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03/09/2014 - 14h25m

Artigo 37 - Congresso internacional tem como tema câncer de pulmão

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani*  
Reprodução
  • Depoimento de uma adolescente após a exposição dos monitores
  • Dinâmica com adolescentes sobre os componentes nocivos do cigarro
  • O cigarro contem mais de 300 substâncias e pelo menos 22 são conhecidas como cancerígenas.
  • O gráfico mostra o aumento da incidência de câncer de pulmão a partir de 1955, que está relacionado ao aumento do consumo de cigarros pela população

São Paulo - Entre os dias 21 e 23 de agosto aconteceu na cidade de Lima no Peru, o Congresso Latino Americano de Câncer de Pulmão o LALCA. Em sua 7ª edição especialistas da América Latina e Estados Unidos, se reunirem para discutir e atualizar as novidades no avanço do conhecimento do câncer de pulmão.

O câncer de pulmão é a neoplasia maligna mais comum no mundo, sendo o principal responsável pela alta incidência de câncer e o primeiro em mortalidade em homens e mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento.

No Peru o câncer de pulmão é a quinta neoplasia maligna em incidência, é mais frequente em mulheres do que em homens e é considerado um problema de Saúde Pública no país, bem como no Brasil, por ser a principal causa de morte que poderia ser evitada.

85% dos tumores malígnos nos pulmões são causados pelo tabaco. Este fato se deve principalmente ao fato do hábito de fumar.

Dados da Organização Mundial de Saúde demonstraram que a porcentagem de pessoas que fumam no mundo reduziu, sendo que 17,6% da população fumava em 2006 e em 2011 essa porcentagem reduziu para 16,6% das pessoas.

A palestra “Prevenção do Consumo do Tabaco”, realizada na cidade de Lima, teve como foco crianças e adolescentes. Um grupo capacitado a orientar esses grupos vai às escolas e realizam uma palestra interativa.

Esta estratégia é chamada de “Prevenção para não usar o tabaco”, que é diferente das campanhas que estimulam as pessoas que já fumam a parar com este hábito.

Este programa de prevenção para jovens e familiares chama-se ASPIRE (Smoking Prevention Interative Experience) e foi desenvolvido nos Estados Unidos no Hospital MD Anderson Cancer Center.

O programa é interativo, usa multimídia e é realizado em escolas de ensino fundamental.Nele são discutidos os componentes do cigarro, o quanto são tóxicos e fazem mal a saúde.

A palestra também inclui informações sobre efeitos potenciais a curto e longo prazo para saúde, adição da nicotina no organismo e efeitos no meio ambiente

Este programa esta instituído em todas as escolas dos Estados Unidos e o resultado da avaliação é de que 91% dos estudantes aprenderam tudo sobre o tabaco e 81% afirmaram que não irão fumar quando adultos.

Fatores de Risco

O número de cigarros fumados ao dia está diretamente relacionado ao aumento das chances de desenvolvimento do câncer. Pessoas que fumam a longo tempo hoje são consideradas pessoas de alto risco para desenvolvimento do câncer de pulmão.

Baseado neste fato houve uma palestra apresentada por um grupo de estudo brasileiro e desenvolvida no Hospital Albert Einsten em parceria com a Secretaria de Saúde, o qual pessoas consideradas de alto risco que são:

• Pessoas com idade entre 55 a 74 anos

• Fumante por mais de 30 anos, ou que tenha parado de fumar há menos de 15 anos

• Fumantes de mais de 20 cigarros por dia

Essas pessoas são selecionadas para a realização do exame de tomografia computadorizada de tórax para detecção precoce de lesão pulmonar.

Os resultados preliminares são da detecção em estágios precoces em 91,1%, sendo 74,8% em estágio I.

A iniciativa é muito promissora, porém, é necessário esperar maiores resultados por causa do custo do exame e da exposição à radiação.

Também consideramos o aumento da exposição a agentes químicos relacionados à atividade laboral, como por exemplo, a exposição ao asbestos, em mineradores.

Porém, ainda é a realidade que os tumores de pulmão são geralmente diagnosticados em fase avançada da doença, ou seja, ou com o tumor muito grande no pulmão que inviabiliza a cirurgia, ou com a doença disseminada, com metástases à distância.

Por este motivo as chances de sobrevida são baixas, em geral de aproximadamente 15% em 5 anos.

Eventos como este são um incentivo para se buscar novas tecnologias a fim de mudar esta realidade.

Fontes:

www.abcdasaude.com.br/artigo

www.inca.org.br

www.jornaldepsnumologia.com.br

www.mdanderson.org/streamfullvideoplayer

Ministério da Saúde – Politicas em Saúde Publica

Palestras do LALCA – 2014, Lima Peru, período de 21/08/2014 a 23/08/2014

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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