São Paulo, SP, 20/06/2018
 
19/01/2017 - 01h27m

Artigo 91 - Vacina contra o HPV para meninos e meninas

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani  

Vacina contra o HPV para meninos e meninas e a Campanha de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, Pênis, cavidade oral e verrugas genitais

São Paulo - Em março de 2014 o Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou uma campanha de vacinação contra o HPV (papiloma vírus humano), direcionada para meninas nas idades de entre 9 e 13 anos.

Em outubro de 2016 o Ministério da Saúde anunciou que a vacina contra o HPV foi estendida para os meninos.

A vacina faz parte do Calendário Nacional de Imunização desde 2014 e a partir de janeiro de 2017, meninos de 12 a 13 anos também poderão ser vacinados, bem como meninas com mais de 14 anos que não receberam a vacina.

O esquema proposto pelo SUS é a vacina bivalente, com duas doses, a primeira e a segunda após 6 meses.

Esta decisão foi baseada em estudos realizados em vários países, onde se constatou que o fato de vacinar meninos contribui na redução da incidência do câncer do colo de útero e da vulva em mulheres.

Mas o mais importante para os meninos é o fato de que também reduz muito a incidência de câncer no pênis e na cavidade oral, além de prevenir o aparecimento de verrugas genitais relacionadas a infecção pelo HPV.

Em países como Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá o calendário de vacinação é o mesmo recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

O HPV é um vírus transmitido através de relação sexual e compõe mais de 100 tipos de vírus, os quais acredita-se que 50% das mulheres que tem vida sexualmente ativa já foram contaminadas pela HPV em alguma fase da vida, e não necessariamente desenvolveram sintomatologia relacionada a esta infecção.

Também é o vírus causador do câncer do colo do útero que é o terceiro tumor mais frequente na população feminina (atrás de câncer de mama e intestino) e a quarta causa de morte por câncer em mulheres.

Embora as ações do Ministério da Saúde tenham avançado muito em relação a prevenção desta doença, pois nos anos de 1990, 70% dos casos eram diagnosticados em fases avançadas da doença, atualmente 44% dos casos é de doença avançada.

Mesmo assim no ano de 2016 o Instituto Nacional do Câncer - INCA estima que serão diagnosticados 16.340 casos novos, sendo que 5.430 mulheres deverão morrer devido a esta doença.

A vacina é direcionada para quatro tipos de HPV, os sub tipos 16 e 18, que estão relacionados com o câncer do colo do útero e cavidade oral e os sub tipos 6 e 11, que causam 90% das verrugas genitais (que são lesões benignas). A vacina contra o HPV está aprovada há 10 anos, desde 2006 e tem eficiência de 98%.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos subtipos 16, 18 ou ambos, que são responsáveis por 70% dos carcinomas do colo do útero.

Também esta relaciona a infecção pelo HPV os tumores da cavidade oral em 50% dos casos. Estudos de colaboração com o Hospital do Câncer A.C.Camargo e Instituto Nacional do Câncer – INCA detectaram a incidência cada vez maior em pacientes jovens, com menos de 40 anos e não fumantes, sendo que nessa população jovem o principal fator de risco é a infecção pelo HPV que leva ao desenvolvimento de tumores muito mais agressivos e de crescimento mais rápido.

Em pesquisa comandada por pesquisadores do Hospital do Câncer em São Paulo (Dr. Paulo Kowalsky – 2016) observaram que 32% dos pacientes com menos de 50 anos que desenvolveram tumor de cavidade oral estavam infectados pelo HPV. Enquanto que a infecção pelo HPV em pacientes com mais de 50 anos estava presente em 8% dos casos.

A campanha atual do Ministério da Saúde é direcionada para meninas e meninos da faixa etária entre 9 e 13 anos, devido ao fato de se estimular a imunização em adolescentes que ainda não iniciaram a vida sexual, e baseados em dados do IBGE, 28% das mulheres jovens iniciam o contato sexual a partir de 13 anos.

Dados do SUS referem que 4,3 milhões de adolescentes foram imunizadas contra o HPV, o que equivale a 87,5% do público alvo, desde março de 2014, quando iniciou a campanha de vacinação a nível nacional.

A vacina é dada por via intramuscular e o esquema de vacinação é composto de 2 doses:

- sendo a segunda dose aplicada após 6 meses da primeira dose

e a meta é a vacinação de meninos e meninas entre 9 e 13 anos, incluindo meninas de 14 anos que ainda não receberam a primeira dose.

A vacinação também será estendida a homens que vivem com HIV (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) entre 9 e 26 anos.

Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.

Atenção:

A vacina em nenhum momento substitui o exame de Citologia Oncótica de Papanicolau, sendo apenas mais uma estratégia para a prevenção primária do Câncer do Colo do Útero.

O exame preventivo de Papanicolau deve sempre ser feito, independente da vacinação para todas as mulheres que tem vida sexualmente ativa.

A inspeção da cavidade oral deve ser feita regularmente, a procura de lesão verrucosa ou avermelhada na mucosa oral.

Nenhum meio de prevenção é 100% seguro, sendo a camisinha o método mais seguro.

A contaminação pelo HPV na cavidade oral pode se dar pelo beijo.

Manter sempre hábitos de vida saudável como alimentação balanceada e com frutas cítricas e verduras e praticar atividade física regularmente. Essas estratégias tem um grande impacto na prevenção de muitos tipos de tumores.

A vacina contra o HPV é muito segura, pois é composta apenas da capsula do vírus HPV, não tendo nenhuma possibilidade de infectar e causar o câncer do colo do útero em pessoas que foram vacinadas.

Fontes pesquisadas:

www.cedipi.com.br

www.minhavida.com.be

www.brasil.gov.br – Saúde 2016

www.inca.org.br

www.hospitaldocancer.org.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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