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16/12/2014 - 13h16m

Artigo 44 - Alerta da associação do excesso de peso com o câncer

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 
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São Paulo - A associação da obesidade e do sobrepeso com o aumento da incidência de câncer tem chamado atenção de vários pesquisadores.

Este ano no evento da American SocietyofClinicalOncology – ASCO, realizado em maio de 2014 na cidade de Chicago, Ilhinois, foi apresentado trabalhos da relação da condição clínica de obesidade e sobrepeso com alguns tipos de tumores malignos, levando a um alerta da comunidade médica para a prevenção de alguns tipos de tumores relacionados a esta condição.

A obesidade é considerada um fator de risco e de pior prognostico quando relacionada ao câncer.

Na obesidade ocorre algumas alterações metabólicas, entre essas há uma elevação dos níveis de insulina.

Quando um paciente em tratamento oncológico apresenta níveis de insulina elevados, sabe-se que a evolução clínica será desfavorável, pois os níveis elevados de insulina levam a resistência a quimioterapia na doença metastática.

Também é conhecido que estatisticamente alguns tumores são mais incidentes em pessoas obesas.

Tumores malignos em mulheres obesas:

- Mama;

- Endométrio;

- Ovário;

- Intestino;

- Vesícula biliar.

Tumores malignos em homens obesos:

- Intestino;

- Pancrêas;

- Vesícula biliar.

Para se compreender a diferença de obesidade e sobrepeso há uma formula para se calcular o Índice de Massa Corpórea = IMC:

Valores:

De 18,5 a 24,9 = peso ideal

De 25 a 30 = sobrepeso

Maior que 30 = obesidade

Pessoas que apresentam sobrepeso (IMC entre 26 e 30) geralmente apresentam quadro metabólico e silencioso de resistência a insulina, com níveis glicêmicos sanguíneos entre 100 e 120 ng/dl, considerado como “pré-diabéticos”.

Nesses casos a recomendação é o uso de hipoglicemiantes orais e dieta com restrição de carboidratos associado a atividade física regular, orientado por um médico especializado em endocrinologia.

No ASCO em 2014 foram apresentados estudos muito interessantes, que embora sejam preliminares são muito promissores.

Um desses estudos foi realizado em mulheres que estão em sobrepeso e com quadro metabólico de resistência a insulina, o qual fazem uso do medicamento Metiformina (hipoglicemiante oral).

Essas mulheres apresentaram uma redução do risco de câncer de mama quando comparado a mulheres nas mesmas condições que não usam o medicamento Metiformina.

Um estudo inglês que foi publicado em uma renomada revista médica, a JournaloftheNationalCancerInstitute, no ano de 2013, onde a autora Dra. Leslie Bernsten publicou um artigo relacionando a redução da incidência do câncer de mama em mulheres que praticavam atividade física pelo menos 4 horas por semana e IMC até 25.

Seu estudo foi baseado na observação e acompanhamento de mulheres no decorrer de 20 anos e a autora constatou uma redução significativa do risco de câncer de mama neste perfil de mulheres, corroborando com a orientação de controle do peso e atividade física regular são os principais fatores de prevenção de câncer de mama.

Também foi observado nessas mulheres a redução de risco de outros tipos de tumores como:

- Endométrio;

- Ovário;

- Pâncreas.

A explicação seria baseada no fato de que atividade física regular auxilia no controle da obesidade e na inflamação, regulando os níveis hormonais, que levariam a redução da resistência a insulina, auxiliando o funcionamento do sistema imunológico.

Os fatores: inflamação, sistema imunológico e obesidade estão envolvidos no desenvolvimento do câncer.

Outros estudos observacionais publicados como o estudo da Dra. Anne Mac Teanam, do Programa de Prevenção de Câncer de Seatle, o qual estudou 439 mulheres com sobrepeso e idade entre 50 e 75 anos, o qual se sabe que a incidência de câncer está muito aumentada nesta população.

Essas mulheres foram divididas em 4 grupos:

Grupo 1: orientadas a fazer apenas atividade física

Grupo 2: orientadas a realização de dieta com restrição calórica

Grupo 3: orientadas a realização de atividade física e dieta com restrição calórica

Grupo 04: foram apenas observadas.

A conclusão do estudo foi que o grupo 03, que recebeu orientação de realização de atividade física e dieta com restrição de calorias tiveram um risco reduzido de câncer de mama importante.

Quando comparadas com os outros grupos e a explicação é que a associação dessas atividades leva a redução dos níveis de hormônios femininos que levam ao desenvolvimento do câncer.

Outro estudo publicado na revista The Lancet Oncology em 2014 constatou que 4% de todos os casos de câncer no mundo estão relacionados com o sobrepeso e obesidade no ano de 2012.

Essas proporções foram maiores em mulheres e em países desenvolvidos, sendo atribuído para 5,4% em mulheres e 1,9% em homens com IMC > 25.

Nos Estados Unidos se atribui que 111.000 casos ou 23% do total de pacientes diagnosticados com câncer no ano de 2012 estão atribuídos ao IMC elevado e na África esse número correspondeu a 7300 casos, correspondendo a 1,5% dos tumores no ano de 2012.

Os autores concluíram que o resultado desse estudo enfatiza a necessidade de um esforço global para redução do número crescente de pessoas com IMC elevado.

Pode-se considerar que o IMC elevado está associado ao risco de desenvolvimento de câncer.

Dicas para controle do peso:

Atividade Física

150 minutos da atividade física preferida, por semana;

30 minutos, 5 vezes por semana.

A recomendação da Sociedade Americana de Controle do Câncer é de:

225 minutos exercícios físicos, por semana;

Ou 45 minutos por dia, 5 vezes por semana.

Dieta

Utilize sempre a referência da pirâmide alimentar.

CONFIRA AS TABELAS DE EQUIVALÊNCIA EM NOSSA GALERIA DE FOTOS

Fontes pesquisadas:

Arnold M, Pandeya N, Byrnes G, Renehan AG, Stevens GA, Ezzati M, Ferlay J, et al. Global burdenofcancerattributableto high body-mass index in 2012: a population-basedstudy. Lancet Oncol. 2014. [Epubaheadofprint]

JournalofNationalCancerInstitute, vol 105; 750-754, 2013.

Guia de Alimentação Saudável – Profa. Claudia Piper e Wilma Rodrigues do Amorim, 2014

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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