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12/08/2015 - 11h41m

Artigo 60 - Saiba mais sobre a associação da vitamina D com câncer

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

São Paulo - Durante o Congresso Americano mais importante na área da Oncologia - ASCO – American SocietyofClinicalOncology, que ocorreu em junho na cidade de Chicago, ocorreu uma sessão especial para discutir a vitamina D e a associação com o câncer de intestino.

A crença da relação de que vitaminas levam a cura de doenças tem base nas ideias do cientista americano, ganhador de dois prêmios Nobel, o de química em 1954 por sua contribuição com o entendimento de ligações químicas e em 1962, o prêmio Nobel da Paz, por sua atuação a nível mundial contra os testes nucleares.

Linus Pauling postulou muitas teorias da associação de vitamina C e câncer, principalmente com o câncer de próstata. Ele mesmo fazia uso de 3,0 gramas de vitamina C ao dia para prevenir câncer de próstata, mas faleceu aos 93 anos, com câncer de próstata.

Até hoje nenhum estudo confirmou que a associação da suplementação de vitamina C e a prevenção de câncer na próstata.

Algumas doenças estão relacionadas com a deficiência de vitamina e a sua suplementação fazem com que o sintoma desapareça rapidamente, como é o caso das anemias por deficiência de vitamina B12.

O uso de suplemento de vitamina B12 leva a imediata melhora dos sintomas relacionados a deficiência desta vitamina.

As vitaminas não podem ser sintetizadas pelo nosso organismo, exceto a vitamina D, tendo que ser ingerida através da dieta ou de suplementos.

A vitamina D foi descoberta em 1922 e denominada de D, porque foi descoberta após a Vitamina A, B e C.

No ano de 1970, se descobriu que a vitamina D não é uma Vitamina, mas um hormônio, que é sintetizado pelo nosso organismo através da ingestão de um precursor pela dieta. Este precursor se transforma em vitamina D através da exposição ao sol (raios ultravioleta) que são capazes de sintetizar 80-90% da vitamina D necessária para o nosso organismo.

A vitamina D tem sido cada vez mais estudada em relação a prevenção e evolução em pacientes portadores de tumores no intestino.

Essa informação foi baseada em estudos americanos, onde se observaram 460 indivíduos que utilizavam suplementação de vitamina D e que apresentaram redução no risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes e câncer de intestino.

Baseado nesses estudos os níveis de vitamina D passaram a ser considerados um marcador de saúde, ou seja, quanto mais baixo, maior o risco de ficar doente.

Durante o Congresso da ASCO em Chicago, foi apresentado um trabalho americano o qual correlacionava os níveis de vitamina D em pacientes portadores de carcinoma de intestino e a conclusão deles foi que quanto menor o nível de vitamina D, pior a evolução do câncer de intestino, independente do tratamento de quimioterapia.

A vitamina D é um hormônio essencial para o funcionamento do corpo humano e controla alguns de nossos genes, incluindo os genes que controlam as células do sistema cardiovascular.

A vitamina D também é necessária e fundamental no sistema ósseo e imunológico. Nos ossos, ela é necessária para a absorção do cálcio da dieta.

Pessoas que tem deficiência de vitamina D aproveitam em média 30% a menos do cálcio da dieta, pois esse não pode ser absorvido e aproveitado pelo organismo.

O cálcio e fundamental para a manutenção de nossos ossos e dentes e sua deficiência leva a situações como o raquitismo na infância, e a osteoporose na idade adulta.

Para se evitar a osteoporose deve-se ingerir cálcio e vitamina D, associado à exposição ao sol pelo menos 1 hora, três vezes por semana, o sol da manhã (até 9 horas) ou por 15 minutos no sol do meio dia e principalmente a prática de atividade física como caminhadas ao ar livre por 1 hora, pelo menos três vezes por semana.

Fontes alimentares de vitamina D

- Cogumelos

- Peixes gordos, como:

- Salmão (6,8% das necessidades diárias/porção de 100 gramas)

- Atum (2,2% das necessidades diárias/porção de 100 gramas)

-Sardinha (1,9% das necessidades diárias/porção de 100 gramas)

Alimentos de origem animal são fontes de vitamina D

- Ovo (0,4% das necessidades diárias/1 ovo)

- Queijo cheddar (0,12% das necessidades diárias/50 gramas)

- Carne bovina (0,15% das necessidades diárias/100 gramas)

Fonte: Tabela do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Fontes pesquisadas:

www.asco.org

www.minhavida.com.br/alimentação

www.cccancer.net/vitaminas - Dra. Mariangela Correa

www.minhavida.com.br

Lancet Diabetes Endocrinol. 2014 Jan;2(1):76-89

Eur J Cancer. 2014 Feb 27. pii: S0959-8049(14)00124-5

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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