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02/12/2015 - 13h44m

Artigo 67 - Spirulina para pacientes que estão em quimioterapia

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

São Paulo - Os tumores malignos são a segunda causa de morte por doença na maioria dos países e alguns tumores têm aumentado muito a frequênciae este aumento da incidência atinge a homens e mulheres independentes de faixa etária e condição social.

Entre os tumores mais prevalentes temos os tumores de pulmão, mama e intestinoe esses tipos de tumores são tratados com quimioterapia em uma das fases do tratamento.

Os quimioterápicos incluem drogas de vários grupos, tendo a maior parte delas como efeitos adversos náuseas, vômitos, dores musculares, fadiga, perda de apetite que são as queixas mais frequentes.

Os efeitos adversos da quimioterapia muitas vezes são devastadores e motivo pelo qual alguns pacientes apresentem pouca adesão ao tratamento e uma porcentagem significativa desses desiste da quimioterapia.

Estima-se que aproximadamente 10% a 15% dos pacientes desistem do tratamento quimioterápico devido aos efeitos adversos. Outros estudos mostram uma piora na qualidade de vida em pacientes que realizam quimioterapia e experimentam efeitos adversos relacionadas a mesma.

Poucos fármacos são desenvolvidos nesse sentido e embora temos alguns medicamentos utilizados durante a quimioterapia para redução do efeito colateral de náuseas como por exemplo os medicamentos: ondasetron, ganisetron, tropisetron e dolasetron.

Esses medicamentos trouxeram um importante progresso no controle da náusea e vomito induzido por quimioterapia.

Mas mesmo assim poucos avanços foram obtidos para outros sintomas relacionados a quimioterapia, principalmente para o controle da fadiga muscular, dor muscular, cefaléia e outros sintomas relacionados a infusão de quimioterápicos.

Há poucas informações relacionando a frequência desses eventos e para o tratamento das mesmas.

Alguns fitoterápicos têm apresentado ação no controle desses sintomas entre esses a Spirulina, uma microalga classificada como uma CianobacteriaArthorospira Máxima e Platensis, espécie da ordem Oscila Toriales, cuja descrição botânica e de uma alga Gianofrica, que tende a formar plâncton em águas doces. E um procarionte, unicelular e primitivo, formando-se em uma microcamada delgada na superfície da água.

O habitat preferencial se da em locais com luz do sol abundante em águas claras e doces (especialmente em lagos), habitualmente encontrada no México, Japão, Tailândia e alguns lagos da África, cujo PH e alcalino(aproximadamente 11).

O gênero Spirulina compreende em 35 espécies e são cultivadas nos Estados Unidos e na América do Sul, em especial na Argentina e no Chile.

Essa alga era utilizada pela cultura Asteca como uma fonte de proteína alimentar, pois em sua composição química encontramos 60% a 70% da composição proteína seca, composta por 22 amino-acidos, sendo nove essenciais como o triptofano na maior parte da composição. Também ecomposta por vitaminas, como vitamina B12, B1, B6, D, K, E, niacina, biotina, inusitol, ácidopantonico, provitamina A e traços de ácido ascórbico e ácido nicotínico; minerais, como cálcio, fósforo, ferro, sódio, magnésio, potássio, selênio, cromo e zinco; ácidos graxos insaturados como ácidolinoléico e gama linoléico e carotenóides.

A ação farmacológica da Spirulinae de suplemento dietético com valor nutricional e medicinal devido as suas características nutricionais antioxidantes, com referência de redução dos níveis de lipídeos sanguíneos (colesterol total) e melhora na ação imunológica, através da ação dos polissacarídeos, que são hidrossolúveis e tem ação antioxidante comprovados também na redução dos níveis de colesterol e triglicérides, por conterem em sua composição ácidos graxos tipo ácido gama linoleico, ácidos fenólicos, Beta carotenos e Alpha tocoferol.

Seu uso a longo prazo poderá levar a efeitos tóxicos como a hiperuricemia, devido ao alto teor de proteína em sua composição, que também podem provocar quadro de náuseas e diarréia durante seu uso.

Deve ser evitada em pacientes com hipertensão arterial, devido a altas concentrações de cloreto de sódio e em diabéticos, pois pode levar ao aumento dos níveis glicêmicos.

Não é recomendado o uso durante a gestação e a lactação, por falta de trabalhos que comprovem segurança do uso durante este período.

O uso medicinal está relacionado a suplementação alimentar, principalmente em pessoas com hábitos alimentares vegetarianos e nos quadros de obstipação intestinal crônica.

Tem também benefíciona osteoporose e em anemias carências devido as concentrações de minerais como o cálcio.

Em um trabalho realizado no Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, no setor de Oncologia Clínica e apresentado no 19ª Congresso da Sociedade de Oncologia Clinica (SBOC) em outubro de 2015, na cidade de Foz do Iguaçu, o qual foi usado o fitoterápico Spirulina na dose de 380 mg antes do almoço e jantar em 116 pacientes em tratamento quimioterápico.

A conclusão deste trabalho foi de que a associação de Spirulina a quimioterapia anti-neoplasica levou a redução dos efeitos relacionados a quimioterapia (dor muscular e fadiga) de forma significativa com impacto direto na melhora na qualidade de vida dos pacientes envolvidos no estudo.

O fato de que não obtivemos aumento de toxicidade relacionada a quimioterapia como interação medicamentosa com os diversos fármacos associados também nos abre novas perspectivas com segurança para a utilização de Spirulina no controle dos efeitos adversos relacionados a quimioterapia.

Embora o efeito na náusea e vomito tenha sido limitado e sem acréscimo de melhora, esses sintomas são controlados por outros medicamentos disponíveis muito potentes e disponíveis como o Ondasetron, que controlam as náuseas e vômitos pós quimioterapia em até 80% dos pacientes em amostras analisadas em trabalhos específicos.

A dor muscular e a fadiga por mecanismo de ação metabólica dos quimioterápicos, não são bem compreendidas e não tem tratamento especifico. O uso de analgésicos e antiinflamatórios tem ação limitada devido a seus efeitos adversos e sua ação a nível renal principalmente.

A associação de Spirulina levou ao controle destes sintomas em até 80% das pacientes do estudo, demonstrando ser uma associação promissora e segura.

Também podemos considerar que as propriedades nutricionais da Spirulina são muito adequadasnesses pacientes devido ao fato da náusea levar a redução da ingestão alimentar nesta fase do tratamento e associar a Spirulina proporcionaria uma garantia de ingestão de micronutrientes.

Este estudo abre uma nova perspectiva no tratamento dos sintomas relacionados a quimioterapia para o tratamento do câncer.

Referência

Título: AVALIAÇÃO DO USO DE SPIRULINA NO TRATAMENTO DE SUPORTE ASSOCIADO A QUIMIOTERAPIA PALIATIVA EM PACIENTES COM DOENÇA ONCOLÓGICA AVANÇADA.

Tema: Cuidados Paliativos

Autores

GrazianiSR ,FonsecaRO, Dias CA, Almeida LR, MarubayashiPM, Azuaga Neto RF Rodrigues ABC Yamada KE, Peres Neto A, Vital CG

Apresentado no 19ª Congresso Brasileiro de Oncologia Clinica 2015

Foz do Iguaçu, dia: 30/10/2015, as 14:00 hs, sala 07, sessão de temas livres na área de Cuidados Paliativos.

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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