São Paulo, SP, 20/06/2018
 
24/04/2017 - 09h49m

Artigo 96 - Entenda o Transplante de Medula Óssea e seja doador

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

Entenda o Transplante de Medula Óssea e seja um doador

São Paulo - O Transplante da Medula Óssea é o transplante de células progenitoras do sangue de um indivíduo sadio para o tratamento de algumas doenças que afetam as células sanguíneas como as Leucemias e os Linfomas e algumas doenças autoimunes que acometem as células de defesa do organismo e em casos mais raros de algumas anemias.

A medula óssea é um tecido gelatinoso que fica dentro dos ossos (como o tutano) e contém células que produzem as células do sangue. Essas células são chamadas de células tronco e esta célula da origem a 3 linhagens de células que compõem nosso sangue:

-Glóbulos vermelhos ou hemácias, que carregam o oxigênio para os tecidos para fazer o metabolismo que nos mantém vivos

-Glóbulos brancos ou Leucócitos, que são uma série de células que nos protegem das infecções

-Plaquetas que são pequenas e numerosas células que atuam na coagulação

As células tronco são produzidas no nosso organismo na fase embrionária, muito antes do nascimento

Essa célula tem características próprias capazes de formar células semelhantes a elas, se transformar em outras células dependendo do local que está se dividindo e podem se transformar em vários outros tipos de células, dependendo do local que estiver se dividindo.

As células tronco podem ser encontradas na circulação sanguínea e colhidas através de uma máquina, onde podem ser congeladas e depois podem servir no transplante de Medula Óssea.

Também podem se coletadas no cordão umbilical do bebê, no momento do nascimento.

Existem 2 tipos de transplante de medula óssea:

O transplante halogênico ou de um doador compatível com a pessoa que esta necessitando da substituição da Medula Óssea, pode ser um familiar ou uma pessoa desconhecida para aqueles que não tem um irmão compatível geneticamente para ser doador e que pode recorrer a bancos de Medula Óssea, onde se armazena células tronco de doadores anônimos que possam ser compatíveis.

E o transplante autólogo, que é o transplante das próprias células do indivíduo, que é armazenada e congelada após o tratamento da Leucemia ou Linfoma, e após reinfundida no paciente. Esse procedimento só pode ser feito quando a doença não afeta a medula óssea.

O Ministério da Saúde junto ao INCA (Instituto Nacional do Câncer – Rio de Janeiro) através da Portaria número 2600, de 21 de outubro de 2009, tem a coordenação técnica do Centro de Transplantes de Medula Óssea e do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea – REDOME.

O REDOME foi criado em São Paulo em 1993 com a intenção de reunir informações para pessoas dispostas a serem doadoras de Medula Óssea para quem precisa de Transplante.

E em 1998 a coordenação deste Registro passou para o INCA. Hoje conta com mais de 40 milhões de pessoas cadastradas e é o terceiro maior banco de medula ósseas do mundo, sendo financiado exclusivamente com recursos públicos.

A cada ano se inclui por volta de 300 voluntários para cadastro e sempre que há necessidade de procura de um doador compatível o REDOME armazena os dados como nome, contato, resultado de exames e características genéticas, e se for localizado um potencial candidato a doador no Brasil e com os outros bancos de Medula Óssea do mundo, a instituição entra em contato com o médico do paciente inscrito na busca.

Após este procedimento o doador é convocado para teste confirmatório e avaliação clínica. Se compatível, inicia o procedimento de retirada das células progenitoras da medula óssea, que será enviada para o centro onde será realizado o transplante.

O REDOME foi o registro de medula óssea que mais cresceu no mundo nas últimas décadas, sendo as chances de encontrar um doador final compatível por volta de 64%.

Para se tornar um doador voluntário é muito fácil:

-Procure um Hemocentro Regional ou Banco de Sangue Público para os cadastros dos interessados, onde os dados serão enviados para o REDOME, a opção é de ser doador de sangue, medula óssea ou ambos.

-É necessário que o cadastro esteja sempre atualizado; o doador permanecerá no registro até completar 60 anos.

O site do REDOME para atualização de cadastro é: (redome.inca.gov.br)

A identificação das características genéticas do indivíduo é feita por um exame chamado de Histocompatibilidade – HLA(exame que identifica as características genéticas de cada um de nós).

Para uma pessoa ser doadora de medula óssea, esse exame tem que ser compatível com a pessoa que vai receber a medula óssea. O doador tem que ter as características:

-Idade entre 18 e 55 anos, ter boa saúde, não ter doença infecciosa, câncer ou doenças autoimunes.

Os pacientes que precisam de um doador, o contato com o REDOME deve ser feito pelo seu médico, que deverá também estar cadastrado no Registro.

Em São Paulo, os Hemocentros cadastrados são:

Hospital São Paulo de Ensino da Unifesp São Paulo

R Napoleão De Barros, 715 - Vila Clementino - Sao Paulo, São Paulo - Cep:04024-002

Hemocentro da Santa Casa de São Paulo/Laboratório De Histocompatibilidade

R Marques De Itu, 579 Laboratório 2º Andar - Vila Buarque - Sao Paulo, São Paulo - Cep:01223-001

2176-7249 (direto) ou 2176-7000 - Ramal: 7249

Hemocentro De Campinas/ Unicamp

R Carlos Chagas, 480 - Cidade Universitária - Campinas, São Paulo - Cep:13083-878

(19)35218705

0800 7228432

Referencias:

- http://redome.inca.gov.br

redome.inca.gov.br/medula-ossea/o-que-e-o-transplante-de-medula-ossea

portalsaude.saude.gov.br

www.graacc.org.br/doação/medula

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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