São Paulo, SP, 22/10/2019
 
16/12/2015 - 12h19m

Artigo 68 - Relação da obesidade com o câncer de mama

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani*  

Obesidade e Câncer de Mama – a relação com aumento da incidência em mulheres obesas e na evolução da doença

São Paulo - Hipócrates, nos tempos da antiguidade teria observado que o excesso de peso era prejudicial à saúde. O termo obesidade foi mencionado a primeira vez na idade média e a relação da evolução mais desfavorável de mulheres com câncer do útero e obesidade foi descrita pela primeira vez em 1890 por Dr. Robert Thomas.

Desde então até os dias e hoje observamos inúmeros trabalhos científicos relacionando obesidade a várias doenças.

A interpretação da obesidade é feita pelo cálculo do Índice de Massa Corpórea = IMC:

 

Interpretação dos valores

De 18,5 a 24,9 = peso ideal

25-30 = sobrepeso

Maior que 30 = obesidade e maior que 40 = obesidade mórbida

Também se avalia a relação entre a cintura e o quadril em centímetros.

Para homens o valor deve ser inferior a 0,90 e mulheres inferior a 0,85.

A obesidade tem se tornado um problema de saúde pública desde os anos de 1960 nos Estados Unidos e mais recentemente no Brasil, nas idades entre 20 e 74 anos.

No ano de 2012 a Organização Mundial de Saúde fez um alerta importante para a incidência de obesidade no mundo, onde mais de 1,5 bilhões de pessoas adultas são obesas, com IMC > 25 kg/m2 e entre esses 500 milhões, sendo 300 milhões mulheres, apresentavam IMV > 30 kg/m2.

Uma das doenças relacionadas à obesidade além de diabetes e hipertensão, o câncer e há uma relação progressiva entre câncer e obesidade.

Em mulheres obesas há uma incidência maior de câncer de mama e endométrio e em homens obesos uma incidência maior de câncer e próstata e intestino.

Em um estudo publicado na renomada revista médica Lancet (2008), os autores constataram que para cada aumento de 5 kg/m2 de IMC em mulheres na menopausa, ocorria aumento na incidência de ter câncer de mama em 12%,

Já as mulheres que estão na pré menopausa tem uma incidência menor de câncer de mama quando são obesas, refere um estudo de epidemiologia publicado recentemente na revista Americana de Epidemiologia.

A explicação para este fator é que mulheres obesas que ainda menstruam têm ciclos sem ovulação e ficam menos expostas ao hormônio feminino estrógeno, que é um fator importante na carcinogense do câncer de mama.

A obesidade em mulheres na pós menopausa não é apenas o fator de risco para o desenvolvimento do câncer, mas também na evolução, sendo muito mais desfavorável em mulheres obesas.

Também há uma explicação para este fato, pois a gordura acumulada nos tecidos se transforma em estrógeno, que é o hormônio feminino que causa a maioria dos tumores de mama.

Outro fator importante observado em estudos foi que a mulher obesa tem diagnóstico mais tardio em relação as mulheres não obesas e este fato por si prediz o pior prognostico da doença, pois quanto mais precoce o diagnóstico em câncer de mama, melhor as chances de sobrevivência.

Pode-se mudar a evolução do câncer de mama em mulheres obesas seguindo as seguintes recomendações:

- Promover a restrição calórica e a redução de peso, pois isto leva a redução do risco de câncer de mama, endométrio e intestino. Estudo publicado na revista Lancet (2009) mostraram que mulheres submetidas a cirurgia bariátrica para redução de peso tiveram a incidência diminuída de câncer de mama;

-Incentivar a atividade física, pois a restrição calórica associada à atividade física reduzem os níveis de estradiol, que é o precursor do estrógeno, em mulheres na pós menopausa

- O uso do medicamento Metiformina tem mostrado ser muito promissor em estudos, pois ajusta o metabolismo e parece ter um fator protetor na incidência do câncer de mama em mulheres obesas que fazem uso do remédio.

Fontes pesquisadas

Revista do Gebecan, na III, número 7, 2013

Lancet 2008; 371(9312): 569-78.

Lancet Oncology 2009; 10(7): 653-62.

Am J Epidemiology 2000; 152 (6): 514-17.

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

IMC = peso / (altura x altura)

Hoje São Paulo

© 2012 - Hoje São Paulo - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por ConsulteWare e Rogério Carneiro