São Paulo, SP, 24/06/2018
 
10/02/2017 - 21h44m

Artigo 92 - Aumento de mulheres idosas e o risco de câncer

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

Expectativa do aumento de mulheres idosas e o risco de câncer

São Paulo - Estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em relação a idade da população e expectativa de vida tem mostrado que cada vez mais temos tido aumento da incidência de mulheres com maior expectativa de vida em relação aos homens.

Na década de 1940, para cada 100 idosos homens 80 eram mulheres; no ano de 2010 para cada 100 idosos, 88 são do sexo feminino.

Os últimos dados mostram que quadruplicará o número de pessoas com mais de 65 anos de idade no mundo nos próximos 45 anos. Esse número passará de 16,5 milhões em 2016 para 58,4 milhões em 2060 e representará 26% da população do mundo.

Porém há uma consideração, esse fenômeno ocorre nas áreas urbanas, pois nas áreas rurais o predomínio é de idosos do sexo masculino, o que leva a uma grande preocupação em relação a cuidadores.

Esse fenômeno ocorre porque as mulheres migram da área rural ainda jovens, para estudar ou buscar oportunidades de emprego como domesticas.

Outro fator importante é a alta mortalidade dos homens, principalmente na faixa etária jovem, sendo que a principal causa de morte em homens com idade de 15 a 29 anos é acidente e homicídio na cidade de São Paulo.

Estudo japonês publicado na revista Immunity & Ageing em 2016 onde cientistas analisaram amostras de sangue de 356 homens e mulheres na idade entre 20 e 90 anos, mediram a quantidade de leucócitos (células do sangue que nos defendem de infecções) e dosaram a substância que essas células secretam quando estimuladas (Citoquinas).

O estudo demonstrou que quanto mais velha a pessoa, menor o número de leucócitos, porém os pesquisadores encontraram diferenças que chamaram a atenção nos valores, da quantidade de leucócitos entre homens e mulheres.

Nos homens idosos (mais de 65 anos) a quantidade dessas células era muito menor que em mulheres idosas na mesma idade cronológica.

A conclusão do estudo é que este fato possa ser o fator que explicaria porque mulheres vivem mais do que homens, ou seja devido ao fato de terem um sistema imunológico mais competente do que o dos homens, que as defendem de infecções, proporcionando que vivam maior tempo que os homens.

Embora estatisticamente as mulheres vivam mais do que os homens, elas passam por período de maior debilidade física até a morte e também são vítimas de doenças crônico-degenerativa e câncer, que geralmente não são rapidamente fatais.

As diferenças no risco de adoecer estão associadas a fatores biológicos, genéticos, hormonais e psicológicos.

As doenças mais comuns encontradas em idosos são:

- Hipertensão: mais frequente em homens que mulheres

- Diabetes: mais frequente em mulheres que homens

- Colesterol aumentado: mais frequente em mulheres que homens

- Artrite: mais frequente em mulheres que homens

- Depressão: mais frequente em mulheres que homens

- Câncer:

O envelhecimento é um grande desafio para a Saúde Pública, mesmo porque estudos mostram que menos de 20% da população idosa no Brasil estão associados a Saúde Suplementar, ou seja 80% dependem exclusivamente do sistema público para ser atendido e tratado.

Com o envelhecimento sabemos que aumenta muito as chances de desenvolvimento de câncer. Um desses fatores é o processo de oncogênese, ou seja, de que os genes sejam ativados para formar tumores malignos.

Aumenta muito as chances de mutação em alguns genes, principalmente nos genes que nos protegem da formação de tumores, com o processo de envelhecimento.

Outro fato a ser considerado é a queda da imunidade.

Os tumores mais comuns em idosos são:

Em mulheres: Tumores de pele não Melanoma, tipo Carcinoma Epidermoide e Carcinoma Basocelular e Câncer de mama e intestino.

Em homens: Tumores de pele não Melanoma, tipo Carcinoma Epidermoide e Carcinoma Basocelular e Câncer de próstata e intestino.

A questão é a conscientização da população que hoje está com 40 a 55 anos de que devem iniciar com processo de mudança de hábito de vida para reduzir o impacto da incidência do câncer na velhice.

Quanto mais vivemos, maiores serão as chances de desenvolvimento de câncer, então adotar hábitos de vida saudável devem fazer parte da nossa rotina.

Adotar imediatamente hábitos de dietas balanceadas com pouca gordura e açucares, álcool com moderação e atividade física diária.

A prevenção em idosos são basicamente as mesmas recomendações:

Mulheres:

- Mamografia, a cada 2 anos, se não tiver nenhuma alteração após 65 anos.

- Citologia Oncótica de Papanicolau, em mulheres que tenham atividade sexual, a cada 5 anos, se não tiver nenhuma alteração.

- Colonoscopia para detecção de câncer de intestino, a cada 5 anos.

- Ultrassonografia pélvica, se indicada para avaliação do útero e ovários.

Homens:

- Toque retal para avaliação da próstata.

- Colonoscopia para detecção de câncer de intestino, a cada 5 anos.

Fontes Pesquisadas:

blog.altadiagnosticos.com.br

www.inca.gov.br

https://www.cancer.org.br

www.labjor.unicamp.br/midiaciencia

zh.clicrbs.com.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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