São Paulo, SP, 15/11/2019
 
18/11/2015 - 12h31m

Artigo 66 - Novidades no tratamento do câncer de intestino

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

São Paulo - O câncer de intestino, que inclui o intestino grosso (cólon) e o reto é o segundo tumor mais frequente, com 32.600 casos diagnosticados em 2014, 15.070 em homens e 17.530 nas mulheres (INCA- 2014).

A incidência aumenta com o fator idade, conforme envelhecemos aumenta as chances de desenvolvimento de câncer de intestino.

São tumores tratáveis e curáveis, desde que o diagnostico seja precoce. Uma grande parte desses tumores são diagnosticados a partir de Pólipos no intestino, que a princípio são lesões benignas que podem se transformar em câncer.

A melhor maneira de prevenir este tipo de câncer, é através do exame de colonoscopia, que ao detectar esses Pólipos, removem pelo aparelho de colonoscopia, evitando que essas lesões evoluam para o câncer.

Os sintomas do câncer de colón e reto são muito inespecíficos, porém é necessário prestar maior atenção quando ocorrem alguns sinais, são eles:

- Sangramento pelo ânus;

- Mudança do hábito intestinal, alternando obstipação com diarréia sem estar relacionada com os alimentos ingeridos;

- Anemia, com sintomas de fraqueza;

- Cólica abdominal;

- Emagrecimento;

- Sensação de que não conseguiu evacuar por completo.

Lembrar que os Pólipos não dão sintomas na maior parte das vezes, sendo que pode ocorrer dor abdominal e sangramento pelas fezes em alguns casos.

O diagnóstico do câncer de cólon e reto é feito exclusivamente pelo exame de colonoscopia.

A incidência aumenta com a idade e aos 40 anos começamos a ficar mais vulneráveis ao desenvolvimento de câncer colorretal, porém, se tiver um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmãos ou filhos) que tiveram câncer do intestino, o risco aumenta de forma considerável, devendo iniciar o controle preventivo com colonoscopia a partir de 40 anos.

As pessoas que não tem familiares acometidos por este tipo de câncer, devem iniciar a pesquisa preventiva com colonoscopia, a partir de 50 anos.

Graças às essas orientações o diagnóstico precoce tem sido cada vez mais frequente, porém, ainda muitos pacientes têm o diagnostico em fases mais avançadas da doença.

A análise do tipo de tumor de intestino hoje inclui a pesquisa da mutação de um gene que pode estar envolvido no processo de desenvolvimento tumoral.

Este gene se chama KRAS, na realidade é uma família de genes, denominada família RAS.

A mutação neste gene leva a um prognostico mais reservado e ocorre em aproximadamente 30 a 40% dos pacientes, enquanto 60 a 70% não apresenta esta mutação, predizendo uma evolução mais favorável e a oportunidade de usar medicação associada a quimioterapia que proporciona uma chance maior de viver mais.

Um paciente com câncer de cólon/reto avançado que é tratado com quimioterapia vive em média 10 a 12 meses, mas a novidade é que com a associação de novos medicamentos que são usados em pacientes que não apresentam mutação no gene da família RAS, vivem mais de 24 meses.

Esses medicamentos são novos e são considerados medicamentos alvo que bloqueiam uma das vias de divisão celular da célula tumoral.

A associação dos medicamentos Cetuximabe e Panituzumabe aos esquemas de quimioterapia em pacientes com câncer de colon/reto avançado mostraram resultados muito positivos com aumento da sobrevida nesses pacientes.

Muitos estudos de colaboração entre centros de estudos de Universidades de todo o mundo, incluindo alguns centros no Brasil, incluíram pacientes portadores de câncer de cólon/reto avançado e compararam os esquemas de quimioterapia convencional, com os esquemas de quimioterapia associado a Cetuximabe, obtendo melhores resultados para os pacientes que fizeram uso de quimioterapia associado a Cetuximabe.

O estudo chamado de CRYSTAL foi o estudo inicial e foi confirmado pelos estudos OPUS, FIRE 3 e GALGB/SWOG 80405, que avaliaram 2014 pacientes e vários centros de estudo no mundo, confirmando a afirmação do primeiro estudo, onde foi constatado benefício real com a associação de quimioterapia a Cetuximabe em pacientes que tem avaliação dos genes da família RAS e não apresentam mutação.

Dicas de Prevenção

- Realização de exame de colonoscopia a partir de 50 anos, exceto se tiver um parente de primeiro grau acometido por câncer de cólon/reto a idade para prevenção seria a partir de 40 anos;

- Investir em alimentação saudável, pois estudos também comprovam que alimentos ricos em gordura animal e corantes, pobre em fibra aumentam muito a incidência deste tipo de tumor;

- Corantes são fatores de risco e podem ser evitados sem prejuízo para o gosto dos alimentos. Os corantes eliminam nitrosaminas que são substancias conhecidas por serem carcinogênica no intestino;

- Evitar o consumo de carne gorda (vermelha) feita na brasa;

- Evitar consumo de defumados e frituras;

- Consumir fibras de cereais (20 a 30 gramas/dia) e frutas associada a ingestão de liquido para facilitar a formação do bolo fecal pois acelera o transito intestinal diminuindo o contato com substâncias carcinogênicas na parede do intestino.

- O ideal é evacuação diária.

Fontes pesquisadas:

bvsms.saude.gov.br

www.inca.org.br

www.accamargo.com.br

ASCO, may 30, june 3, 2014, Chicago

ESMO jan 26-30, 2014, Madri, Espanha

JCO 2014, 32: 2240-7

ClinicalColoretalCancer, vol 14 (junho 2015), 81-90.

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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