - Atenção a saúde dos idosos - Dia Internacional do Idoso

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani 

Artigo escrito pela Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56.925 *

Atenção a Saúde dos Idosos

Homenagem ao Dia Mundial do Idoso

O ano de 1999 foi considerado pelas Nações Unidas o Ano Internacional do Idoso e o dia 01 de outubro de 1998 foi determinado desde então como o Dia Internacional do Idoso. O objetivo desta estratégia era exclusivamente de reconhecer que o envelhecimento da população requer ações de saúde específicas para promoção da qualidade de vida desta população.

Ações estas também nas áreas sociais, culturais e econômicas, uma vez que esses cidadãos tem poder aquisitivo de consumo específico e uma porcentagem razoável de idosos tem autonomia para decisão e convívio social.

Segundo o dialético do educador Paulo Freire, o ”Homem deve ser o sujeito de atitude crítica, reflexiva e histórica e o conhecimento é inacabado, progressivo e contínuo”.

Desta forma entendemos que os modelos rígidos de assistência a saúde devem ser atualizados continuamente, principalmente nos últimos anos, quando dados do IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram um aumento significativo da expectativa de vida no Brasil.

Hoje a media de expectativa de vida no Brasil é de 73,44 anos, sendo que as mulheres vivem mais, com expectativa de 78,5 anos e 71,3 para os homens. Em 30 anos a expectativa de vida será de 81,2 anos, sendo 78 anos para homens e 84,4 para as mulheres. A população de pessoas com mais de 65 anos será de 26,7% da população geral em 2060. (Fonte: Agência Brasil, consulta via internet 29/09/2013.)

Estes dados são alarmantes e as informações devem caminhar rapidamente para a elaboração de políticas públicas de promoção e prevenção de doenças que acometem com maior frequência pessoas que vivem mais. Assim, direciona-se as estratégias para a manutenção da qualidade de vida visando as possibilidades de intervenção em estratégias preventivas de conscientização populacional.

Entre as doenças estão as crônicas degenerativas, como diabetes, hipertensão arterial, artroses, osteoporose, doenças cardiopulmonar, e o câncer. Para elas, o Sistema Único de Saúde(SUS) tem política pública de conscientização e fornecimento de medicamentos.

O principal fator de desenvolvimento de câncer é a idade

Sabemos que a incidência de câncer aumenta de forma importante com a idade, mesmo porque os fatores externos relacionados ao desenvolvimento do câncer são expostos em um tempo maior, aumentando a incidência de alguns tumores.

Porém, a prevenção de Câncer em Idosos não segue necessariamente as recomendações desses tumores na população mais jovem. Além disso, as campanhas de câncer em idosos são muito restritas e os dados estatísticos não são atualizados.

As estratégias de prevenção para idosos deve ser elaboradas com muito critério e principalmente considerando o fator que é o impacto do diagnostico do câncer e as consequências do tratamento, principalmente porque a maior parte dessas pessoas não sentem absolutamente nenhum sintoma relacionado a doença e possivelmente não terão uma expectativa de vida longa para justificar um procedimento medico extenso que possa interferir na sua qualidade de vida.

Algumas instituições da América do Norte que estudam a população idosa, “sugerem” as recomendações de não ser feito exames para pesquisar Câncer em idosos. Entre elas, temos:

AAFP – Academia Americana de Médicos de Família

ACOG – Colégio Americano de Ginecologista e Obstetrícia

ACS –Sociedade Americana de Câncer

AGS – Sociedade Americana de Geriatria

AVA – Associação Americana de Urologia

USPSTF-US – Força Tarefa Serviço Preventivo dos Estados Unidos da América

Embora essas renomadas instituições publiquem dados convincentes, há uma grande lacuna na assistência a Saúde dos idosos.

Segundo dados do Ministério da Saúde no Brasil, os principais fatores para o desenvolvimento de câncer de mama são:

- envelhecimento, gravidez em idade tardia, menarca precoce, menopausa após os 55 anos, ciclos menstruais curtos e histórico familiar de primeiro grau de câncer de mama.

