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29/07/2014 - 12h25m

Artigo 34 - Saiba como prevenir o silencioso e difícil câncer de ovário

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 
Reprodução

São Paulo - Os ovários são as glândulas presentes nas mulheres, responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos e pelo armazenamento e liberação dos óvulos durante a fase reprodutiva da mulher.

O câncer do ovário é um dos tumores ginecológicos mais difíceis de ser diagnosticado, por não apresentar sintomas, geralmente é diagnosticado em fases mais avançadas da doença, a incidência esta relacionada a fatores genéticos e hormonais. Além disso, a idade é um fator importante, a doença acomete mulheres de qualquer idade, porém em sua maioria é mais frenquente após os 40 anos.

Os genes BRCA 01 e 02 estão relacionados aos tumores de mama e ovário, sendo o gene BRCA 01, quando presente e mutado, a mulher apresenta 45% de probabilidade de desenvolver câncer de ovário, e quando a mutação for no gene BRCA 02, as chances são de 25% no desenvolvimento do câncer de ovário.

Diagnóstico

Como a doença não provoca sintomas em seus estágios iniciais, normalmente quando ela é descoberta já se encontra em estágio avançado. Os sintomas são comuns a várias doenças e podem ser confundidos com outros problemas.

Entre eles estão:

• Dor abdominal ou na região pélvica;

• Aumento de volume abdominal;

• Azia;

• Aumento da frequência urinária;

• Dor lombar (dor nas costas);

• Prisão de ventre;

• Náusea;

• Sangramento.

Quando há uma forte suspeita de câncer de ovário, o médico pode pedir exames adicionais como tomografia computadorizada, colonoscopia (para avaliar a parte interna no intestino grosso), CA 125 (que é um marcador tumoral que pode estar aumentado no câncer de ovário) e outros, sempre individualizando caso a caso.

A confirmação do diagnóstico é feita pela biópsia (análise do tecido suspeito) obtida pela cirurgia. Ainda não existe nenhum método totalmente eficaz no diagnóstico precoce do câncer de ovário. O histórico familiar, exame físico, ultra-som e marcador tumoral CA-125 é o que dispomos inicialmente para tentar um diagnóstico precoce.

Tratamento

Confirmado o diagnóstico, o tratamento varia de acordo com o estado que a doença se encontra. O procedimento básico de diagnóstico e tratamento é a cirurgia.

Sua extensão vai depender das dimensões do tumor e da presença de comprometimento de outros órgãos. Ela pode se limitar à remoção dos dois ovários e trompas, útero, gânglios linfáticos, biópsias do peritônio, omentectomia (retirada de tecido gorduroso sobre o intestino grosso) e lavado peritoneal (coleta de líquido para análise de presença de células malignas).

No caso de doença mais avançada, pode ser ainda necessária a retirada de outros órgãos, como segmentos do intestino, além de eventuais implantes. É a chamada citorredução e o intuito é retirar o máximo de doença possível para que no final da cirurgia não haja doença visível.

Também se utiliza quitmioterapia na maioria dos casos, que pode ser uma combinação de várias drogas administradas por via endovenosa.

As chances de sucesso do tratamento dependem dos seguintes fatores:

• Estágio do câncer;

• Tipo de tumor;

• Idade da paciente;

• Estado geral de saúde;

• Tipo de cirurgia realizada;

• Resposta ao tratamento de quimioterapia.

Grupo de risco

• Mulheres que nunca engravidaram;

• Mulheres que não amamentaram;

• Mulheres a partir dos 40 anos;

• Mulheres com antecedente de câncer de mama, ou com parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filhas) que tiveram câncer de mama ou de ovário, pois o risco de desenvolvimento do câncer de ovário é 10% maior nesse grupo de mulheres.

Prevenção

Para a prevenção do câncer de ovário valem as recomendações da boa saúde: alimentação rica em fibras, frutas, legumes e verduras, pobre em carnes vermelhas e gorduras, prática de exercícios físicos e parar de fumar.

Além disso, melhor forma de prevenção é realizar uma visita anual ao ginecologista, sendo assim a chance de detectar algum problema em estágio inicial é maior. Durante o exame físico, de toque e palpação do abdômen, o especialista pode detectar alguma anormalidade, mas para que isso ocorra, o tumor já deve ter crescido bastante. Exames de ultrassom transabdominal e transvaginal podem ajudar a diagnosticar a doença em estágios iniciais.

Ainda não existe nenhum método totalmente eficaz no diagnóstico do câncer de ovário e os pesquisadores do mundo inteiro estão em busca de marcadores sanguíneos que possam indicar a presença do tumor antes mesmo dele causar sintomas.

Fontes pesquisadas:

www.inca.gov.br/conteudo_view.asp

www.accamargo.org.br

www.sbg.org.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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