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08/07/2015 - 10h23m

Artigo 58 - Campanha para a incorporação de remédio contra câncer

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

São Paulo - A Campanha “Por mais tempo” é uma inciativa que partiu da parceria de médicos mastologistas, oncologistas, e ONGs relacionadas ao apoio de pacientes oncológicos – Instituto Oncoguia e da Indústria Farmacêutica (Roche Produtos Farmacêuticos) com o apoio das Sociedades de Mastologia e Oncologia Clínica (SBOC).

A campanha visa a conscientização da população e apelo através de consulta pública a fim de incorporar medicamentos que estão disponíveis no Brasil para poder tratar pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e desta forma aumentar as chances dessas mulheres de viver mais, mesmo com o câncer de mama avançado.

“Baseado no princípio de que é necessário conscientizar e mobilizar a sociedade brasileira a respeito da realidade vivida pelas pacientes com câncer de mama metastático.”

Dados do Ministério da Saúde apontam que 80% da população brasileira não tem acesso a serviço de saúde privado, dependendo única e exclusivamente do SUS.

O SUS é um exemplo de gestão em saúde, porém, há uma defasagem grande e um atraso na incorporação de novos medicamentos.

O câncer de mama é o tumor maligno mais incidente em mulheres no mundo e no Brasil é o primeiro em incidência e mortalidade por câncer em mulheres, acometendo uma média de 57.120 pacientes em 2014, casando 13.300 mortes pela doença.

Um estudo publicado na renomada revista The New EnglandJournalof Medicine, janeiro 2012 (vol. 366, páginas 109 a 119), comprovou que o medicamento Pertuzumabe quando indicado em tumores que expressam a proteína HER 2, leva a um aumento significativo nas chances de viver um tempo maior, mesmo com a doença avançada na fase de metástases.

Através do exame de imunohistoquimica que é solicitado em sequência ao exame de analise anatomo patológico se tem o conhecimento dos receptores celulares para a proteína HER – 2.

Este receptor é muito importante para a sinalização da divisão celular na célula tumoral e após seu conhecimento foram realizados inúmeros estudos a procura de medicamentos que possam fazer o bloqueio das vias sinalizadoras que estimulam a divisão celular e levam a progressão do câncer.

Inicialmente foi desenvolvido o medicamento Trastuzumabe do Laboratório Roche, que é um tipo de medicamento novo do grupo de anticorpo monoclonal e ao ser incorporado ao esquema de quimioterapia para o tratamento dos tumores HER- 2 positivos (fortemente positivos no exame de Imunohistoquimica), aumentaram de forma significativa as chances de vida deste subtipo de câncer.

Os estudos prosseguiram e hoje sabemos que a associação de mais um medicamento do tipo anticorpo monoclonal chamado Pertuzumabe,também desenvolvido pelo Laboratório Roche para evitar a ligação do receptor HER – 2 com os outros receptores da família Her e desta forma impedir que a célula tumoral se divida, evitando desta forma o aumento do tumor e diminuindo as chances de metástases e morte pela doença.

O Pertuzumabe funciona bloqueando a sinalização celular e bloqueia o crescimento das células tumorais.

Este medicamento também tem outra função que é de ativar o sistema imunológico das pacientes para destruir as células tumorais.

O Pertuzumabe foi aprovado pela Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 29/10/2014, com o nome comercial de Perjeta® e a bula está disponível no site do Roche.

A Anvisa é o Órgão Regulatório no Brasil que aprova medicamentos e o Perjeta® foi aprovado para uso em pacientes portadoras de carcinoma de mama avançado, e esta aprovação foi baseada no estudo CLEOPATRA realizado em vários países, inclusive em Centros Oncológicos de excelência no Brasil.

Este estudo avaliou 808 pacientes cujo tumor de mama - Receptor HER-2 positivo e com doença metastática o qual não tinham recebido tratamento para a doença metastática.

Essas pacientes foram tratadas com os esquemas de associação de quimioterapia: Trastuzumabe, Pertuzumabe e o quimioterápico Docetaxel em um grupo e outro grupo recebeu a mesma associação, porém no lugar do Pertuzumabe receberam Placebo (medicamento sem princípio ativo).

Os resultados mostraram que o tempo de progressão de doença foi de 8 meses a mais para as pacientes que receberam o medicamento Pertuzumabe na associação da quimioterapia, aumentando desta forma o tempo de vida dessas pacientes de forma significativa.

Mesmo com esses dados convincentes o Pertuzumabe não está disponível para tratar pacientes nesta condição pelo SUS. Para isto está disponível um site para que as pessoas que residem no Brasil façam uma consulta pública e possam realizar uma assinatura eletrônica:

É muito simples, basta acessar o site da campanha e colocar seu nome e CPF para poder ajudar milhares de mulheres brasileiras a ter uma chance maior ao ser tratada pelo SUS.

ACESSE http://www.pormaistempo.com.br/

Junte-se a mais de 35.000 brasileiros que assinaram eletronicamente esta petição.

Você estará ajudando milhares de mulheres a ter mais tempo, mesmo com câncer de mama metastático.

Fontes:

www.sbmastologia.com.br/.../81-pertuzumabe-nova-droga-para-cancer de mama

www.onconews.com.br/.../743-cleopatra-confirma-superioridade-do-pertuzumabe

www.dialogoroche.com.br/content/.../Perjeta/Bula-Perjeta-Paciente.pdf

www.roche.com.br

www.inca.org.br

Serviço Gratuito de Informações Roche - 0800 7720 289

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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