Artigo 99 - Novidades da ASCO 2017 sobre câncer de próstata - Hoje São Paulo
São Paulo, SP, 19/08/2018
 
19/06/2017 - 11h51m

Artigo 99 - Novidades da ASCO 2017 sobre câncer de próstata

Agência Hoje/Dra. Silvia Regina Graziani* 

Novidades do Congresso Americano de Oncologia (ASCO – 2017) para o tratamento do Câncer de Próstata metastático

Chicago, Estados Unidos - Nos dias 2 a 6 de junho de 2017 aconteceu na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, o maior congresso de oncologia do mundo. Este evento reúne mais de 50.000 profissionais da área de oncologia de todo mundo, para discutir e mostrar os resultados dos principais estudos de novas drogas para o tratamento do Câncer.

Participam médicos, enfermeiros, psicólogos e muitos pesquisadores, inclusive brasileiros, que apresentam seus dados para avaliação e incorporação dessas novas opções de tratamento na pratica dos médicos oncologistas em todo mundo.

Uma grande novidade foram dois estudos relacionados com um medicamento que já é utilizado no Brasil desde 2016, que é a Abiraterona.

Este medicamento está disponível para uso desde janeiro de 2016, onde a Agencia Nacional de Saúde – ANS, que regulamenta a assistência dos Planos de Saúde e aprovou o seu uso para o tratamento do Câncer de Próstata avançado.

O Câncer de Próstata é muito frequente e no Brasil é o segundo tumor mais frequente em homens, sendo que a estimativa de novos casos em 2017 será de 65.200 casos novos, com perspectiva de 14.500 mortes pela doença (INCA – 2017).

O tumor da Próstata geralmente se desenvolve na terceira idade e cerca de três quartos dos casos ocorre após os 65 anos e tem evolução lenta com bom prognostico na maioria dos casos, mas alguns tumores apresentam comportamento agressivo com crescimento rápido e desenvolvimento de metástases, geralmente para os ossos e linfonodos (gânglios abdominais) e nestes casos o prognóstico é mais reservado.

O tratamento envolve especialistas médicos de várias áreas como os urologistas, radioterapeutas e oncologistas clínicos.

Na doença avançada, o melhor tratamento é definido em conjunto com todas as especialidades e uma das opções é o tratamento de bloqueio hormonal, ou seja, administrar algum medicamento que bloqueie a ação da testosterona, o hormônio masculino que leva ao crescimento das células do tumor maligno da próstata.

De uma forma geral, aproximadamente 10% a 20% dos pacientes são diagnosticados com doença avançada ou metastática.

A supressão da testosterona foi o primeiro tratamento descrito para o Câncer de Próstata, no ano de 1941, e é chamado de Castração.

Essa supressão pode ser feita de várias formas:

-Remoção cirúrgica dos testículos – procedimento chamado de orquiectomia

-Uso de medicamentos que bloqueiam a produção de testosterona (Goserelina, Leuprorrelina, Triptorrelina e outros)

Essas são basicamente as etapas do tratamento quando a doença se torna metastática.

Neste cenário foram apresentados 2 estudos que abrem novas possibilidades de tratamento e aumentando as chances de controle da doença por um tempo mais prolongado.

Um dos estudos que foi chamado de Estudo LATITUDE (Abstract LBA3) publicado na revista médica “Journal Clinical Oncology – 05/2017” e on line no site do Congresso médico, que foi apresentado em sessão de plenário.

Neste estudo o médico Dr. Karin Fizazi, oncologista do Institute Gustave Roussy de Paris- França apresentou os dados da análise do estudo em 1.199 pacientes com câncer de próstata o qual foi comparado o uso de medicamentos que bloqueiam a produção e a ação da testosterona com pacientes que fizeram uso de Abiraterona associada a medicamentos que bloqueiam a produção e a ação da testosterona em câncer de próstata metastático considerado de alto risco.

Pacientes de alto risco são os que apresentam essas características: Gleason 8 no exame anátomo patológico da biópsia da próstata, 3 pontos de doença metastática no exame de Cintilografia óssea e doença metastática em linfonodos(gânglios) abdominais}. Neste estudo os pacientes que receberam a associação da Abiraterona tiveram melhores resultados que os pacientes que foram tratados com os medicamentos que bloqueiam a produção e a ação da testosterona.

Outro estudo de grande impacto foi a apresentação dos dados do estudo STAMPEDE (abstract LBA5003) publicado na mesma revista médica e no site do Congresso da ASCO – 2017. Neste estudo foi constatado que os pacientes que usaram a associação de Abiraterona com o bloqueio de testosterona teve um grande benefício, com média de 66% dos pacientes vivos e bem, em 3 anos de observação.

No grupo de uso de bloqueio de testosterona exclusivo, 49% dos pacientes ainda estavam em tratamento em 3 anos.

Esses dados são muito promissores para esta situação especial de pacientes com câncer de próstata avançado e deve ser considerada como tratamento.

Esses estudos também mostram que esta associação posterga a indicação da quimioterapia, que geralmente tem pouca atividade em câncer de próstata e muita toxicidade.

São estudos muito promissores para pacientes com doença metastática e o medicamento já está disponível para uso na Saúde Suplementar.

Mas mesmo com medicamentos muito promissores não podemos deixar de considerar que a melhor estratégia é a prevenção.

Quanto antes o câncer for diagnosticado, maiores as chances de não precisar utilizar nenhum desses medicamentos e ter maiores chances de controlar a doença.

Hoje a recomendação para a prevenção e diagnóstico precoce de Câncer de Próstata é procurar um médico urologista para se fazer o exame de “Toque Retal” e a dosagem de PSA a partir de 45 anos, exceto se tiver um parente próximo com câncer de Próstata (pai ou irmão), daí a prevenção deve iniciar aos 40 anos.

Fonte: informação no site:

http://sboc.org.br/noticias/item/940-asco-2017-define-novos-tratamentos-como-padrao-em-tumores-geniturinario

Fontes pesquisadas:

-www.inca.org.br

-www.onconews.com.br

-www.bulaweb.com.br

* A Dra. Silvia Regina Graziani, CRM 56925, é Medica Oncologista Clinica, com título de especialista em Cancerologia (1992). Residência Médica: Hospital do Câncer A. C. Camargo. Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho – IAVC, São Paulo.

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