São Paulo, SP, 19/12/2018
 
04/03/2017 - 16h36m

Bonecos gigantes de Olinda exigem perícia dos carregadores

Agência Brasil/Sumaia Villela, Correspondente no Recife 
Agência Brasil/Sumaia Vilela
Subir e descer ladeiras de Olinda com bonecos gigantes exige perícia e esforço
Subir e descer ladeiras de Olinda com bonecos gigantes exige perícia e esforço

Olinda, Pernambuco - Todos os anos, no carnaval, Kleber da Silva, de 32 anos, deixa de equilibrar caixas e vai equilibrar o boneco que abre o Encontro dos Bonecos Gigantes de Olinda (PE). Durante o festejo, ele não se apresenta como estoquista, seu trabalho regular.

Nas ladeiras carnavalescas da cidade histórica ele se veste com seu melhor uniforme e vira o “bonequeiro”, o homem por baixo do gigante.

Sem esses profissionais, o boneco fica sem vida, uma estátua sorridente como uma lembrança de outros carnavais. Ao colocar o gigante na cabeça, o personagem toma o espaço, ganha a altura de 3 a 4 metros, rodando seus braços livres e dançando com a multidão.

O trabalho, segundo Kleber, exige talento e dedicação. “Dançar com o boneco tem que ter muito equilíbrio e força de vontade. Porque botar na cabeça não é todos, não. Tem que ser bom. Precisa de segurança e gostar mesmo do coração”, ensina.

O olindense, morador no bairro de Guadalupe, começou a lida de bonequeiro ainda criança. Há 25 anos que lida com esses personagens. Posteriormente, foi trabalhar com Sílvio Botelho, artista plástico que organiza o encontro e construiu muitos dos ícones dos bonecos gigantes, como o Menino da Tarde. Ele faz dupla com o leiturista José Nelson de Assis dos Santos, de 28 anos.

"Ambos levam o boneco homenageado do encontro, a cada ano. Nesta edição é o Palhaço Chocolate. No desfile do último domingo, o leiturista apoiou o colega como guia, por causa do campo de visão limitado. “Quando estou do lado de fora, fico pegando água, dando resistência, guiando, abanando por causa do calor”, segundo Nelson.

E haja resistência. Em duas a três horas de trajeto, os 15 quilos do início do trajeto se transformam em 30/50 quilos, segundo a dupla. Apesar disso, os bonequeiros consideram uma honra realizar a proeza.

“Não tem como explicar o que eu sinto”, diz Kleber. O trabalho é sério, mas não precisa ser chato. É o que ensina o estoquista bonequeiro abre alas do Encontro dos Bonecos Gigantes de Olinda: “Eu levo na diversão”, ri, antes de sair dançando ladeira abaixo.

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