São Paulo, SP, 20/06/2018
 
26/03/2017 - 20h10m

Artigo 94 - Envelhecimento é fator de risco importante

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

Envelhecimento: importante fator de risco para o câncer

São Paulo - O envelhecimento tem sido amplamente discutido pela sociedade, pois tanto na consideração econômica como médica teremos que nos preparar para os eventos esperados nesta fase da vida. Hoje é um novo desafio em Saúde Pública.

Os idosos apresentam um risco para o desenvolvimento de câncer pela própria fisiopatologia do envelhecimento, com as múltiplas possibilidades de danos no DNA das células expostas por longos períodos da vida a agentes potencialmente cancerígenos.

Mas não é simplesmente o fato de envelhecer que aumenta a probabilidade de desenvolvimento do câncer.

Tal qual os determinantes do envelhecimento que são os fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida que também influenciam no desenvolvimento dos tumores em idosos.

O fator genético tem influência maior durante a vida, sendo na idade avançada determinante de fatores principalmente relacionados com a manutenção da capacidade funcional e autonomia do idoso.

Os fatores de maior importância e que podem ser tratadas durante a vida são os fatores ambientais e o estilo de vida.

Importante ação como a conscientização do fumo teve impacto extremamente positivo na redução da incidência de tumores relacionados ao habito de fumar como os tumores de pulmão, boca e cavidade oral e bexiga em idosos.

Os fatores ambientais de maior impacto são por exemplo, a exposição a luz solar, que aumenta muito a probabilidade de câncer de pele.

O envelhecimento é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer, uma das teorias é baseada no desiquilíbrio de dois tipos de genes que temos, que se equilibram durante a vida para controle do crescimento celular.

Temos genes que estimulam o crescimento das células – oncogêneses e genes que inibem a divisão celular – genes inibidores de tumores.

De uma forma muito simples para podermos entender, há um equilíbrio entre esses dois genes, e quando um desses genes está alterado, ocorre o início da divisão celular, ocorrendo a formação de um tipo de tumor.

Como o envelhecimento é multifatorial com influência mais marcante de fatores genéticos e do ambiente, os mecanismos genéticos são modulados através da manutenção do reparo das células e com o tempo vão surgindo genes específicos do envelhecimento.

Muitas funções celulares vão diminuindo com o avançar da idade, um exemplo disso é a menopausa na mulher, onde o envelhecimento leva a exaustão da liberação dos óvulos pelo ovário e com a falta do estimulo hormonal, os órgãos sexuais femininos tendem a atrofiar no decorrer da idade avançada.

Na nossa estrutura celular temos no DNA uma porção que se chama telomero.

O telomero vai reduzindo conforme a célula vai se dividindo e na idade avançada o telomero das nossas células está bem reduzido e desta forma as células ficam mais suscetíveis a formação de tumores.

Outro fator a se considerar é o envelhecimento do Sistema Imunológico, que também envelhece por múltiplos mecanismos e fica incompetente para nos defender de agentes cancerígenos.

A deficiência nutricional também influencia neste processo, levando a uma piora da situação em relação a defesa de nosso organismo.

Um dos tipos de tumores mais frequentes nos idosos e que pode ser evitado é o Câncer de Pele não Melanoma:

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que o câncer de pele, tipo de câncer mais comum no Brasil, tornou-se um problema geriátrico.

De acordo com a entidade, há cada vez mais casos de câncer não-melanoma entre pessoas com mais de 70 anos.

Saiba como reconhecer as principais lesões e procure um dermatologista:

Queratose actinica – lesões superficiais com área inflamatória avermelhada recoberta por uma camada de queratina(casquinha clara ou escura)

Carcinoma Basocelular – lesão tipo tumoral, bem delimitada, geralmente avermelhada, indolor e de crescimento lento.

Carcinoma Espinocelular – lesão tipo ulcerada, com formação de uma feridinha que não cicatriza e geralmente ocorre em áreas expostas a luz solar.

Cresce rápido e pode se espalhar para outros locais.

Esse tipo de lesão é o mais grave dos tumores de pele não melanoma, principalmente nos idosos.

E a prevenção é o fator mais importante.

Homens a partir dos 45 anos devem procurar auxilio médico para avaliar exames de rastreamento para câncer de próstata.

Mulheres devem se prevenir anualmente contra o câncer de mama, através da mamografia (a partir dos 40 anos), e do câncer de colo uterino, através do exame ginecológico de citologia Oncótica de Papanicolau.

O rastreamento para o câncer de intestino deve ser indicado a partir dos 50 anos, para homens e mulheres, com exame de colonoscopia.

Fontes pesquisadas:

-Arq Med ABC, vol. 30, jan/jun 2005

-Journal of Clinical Oncology

-Revista Brasileira de Cancerologia 2013; 59(4): 555-557

-Rev. bras. enferm. vol.62 no.4 Brasília July/Aug. 2009

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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