São Paulo, SP, 16/12/2018
 
20/03/2017 - 22h48m

Associações defendem boa qualidade da carne brasileira e criticam a "desinformação"

Agência Brasil/Flávia Albuquerque 

São Paulo - O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, disse nesta segunda-feira (20) na capital paulista que o setor cobrou apoio do governo federal após os efeitos negativos da Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira (17) pela Polícia Federal.

A operação investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, elogiou a Operação Carne Fraca, mas criticou a forma como foi feita a divulgação das investigações.

“Em um segundo aspecto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento se movimentou, e nós estávamos juntos, para responder pontualmente àqueles países que fizeram questionamentos diretos e também preparar uma nota técnica para os países que não questionaram para que se sintam tranquilos dentro do processo”, disse Camardelli. A Abiec também já se antecipou fazendo a tradução de sua nota técnica em todas as línguas e mantém o contato diário com os importadores e embaixadas.

Prejuízo Grande

Segundo Camardelli, ainda não é possível mensurar o prejuízo em relação ao mercado externo, mas já se sabe que há a suspensão das atividades de seis plantas (unidades) e que a China aguarda explicações brasileiras sobre os produtos que estão a caminho do país, o que deve deixar a carne presa nos contêineres por alguns dias.

“Nossa resposta é que já exportamos 1,5 milhão de toneladas, e o Brasil nunca foi veículo de coisa nenhuma, e isso [o escândalo] dentro da proporção não significa nada. Estamos ratificando frente aos nossos compradores que esse foi um episódio que teve amplitude de uma maneira sutil e que foi um processo de corrupção burocrática sem risco sanitário”, afirmou Camardelli.

Ele ressaltou que a população não deve entrar em pânico e que, em termos de saúde pública e segurança alimentar, pode ficar tranquila para consumir os produtos.

“Não existe diferença na produção para o mercado externo e interno. Todos os cuidados e análises são feitos. O consumo está ratificado e não existe risco para a população de nenhuma ordem. A área bovina está tranquila, e não teve nenhum associado da Abiec envolvido nos processos de fraude. As citações que houve de alguns grupos foram dentro do processo, dentro da avaliação e investigação.”

O diretor técnico da ABPA, Rui Vargas, disse que houve um grande equívoco técnico quando se fez uma massificação da informação tentando repassar uma imagem negativa da carne brasileira para os consumidores e importadores.

“Todas as coisas que foram ditas são equivocadas tecnicamente. As ações que nos foram comunicadas serão tomadas para aprimorar o processo e dar garantias fortes e seguras aos consumidores. O ministério nos comunicou que fará uma operação de auditoria em todas as empresas citadas.”

Polícia Federal

Vargas disse ainda que a operação da Polícia Federal deveria ter envolvido apenas a postura e o comportamento dos funcionários do ministério e das empresas citadas, e não a qualidade dos produtos. “Não havia motivo para falar da qualidade da carne ofertada. Ficou muito claro que as coisas estão dissociadas e que o governo está tomando medidas fortes tentando levar essa imagem ao conhecimento de todos os países e consumidores."

Francisco Turra elogiou a Operação Carne Fraca, mas criticou a forma de divulgação das informações. Para o presidente da ABPA, a notícia no dia da operação provocou desinformação generalizada, propiciando o surgimento de notícias sobre carne podre, contaminada e envenenada. “A operação é perfeita porque temos que perseguir a perfeição, mas a comunicação ensejou uma imagem de que tudo aqui é ruim.”

Turra ressaltou que agora a entidade tem como foco um trabalho de reconstrução da verdade, de separar “o joio do trigo”, para que tudo fique claro para o consumidor interno e externo.

“O Brasil é exportador. Então, nosso trabalho é deixar claro quem cometeu [erros] e onde. Se houve servidor público envolvido, o ministério tem que puni-lo, e as empresas também vão banir quem cometeu qualquer equívoco. Nossa luta é para dizer a verdade. Está muito claro que 99,9% dos produtores são corretos e inspecionados. A bioseguridade do Brasil é impecável”, afirmou.

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