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01/07/2014 - 14h28m

Artigo 29 - Câncer de Intestino: alerta para o diagnóstico precoce

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

Artigo escrito pela Dra. Silvia Regina Graziani*

O câncer de intestino o qual se refere aos tumores do cólon e do reto, excluindo os tumores do intestino delgado, são muito frequentes, sendo que no ano de 2014 está previsto o diagnostico de 32600 casos novos com 14016 mortes pela doença, no Brasil (InCa).

Nos Estados Unidos a incidência é muito maior, com a previsão de 96850 casos novos. Este fato ocorre porque nos Estados Unidos o diagnostico e o acesso da população a exames para diagnostico precoce é muito maior.

Desses pacientes que terão diagnostico de câncer de intestino, 20% já apresentarão metástases no diagnostico e os outros 80% que estão em fases mais iniciais, no prazo de 2 anos, 50% deles desenvolverão metástases.

O acometimento pela doença ocorre de forma semelhante em ambos os sexos, principalmente após os 50 anos.

Os tumores do intestino podem ser benignos chamados de Pólipos ou Adenomas e Malignos, cujo mais frequente é o Adenocarcinoma.

Estudos epidemiológicos apontam fatores de risco para o câncer de intestino que são:

-idade superior a 50 anos

-alimentação pobre em frutas, fibras, vegetais, cálcio e folatos

-alimentação rica em gordura animal (carne vermelha, manteiga, leite integral, queijos, natas, banha, creme de leite, linguiça, salames, presunto, frango com pele; por exemplo).

- ingestão de bebidas alcoólicas diariamente.

-histórico de parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmãos e filhos) com diagnostico de câncer de intestino com idade inferior a 60 anos

-mulheres com diagnostico de câncer de mama, endométrio e ovário

-diagnostico de colite ulcerativa ou Doença de Crohn (doenças inflamatórias do intestino)

-doenças hereditárias como a Polipose Familiar do colon e o Câncer coloretal hereditário, que acomete pessoas jovens da mesma família

Os Sinais e Sintomas relacionados á doença são inespecíficos, porem os mais frequentes são:

-presença de sangue nas fezes ao evacuar ou após a evacuação

-diarreias ou constipação intestinal

-dor e desconforto abdominal frequentes

-fraqueza por anemia que não se acha a causa

-perda de peso sem motivo.

A Prevenção do Câncer de Intestino é feita exclusivamente com a mudança de hábitos de vida como alimentação saudável, com fibras, vegetais e frutas, evitando carnes, principalmente a carne vermelha.

A intensão é a redução dos fatores de risco que podem reduzir as chances de desenvolvimento do câncer. Nem todos os tumores tem esta possibilidade de prevenção, mas o câncer de intestino tem, e a mudança dos hábitos alimentares tem um impacto muito positivo na redução da incidência do câncer de intestino, quando se reduz a exposição aos fatores de risco.

A Detecção Precoce deve ser orientada a pessoas que apresentam as características descritas acima, ou seja, que são do grupo de risco ou que apresentam os sintomas, que embora sejam inespecíficos deve-se procurar um medico especialista em gastroenterologia para a solicitação do exame de colonoscopia, que faz a confirmação do diagnostico.

A colonoscopia também detecta lesões benignas e malignas no intestino.

Os Pólipos podem ser tumores malignos em fase inicial e devem ser removidos e enviados para analise anatomo patológica.

Se a pessoa apresentar Pólipos na colonoscopia, esta deverá ser repetida a cada ano, conforme orientação do médico.

Outro exame que pode ser solicitado para pessoas que não são de risco, ou seja, que não tem histórico familiar e não apresentam sintomas, mas tem 50 anos de idade é o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Este exame é feito com a análise das fezes pelo laboratório de Análise Clínica, através de solicitação médica.

Desta forma os tumores de intestino podem ter prevenção isto só dependera de estratégias adotadas por cada um de nos, como:

A mudança no estilo de vida com a adoção de hábitos saudáveis é a melhor estratégia de prevenção.

Algumas dicas:

-comer 5 a 6 porções de frutas ou vegetais ao dia

-preferir sucos naturais no lugar de refrigerantes

-evitar gorduras de origem animal e vegetal

-fazer alguma atividade física como exercícios do tipo caminhadas curtas, pelo menos três vezes por semana

-evitar o cigarro, se possível parar de fumar, pois o fumo aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de intestino em 2,5 vezes quando comparados a população da mesma faixa de idade que não fuma. O fato de parar de fumar diminui de forma significativa este risco e em 10 anos após o termino de fumar, o risco de desenvolvimento do câncer é semelhante ás pessoas que nunca fumaram com a mesma idade.

Após o diagnostico do Câncer de Intestino feito através do exame de colonoscopia e a cirurgia para remoção do tumor, o medico devera avaliar a extensão da doença, que depende do grau de infiltração do tumor na parede do intestino.

A figura 01 ilustra esta condição, onde há o estadiamento:

I- tumor localizado em uma camada do intestino, II a invasão da camada mediana e III a invasão das 3 camadas:

Estadio IV: quando o paciente apresenta doença disseminada ou metastática, principalmente para o fígado e pulmões.

Esse conhecimento se da através da avaliação anatomo patológica e determina o tratamento complementar com quimioterapia ou radioterapia, no caso dos tumores do intestino (radioterapia apenas nos tumores do reto).

Hoje com o avanço na medicina especializada e as novas técnicas de Biologia Molecular, o diagnostico de câncer do intestino é também baseado na avaliação da mutação de uma família de genes, denominados de gene K-RAS e gene N-RAS.

Esses dois genes, e mais outros pouco conhecidos, são os responsáveis por mutações que levam ao desenvolvimento do câncer do intestino.

Esta descoberta foi fundamental para o entendimento do câncer de intestino e também para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento individualizado deste tumor.

Em pacientes que apresentam câncer do intestino metastáticoo qual esses genes não estão mutados, são beneficiados pela associação de um medicamento que age de forma especifica nesses tumores, chamado cetuximabe (informação obtida e sugerida por estudos apresentados na ASCO (American SocietyofClinicalOncology), em Chicago – 2014.

Este medicamento é um novo medicamento que deve ser associado à quimioterapia, aumentando muito as chances de resposta à quimioterapia.

O medicamento Cetuximabe, ao ser utilizado leva a efeitos colaterais que podem ser minimizados, e hoje há um programa de apoio aos pacientes que fazem uso desta medicação.

Um dos efeitosdeste medicamento é de levar a erupção cutânea, com reação semelhante à acne (espinhas) no rosto, tórax, abdômen, dorso e membros.

O programa de apoio aos pacientes que utilizam o Cetuximabe é desenvolvido pela empresa Merck Serono e denominado de GENteorienta e pode ser acionado pelo telefone: 0800113319, cuja ligação é gratuita.

Após a orientação, os pacientes receberão em sua residência uma nécessaire que contem:

-folheto informativo

-emulsão hidratante para corpo e rosto

-creme hidratante para áreas ressecadas

-gel creme com Fator de Proteção Solar = 30anti UVA e anti UVB

As informações deste programa também estão disponíveis na internet no site:

www.genteorienta.com.br

Fontes:

Revista Brasileira Cancerologia 2002; 48(3): 317-32

www.inca.gov.br/rbc/n_48/v03/pdf/normas.pdf

Abstratsda ASCO - 2014

http://am.asco.org/abstracts

www.inca.gov.br

www.genteorienta.com.br

www.merck.com.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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