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27/05/2012 - 00h12m

Autores debatem influência da realidade sobre obras de ficção

Folhapress/Marco Rodrigo Almeida, Enviado Especial 

SÃO FRANCISCO XAVIER, SP (Folhapress) - As implicações entre a realidade e o trabalho de um ficcionista foram o tema do último debate de hoje do Festival da Mantiqueira. O evento literário acontece em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (SP).

Participaram da mesa os escritores José Castello, Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni.

Castello comentou seu último romance, "Ribamar", inspirado na complexa relação que mantinha com o próprio pai.

A gênese do livro é curiosa. Tudo começou quando Rubens Figueiredo encontrou num sebo, em 2006, uma edição do livro "Carta ao Pai", de Kafka, que Castello dera a seu pai em 1976. Tendo novamente o livros em mãos, Castello começou a construir sua história mesclando um pouco de realidade com muito de ficção.

""Ribamar" é uma mistura de tudo, nem eu sei o que é"", define Castello. "O ficcionista não reproduz a realidade. Ela se infiltra no próprio ato da escrita."

"É sempre um dilema dizer o que é real, mas a realidade interfere em tudo que escrevemos", completou Rubens Figueiredo, que em seu último romance, "Passageiro do Fim do Dia", retrata a complexa teia de desigualdade social e de violência em uma grande cidade.

Figueiredo deu aulas na Cidade de Deus, no Rio, durante 25 anos e o contato com a pobreza serviu de mote para seu livro.

"Eu percebi a dificuldade que tinha em compreender meus alunos. Uma coisa é saber da pobreza. Outra é compreender as reações das pessoas dentro dessa situação. Minha tarefa foi traduzir essa ideia abstrata em concretude."

Num outro momento, Figueiredo provocou risos no público ao relembrar o início de sua carreira. Em 1978, aos 22 anos, trabalhando na editora Cedibra, ele traduzia livros de faroeste e sacanagem para o português.

Nisso, mais uma coincidência o liga ao autor de "Ribamar". Castello era um dos autores de faroeste da Cedibra.

Zeca Baleiro

O cantor lotou a Tenda Principal do Festival da Mantiqueira na tarde de hoje.

Baleiro comentou que Machado e Albert Camus foram fundamentais em sua formação literária.

"Na oitava série, um professor nos fez ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "O Estrangeiro". Uns três alunos devem ter se matado", brincou ele. "Mas ler os dois mudou minha vida."

Outro referência importante foi o poeta Murilo Mendes, que considera da mesma estatura de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.

Em casa, o cantor e os irmãos eram incentivados a ler pelo pai desde novos. "Minha irmã leu "Crime e Castigo" com 12 anos. Aí, ficou andando sorumbática pela casa. Minha mãe ficou preocupada."

Baleiro, que conta ler de quatro a cinco livros ao mesmo tempo, hoje dedica-se a musicar alguns contos de Nelson Rodrigues para um projeto de teatro.

Sobre sua carreira musical, disse não se considerar parte da MPB.

"Faço música pop, de apelo imediato. Não chego a ser um Luan Santana, mas faço música pop."

De gosto eclético, diz que só não gosta de ouvir pagode. "Temos que nos dar o direito de ser infame também. Temos que ouvir Waldick Soriano. Ele também é cultura."

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