Artigo 87 - Novo medicamento para câncer do colo uterino - Hoje São Paulo
São Paulo, SP, 19/08/2018
 
03/11/2016 - 09h16m

Artigo 87 - Novo medicamento para câncer do colo uterino

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani 

São Paulo - O câncer do colo uterino é uma doença grave que acomete mulheres jovens a partir de 25 anos e tem prevenção. Este tumor é causado pela infecção de um vírus de transmissão pela relação sexual - Papiloma Vírus Humano – o HPV.

O HPV é um vírus relacionado com muitos tipos de lesões como as verrugas vulgares, as verrugas genitais, o câncer de colo do útero e os tumores de cabeça e pescoço.

O HPV também infecta os homens, levando ao surgimento de verrugas na região genital e ao câncer do pênis.

Há centenas de sub-tipos do vírus HPV, mas somente 4 sub-tipos: 16, 18, 45 e 56 estão diretamente relacionados com o câncer. Os sub-tipos: 6, 1, 41, 42 e 44, apresentam potencial intermediário.

Antes do surgimento do tumor maligno, ocorre uma infecção pelo vírus HPV e esta infecção passa por pelo menos quatro fases, que são chamadas de NIC – Neoplasia Intraepitelial cervical (do colo do útero).

São Chamadas de NIC I, II, III e IV, de acordo com a gravidade do caso, ou seja, o NIC IV é quase o câncer e o NIC I é o primeiro estágio. Essas alterações são detectadas no exame de citologia oncótica de Papanicolau.

A cronologia da infecção pelo HPV é:

1) Infecção pelo HPV - 1 ano

2) Fase pré-maligna (NCI I a IV) - 3 anos

3) Câncer do Colo Uterino - 4 anos

No Brasil a incidência de câncer do colo do útero está diminuindo e se acredita que 44% dos tumores do colo do útero são diagnosticados nos estágios iniciais, ou seja nos NICs I, II e III e nesta fase, a doença é curável.

Fique Atento aos Fatores de Risco de infecção pelo HPV:

- Presença de verrugas na região genital;

- Início precoce da atividade sexual;

- Múltiplos parceiros sexuais, ou ter um parceiro que tenha várias outras parceiras sexuais;

- Imunidade baixa, como pessoas que fazem uso de corticoides;

- Consumo de cigarro;

- Más condições de higiene.

Alerta aos sintomas

- Nas fases iniciais não há sintomas, é necessário fazer o exame de citologia de Papanicolau para detectar a lesão;

- Sintomas como sangramento vaginal principalmente após relação sexual, ou no intervalo das menstruações ou após a menopausa;

- Corrimento vaginal de coloração escura e com cheiro forte;

Alerta nos estágios mais avançados

- Lesão em massa no colo uterino;

- Hemorragias;

- Obstrução das vias urinárias;

- Dores abdominais inespecíficas;

- Perda de apetite e de peso.

O diagnóstico é feito pelo ginecologista e através do exame ginecológico e do exame de Papanicolau que detecta as células tumorais.

Este exame deverá ser feito uma vez ao ano, após o início da atividade sexual em todas as mulheres.

Se houver alguma área suspeita, esta será biopsiada pelo médico e encaminhada para análise patológica.

Prevenção

- A prevenção é feita com o uso de preservativo na atividade sexual. Mas não previne 100%;

- Consultar o ginecologista com frequência para detecção de lesões em fase inicial, como os NICs, que são curáveis.

Vacina contra HPV

O governo federal iniciou uma campanha de vacinação para meninas de 9 a 13 anos, em escolas públicas, para a vacinação contra o HPV.

São dois tipos de vacinas profiláticas para o HPV que são registradas pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e são comercialmente disponíveis:

- Gardasil (Merdk Sharp & Dohme) – quadrivalente, ou seja, confere proteção para os subtipos 6, 11, 16 e 18.

- Cervarix (GlaxoSmithKline) – bivalente, para os subtipos 16 e 18.

No Brasil, foi assinada uma parceria dos laboratórios com o Instituto Butantã e a vacina é produzida em larga escala para suprir a necessidade nacional através do SUS, com a vacinação de meninas e meninos a partir de 9 anos, sem limite de idade para a vacinação.

A vacina é exclusivamente profilática, não está indicada para tratamento do HPV.

É contraindicada em gestantes, portadores de infecção aguda pelo HPV ou que apresentem hipersensibilidade para os componentes da vacina.

É administrada de forma intramuscular em três doses, sendo imediata, após 2 e 6 meses.

Quem foi vacinado deve realizar o exame preventivo sempre, como as consultas ao ginecologista e o exame de Papanicolau, pois só oferece proteção para quatro subtipos, sendo que os outros sub tipos causam lesão genital.

Mas mesmo com todas essas medidas ainda se detecta esse tipo de tumor em fases avançadas da doença, e nestas fases avançadas, o tratamento e a base de quimioterapia.

Uma boa notícia é a associação de um medicamento que inibe que vasos sanguíneos nutrem o tumor (ajuda a matar o tumor de fome) foi aprovado pela ANVISA para tratar o carcinoma do colo de útero nas fases mais avançadas da doença.

Infelizmente esse medicamento não está disponível no Sistema Único de Saúde e para que isso ocorra a CONITEC está fazendo uma consulta pública para saber a opinião da população em relação a incorporação deste medicamento no tratamento das mulheres acometidas por câncer de colo do útero que dependem do Sistema Único de Saúde – SUS.

O site para dar a opinião para apoiar esta causa é: http://conitec.gov.br/index.php/contribuição-consulta-publica cp=342016

Fonte

-Instituto Nacional do Câncer – InCa

www.inca.gov.br/conteudo_view.asp

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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