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30/11/2013 - 23h15m

Artigo 18 - Hepatites Virais - Um Alerta para uma Virose Letal

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani 

Artigo escrito pela Dra. Silvia Regina Graziani*

HEPATITES VIRAIS – Um alerta para uma virose letal

As hepatites virais são doenças do fígado causadas por um vírus e são basicamente de três tipos: A, B e C.

As Hepatites do tipo A é uma doença aguda do fígado que pode causar icterícia, dor abdominal, náuseas e vômitos e urina escura.

Em crianças o quadro da doença é geralmente benigno e os sintomas são leves.

Em adultos e idosos são mais graves e podem inclusive evoluir para hepatite fulminante.

A Hepatite A é contagiosa e se pega da seguinte forma:

- ingestão de água e alimentos contaminados

- contato pessoal em condições de má higiene

Prevenção:

- saneamento básico

- higiene básica

- vacinação para hepatite A, que não esta no plano nacional de Imunização

A Hepatite B é transmitida pelo vírus da hepatite B que é mais agressivo.

A contaminação ocorre por:

- transmissão pelo contato com o sangue infectado

- através de relações sexuais

- por agulhas compartilhadas ou reutilizadas

- na hora do parto, onde a mãe infectada infecta o bebê

A maioria dos adultos que são infectados conseguem combater o vírus da hepatite B, porém crianças e algumas pessoas não conseguem e evoluem para hepatites crônicas.

No Brasil estima-se que entre 1 a 2 milhões de pessoas evoluíram para hepatite B crônica; 90% dessas pessoas não tem conhecimento deste fato.

A evolução é assintomática, ou seja o portador não apresenta nenhum sintoma e por este fato pode infectar outras pessoas, principalmente pela via sexual.

A Hepatite B é considerada aguda até seis meses do contágio, após esta data, é considerada crônica e pode persistir por toda a vida.

Não há tratamento para a Hepatite B aguda, somente para a Hepatite B crônica, o qual há vários medicamentos para controlar os danos do fígado pelo vírus.

Portadores de hepatite B crônica não devem usar bebida alcoólica.

As hepatites B e C, principalmente a hepatite B levam ao desenvolvimento do Hepatocarcinoma, que é o tumor primário do fígado, de prognostico sombrio e evolução letal.

Prevenção:

- vacina para hepatite B, que deve ser dada em 3 doses para pessoas com mais de 29 anos, em Posto de Saúde.

- uso de preservativo em relações sexuais, pois oi risco de adquirir hepatite B na relação sexual é de 100 vezes mais que a AIDS.

- evitar compartilhar instrumentos cortantes como alicates de manicure e laminas de barbear, seringa de drogas, material de tatuagem ou qualquer instrumento que tenha contato com o sangue.

As Hepatites C são causadas pelo vírus da Hepatite C, cuja infecção se dá pelo sangue infectado.

Pode ocorrer com o contato com feridas infectadas ou com um instrumento perfurante que foi usado por uma pessoa infectada, (tipo alicate de unha de manicure).

As vias de transmissão da Hepatite C são:

- transfusão de sangue, cirurgias e hemodiálise e derivados antes de 1993.

- pessoas que tiveram contato com tatuagem, piercings, manicures e profissionais da área da saúde e agentes penitenciarios.

- pessoas que compartilham seringas de injeção, barbeadores, escova de dentes, alicate de manicure.

- no parto de mão para filho, que é muito raro.

A hepatite C geralmente evolui totalmente assintomática e por isso é considerada “assassina silenciosa” e não tem cura.

A maioria das pessoas infectadas são adultos com mais de 40 anos.

No Brasil estima-se que haja 3 a 4 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da Hepatite C de forma crônica, mas da mesma forma que a hepatite B não há exames específicos. Muitas pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C evoluem para hepatite crônica por anos.

A hepatite C tem tratamento com medicamentos que podem eliminar o vírus.

Prevenção:

- não há vacina para Hepatite C

- uso de preservativo em relações sexuais, embora a hepatite C não seja uma doença sexualmente transmissível, se houver algum ferimento na região genital poderá ocorrer a transmissão através do contato com o sangue que está infectado.

- evitar compartilhar instrumentos cortantes como alicates de manicure e laminas de barbear, seringa de drogas, material de tatuagem ou qualquer instrumento que tenha contato com o sangue.

Portadores de hepatite C tem direito garantido por lei de receber de forma gratuita as doses de vacina para hepatite B e A.

O exame para detecção da hepatite viral é de sangue e com contagem específica para detecção da carga viral.

Há exame indireto o qual se suspeita de infecção pelo vírus no sangue, que é a dosagem das transaminases e das bilirrubinas direta e indireta.

O exame especifico para detecção das hepatites virais dsão:

-HBs Ag

-Anti-HBc

-Anti-HBs

-determinação da carga viral HBV DNA, auxilia durante o tratamento.

Hepatocarcinoma:

O hepatocarcinoma ou câncer hepatocelular é a neoplasia maligna primário do fígado.

Ocorre em frequência maior em homens (3 homens: 1 mulher).

Na Europa e Estados Unidos a idade media de acometimento é entre 60 e 70 anos, enquanto que em outras áreas do mundo como no Brasil, a incidência se dá em pessoas muito mais jovens, entre 30 e 50 anos.

É uma doença rara no mundo e no Brasil 98% dos doentes tem cirrose hepática e está associado à infecção pelo vírus da hepatite C em 54% dos casos, da hepatite B em 16% dos casos e ao consumo de álcool em 14% dos casos.

Esta doença quando detectada em estágios iniciais é curável, porem na doença não operável, o tratamento é paliativo e o prognóstico reservado.

Há diretrizes do Ministério da Saúde para o tratamento e distribuição de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde em serviços médicos especializados em oncologia.

Fontes:

-Hepatitis Foundation International:

http//: www.hepfi.org.page

- ABCs of Hepatitis

http//: www.hepfi.org.page/liv

- www.who.int / 

www.sbp.com.br

- www.aids.gov.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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