São Paulo, SP, 20/06/2018
 
20/07/2016 - 12h21m

Artigo 81 - Saiba mais sobre a relação entre diabetes e o câncer

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani 

São Paulo - O câncer e a diabetes são doenças muito frequentes e que tem um impacto muito importante na qualidade de vida dos pacientes. Em alguns casos essas duas doenças podem estar relacionadas, pois muitos estudos apontam que pessoas com diabetes pode desenvolver câncer com uma frequência muito maior, do que as que não tem diabetes, na mesma faixa de idade.

Um alerta é também para pessoas que apresentam pré-diabetes, pois nessas pessoas o risco também esteja elevado. As análises desses estudos mostram que o risco em pré-diabéticos está elevado em 15% para desenvolver câncer e quando ocorre a associação de sobrepeso ou obesidade, este risco sobe para 22%.

A frequência de pré-diabéticos é muito maior do que diabéticos na população e muitas pessoas que apresentam esta alteração dos níveis de glicose do sangue, não tem conhecimento e é comum não ter conhecimento desta condição, pois não dá sintomas.

Não se sabe ao certo como se dá a relação entre o desenvolvimento do câncer nos diabéticos, mas se sabe que o tipo mais frequente é com o diabetes tipo II.

Parece estar relacionado a fatores predisponentes em comum as duas doenças que são: sedentarismo, sobrepeso e má alimentação associados a fatores genéticos no desenvolvimento das duas doenças.

Outro fator a ser considerado é a ingestão de alimentos com índice glicêmico alto, particularmente em pessoas com excesso de peso e/ou sedentários.

Tanto o excesso de peso como a falta de atividade física levam a condição clínica de resistência à insulina, que leva a uma série de distúrbios metabólicos.

Também se estuda os níveis de gordura corporal e quanto mais alto os níveis de gordura corporal, maior as chances de desenvolvimento de vários tipos de câncer.

Os tipos de câncer mais comum nos diabéticos tipo II são: no pâncreas, fígado, intestino, endométrio e bexiga, sendo os tumores de pâncreas e fígado mais incidentes. Nos tumores de pâncreas, mais de 70% dos pacientes diagnosticados também são diabéticos.

O alerta se deu a partir da publicação na renomada revista médica “Annals of Surgical Oncology” em 2016, onde foi feita a análise de 88 estudos publicados no período de 1973 a 2013, onde médicos e matemáticos analisaram a relação entre câncer de pâncreas e Diabetes.

Este estudo abre um alerta importante para médicos quando diagnosticar Diabetes em pessoas sem antecedentes e devem pesquisar se está relacionado com Câncer de Pâncreas.

O câncer de pâncreas geralmente é diagnosticado em fase avançada da doença e é mortal, com prognostico muito sombrio, pois responde pouco a quimioterapia e tem um alto potencial de metástases. No Brasil o câncer de pâncreas tem uma frequência baixa, sendo responsável por 2% dos tumores e 4% das mortes por câncer, dados do INCA (2015).

Um estudo que observou 45000 mulheres americanas que iniciou na década de 1970 e analisou as mulheres que não teriam histórico familiar de câncer de intestino e de diabetes familiar, e em 8 anos desenvolveram câncer do intestino. Este estudo sugere a associação de diabetes tipo II com câncer de intestino nessas mulheres, pois 50% das pacientes com diabetes desenvolveram câncer de intestino neste estudo observacional.

Outro estudo de observação que incluía 600 mulheres com câncer de mama, onde se colhia o exame para avaliar a quantidade de insulina no momento do diagnóstico e após 10 anos do diagnóstico e tratamento. O que se observou foi que as mulheres que apresentavam níveis de insulina elevado no diagnóstico apresentaram tumores mais agressivos com recorrência da doença mais frequente do que as mulheres com níveis normais de insulina ao diagnóstico.

Porém, mesmo com esses estudos de evidência, ainda não justifica que pessoas diabéticas façam mais exames do que a população sem diabetes da mesma faixa de idade.

Um alerta é reforçar as medidas de prevenção que estão relacionadas a alimentação mais balanceada e a atividade física.

Dicas da Associação Americana do Coração sugere

- Limitar açúcares adicionados a dieta em 25 gramas/dia (6 colheres de chá) para mulheres e 37 gramas/dia para homens

Suplementar a dieta com fibras

As fibras são divididas em dois grupos: solúveis e insolúveis.

As fibras solúveis retêm água, formando uma espécie de gel, que promove saciedade, reduz a absorção de glicose e diminui as taxas de colesterol sanguíneo. São encontradas em frutas, verduras, legumes e leguminosas (feijão, ervilha, lentilha).

Já as fibras insolúveis aumentam o bolo fecal, estimulando o transito intestinal e prevenindo a constipação. São encontradas nas verduras, cereais e grãos integrais.

Os alimentos ricos em fibras exigem mais tempo de mastigação, demoram mais tempo para serem digeridos e por isso, ajudam a manter a saciedade. Com isso, precisamos ingerir menores quantidades de alimentos para nos sentir satisfeitos, o que auxiliará no emagrecimento.

A dieta rica em fibras, recomenda a ingestão de alimentos ricos nesse nutriente, e indica que o consumo diário deve ser entre 25 e 35 gramas.

De acordo com essa dieta, é necessário iniciar o café da manhã com alimentos fontes de fibra (frutas, cereais, pães integrais), assim evitará ter fome acumulada no almoço.

Iniciar o almoço e jantar com um prato grande de salada crua, para aumentar a saciedade e assim, evitar exageros nas refeições.

Substituir os cereais refinados pelos integrais também é essencial, já que esses alimentos não passaram pelo processo de refinamento, e possuem as fibras intactas.

É indispensável aliar essa dieta à ingestão adequada de água, que deve ser de no mínimo 8 copos diariamente.

O consumo insuficiente de água poderá causar constipação intestinal.

Fonte de informação: site Dieta e Saúde (consulta internet)

Praticar regularmente Atividade Física

Tipo de exercícios e atividade física que podem auxiliar

• Alongamentos

• Dança

• Aeróbico de baixo impacto (Bike, esteira)

• Musculação especializada

• Yoga

• Pilates

• Caminhadas

• Atividades Lúdicas e recreativas

• Ginástica geral.

Fonte: Atividade Física (consulta internet)

Referências

-Michael Pollak, professor do Departamento de Oncologia e diretor do Cancer Prevention Research (Pesquisa de Prevenção ao Câncer).

- Annals of Surgical Oncology

- www.inca.org.br

- www.accamargo.org.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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