A prevenção primária consiste em estratégias de informação, a fim de eliminar os fatores de risco para o desenvolvimento de doenças. Devem fazer parte do arsenal de medidas a serem tomadas na assistência ao idoso. Entende-se que a prevenção é a melhor maneira para combater uma doença e aumentar as chances de cura.

Tabela 01- Exames que devem ser realizados em idosos para prevenção de Doenças Crônicas e Câncer (ver foto 2)

Para os tumores de intestino não é recomendado a pesquisa de rastreamento de rotina nas idades entre 76 e 85 anos.

Após 85 anos não deve ser pesquisado, apenas se houver algum tipo de queixa relacionada como sangramento nas fezes e dores abdominais sem causa aparente, alteração no hábito intestinal como diarreias alternadas com intestino preso e emagrecimento.

Para o câncer de próstata não é recomendado a pesquisa após os 75 anos. O exame de PSA (Antígeno Prostático Específico), que é colhido no sangue deve ser feito de forma anual a partir dos 50 anos até os 70 anos. Após 70 anos só devera ser solicitado se houver sintoma como dificuldade para urinar e dores ósseas por exemplo.

Embora não haja estratégias claras e específicas de prevenção de câncer em idosos, algumas medidas podem e devem ser adotadas para prevenção de doenças crônicas.

Dicas para as pessoas que estarão nas estatísticas de idosos nos próximos 5 a 10 anos

I – Dieta Balanceada:

(Nutricionista Eliane R. V. Santos CRN 15939)

-Não deixe de fazer nenhuma refeição. Faça no mínimo três refeições ao dia: café-da-manhã, almoço e jantar

-controle a quantidade de sal e elimine temperos prontos no preparo dos alimentos. Use sempre temperos naturais como salsa, cebolinha, cebola, alho, orégano, manjericão, coentro, limão, hortelã – use a vontade

-prepare os alimentos utilizando pouco óleo e dê preferência aos vegetais

-evite o consumo excessivo de café, no máximo ingerir três xicaras (pequenas) ao dia

-acrescente na alimentação alimentos ricos em fibras como aveia, trigo integral, farelo de trigo, feijão, lentilha, frutas, verduras e legumes que ajudam no funcionamento do intestino e reduzem o colesterol

-utilize os alimentos ricos em colesterol e com gordura saturada com moderação como manteiga, leite, iogurtes integrais, queijo amarelo, gema de ovo, creme de leite, leite de coco, banha, bacon, pele de frango e carnes gordurosas.

Prefira alimentos ricos em gorduras insaturadas com menor teor de colesterol e mais saudáveis como: leite desnatado, maionese sem gema de ovo, margarinas, óleos vegetais como de girassol, canola, azeite de oliva, iogurte desnatado, queijo branco, ricota, cottage e creme de leite light

-controle o consumo de frituras, embutidos, enlatados, refrigerantes, bebidas alcoólicas, açucares e doces.

-consumir verduras e legumes a vontade

-consumir frutas variadas cerca de 5 vezes ao dia

-mastigue bem os alimentos (pelo menos 30 vezes)

-procure variar sempre o cardápio, teste novas receitas

II – Atividade Física:

-faça exercícios físicos assistidos sempre por um profissional Educador Físico ou Fisioterapeuta, para evitar desgastes das articulações e sobrecarga desnecessária no esqueleto.

-caminhadas matinais ou no final do dia, no período mais frio do dia, com roupas leves e tomar muito liquido durante a atividade física.

III – Consulta ao clínico geral ou geriatra pelo menos uma vez ao ano.

IV- Exames que devem ser feitos de rotina anual:

-Sangue: hemograma, glicemia, colesterol total e frações e triglicérides, dosagem de vitamina B12, acido fólico e vitamina D

-Pesquisa de sangue oculto nas fezes ate 75 anos (de 76 a 85 anos solicitar apenas em situações especiais, se tiver sintomas)

-Densitometria óssea

-Em mulheres: mamografia, até 70 anos; citologia de Papanicolau, até 70 anos, se nos anos anteriores estiverem normais

-Em homens: PSA, até 70 anos, após essa idade somente se houver sintomas.

Fontes:

-http://inca.org.br

-http://revistavivasaude.uol.com.br/clinica-geral/idosos

-http://acadmedmg.org.br/atualização-medica/81

-http://ww.scielo.br

 

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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