São Paulo, SP, 22/09/2019
 
23/12/2015 - 15h43m

Artigo 69 - Autoestima é fundamental para o tratamento oncológico

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani*  
  • Marisanta Paes realiza campanha para arrecadar lenços para pacientes em quimioterapia
  • Marisanta Paes e a psicóloga Daniele Giamasse
  • Marisanta eve diagnóstico de câncer de mama aos 46 anos, tratou e após 3 anos a doença voltou na outra mama e nos ossos
  • Lenços arrecadados na campanha disponíveis no Setor de Quimioterapia do Centro Médico São Gabriel para pacientes que estão em tratamento quimioterápico

São Paulo - O diagnóstico de câncer é sempre devastador, remete a sensação de depressão por todos os medos relacionados à doença, tratamento, relações sociais e principalmente pelo constrangimento por alterações na autoimagem.

É uma doença que está diretamente relacionada com a aparência, principalmente durante o tratamento quimioterápico onde ocorre queda de cabelo, ressecamento da pele, alterações nas unhas, manchas na pele e alterações no peso, seja para ganho ou perda.

Essas alterações relacionadas com a imagem corporal tem um impacto muito grande no sofrimento relacionado a doença para a maior parte dos pacientes e médicos e psicólogos apontam que este fato tem que ser trabalhado com os pacientes durante todo o tratamento.

Iniciando pelo fato de que pacientes e familiares devem ser devidamente informados das alterações que irão ocorrer durante o tratamento, pois estudos demonstram que pacientes satisfeitos com a aparência durante o tratamento apresentam maior tolerância a efeitos adversos e maior aderência ao tratamento.

A queda de cabelo é provavelmente o que dá maior impacto, pois está diretamente relacionada com a imagem de que a pessoa está passando por quimioterapia.

A queda ocorre porque a quimioterapia age em células que estão em divisão celular como as células tumorais e também as células que dão origem ao fio de cabelo, que são as células do bulbo capilar.

A queda dos pelos geralmente ocorrem no couro cabeludo, mas pode atingir as sobrancelhas, cílios e em outras áreas e ocorrem após 10 a 15 dias da infusão do primeiro ciclo de quimioterapia.

Existem estudos para minimizar este efeito adverso como o uso de toucas geladas durante a quimioterapia, porém não possui evidencia cientifica de segurança para este método ainda, estamos aguardando os resultados desta pesquisa.

A quimioterapia também pode atacar as células da pele e desta forma pode ocorrer a formação de manchas na pele, principalmente em áreas exposta ao sol, pois alguns quimioterápicos potencializam o efeito do sol na pele.

O uso do filtro solar durante o tratamento quimioterápico é extremamente importante.

As unhas também são atingidas pela quimioterapia, ficando quebradiças e fracas. Uma sugestão é o uso de óleos fortificantes para unhas e evitar a remoção de cutículas.

Essas e outras dicas para resgatar a autoestima e auxiliar na aceitação das alterações que ocorrem na imagem corporal fazem parte das estratégias da equipe multidisciplinar que atua no tratamento de pacientes oncológicos.

Instituições que atuam na área oncológica, cada vez mais desenvolvem ações de apoio aos pacientes, como é o caso de hospitais referência no tratamento do câncer como o Instituto do Câncer de São Paulo – ICESP, que disponibiliza o trabalho de voluntárias no “Cantinho da beleza”, local em que pacientes são acolhidas e oferecem corte de cabelos, curso de auto maquiagem e lições de como usar os lenços após a queda de cabelos.

No Instituto Nacional do Câncer – INCA, no Rio de Janeiro, hospital referência nacional para o tratamento do câncer, as voluntárias mantem uma área denominada de INCA voluntário, onde se trabalha o resgate das pacientes com câncer, da mesma forma que no ICESP, se oferece corte de cabelos, barba e promovem oficinas de beleza.

No Hospital do Câncer de Barretos a ação vai mais longe, com trabalho direcionado a pacientes em Cuidados Paliativos, pois estudos demonstram que a valorização da aparência tem impacto muito positivo no tratamento da dor.

As ações vão além de orientação de autocuidado, pois promovem eventos com as pacientes em fase avançada da doença e auxiliam as pacientes a desenvolver recursos internos para o enfrentamento desta fase da doença.

Muito mais que aceitação da autoimagem e da doença é a atitude de entender que outras mulheres estão passando pela mesma situação e que se pode fazer algo para ajudá-las.

É o caso da paciente Marisanta de Jesus Paes, 49 anos e um belo exemplo de vida, pois parte de alguém que está passando por esta experiência. Ela teve diagnóstico de câncer de mama aos 46 anos, tratou e após 3 anos a doença voltou na outra mama e nos ossos.

Ela teve que retornar ao tratamento quimioterápico e ao invés de lamentar a perda de seus cabelos de novo iniciou junto as suas amigas uma campanha no Facebook para doação do lenço mais bonito, o qual ela ganharia para usar quando seu cabelo caísse.

Como a campanha teve grande sucesso entre as amigas, teve a ideia de fazer um trabalho voluntário de doação de lenços para pacientes que estariam passando pela mesma experiência. Postou na rede social Facebook sua foto com o lenço doado e explicando a finalidade da campanha.

Em poucos dias sua campanha se tornou um “viral” e a informação se multiplicava a cada dia. Hoje ela arrecadou mais de 600 lenços, os quais 200 foram doados para o Centro Médico São Gabriel, na Penha, onde ela faz tratamento e os outros 400 lenços serão doados em janeiro para o Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, instituição em São Paulo que cuida exclusivamente de pacientes do SUS.

Com apoio da equipe multidisciplinar do Centro Médico onde faz tratamento, ela deseja que a campanha continue pela internet.

Marisanta é um exemplo de vida e compaixão, e diz que sente melhor trabalhando com as doações e que a sensação de dor ficou muito menor quando iniciou o trabalho da campanha.

Quem quiser participar da campanha pode entrar em contato com Marisanta através da sua página no Facebook.

Fontes pesquisadas

www.oncoguia.org.br

revistavivasaude.uol.com.br

centrodeoncologia.com/evento

www.inca.org.br

www.tudorosa.com

www.accamargo.org.br

oglobo.globo.com/autoestima

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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