São Paulo, SP, 05/03/2021
 
21/04/2015 - 15h17m

Brasília comemora 55 anos com missa, shows, exposições e mais de 50 eventos esportivos

Agência Brasil/Carolina Gonçalves 

Brasília - As comemorações dos 55 anos de Brasília começaram cedo. Já nas nas primeiras horas da manhã, famílias e atletas tomavam as ruas da cidade com bicicletas, skates ou a pé para aproveitar o dia ensolarado e a programação diversificada. Para a festa deste ano, o governo do Distrito Federal programou 57 eventos em 27 locais diferentes.

Na Esplanada dos Ministérios, católicos acompanharam a missa comemorativa celebrada pelo arcebispo emérito da capital, Dom José Freire Falcão. Ele lembrou o dia em que chegou à cidade e se encantou com o projeto sonhado pelo então presidente Juscelino Kubitschek e pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

"Cheguei oito anos depois da inauguração e fiquei maravilhado com a cidade e com sua arquitetura, que ainda estava começando. A imagem da beleza celeste. Na primeira missa ainda não havia nenhuma construção, o material ainda estava chegando para a construção da cidade", lembrou o arcebispo.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que acompanhou a missa, na catedral de Brasília, ao lado da mulher, Márcia Rollemberg, destacou que hoje a cidade que ultrapassou os limites idealizados por Kubitschek enfrenta importantes desafios. Otimista, Rollemberg citou a saúde e educação como áreas prioritárias e se mostrou confiante na solução dos principais problemas enfrentados pela população da capital.

"Vamos trabalhar para reduzir as diferenças sociais, promover o desenvolvimento, distribuindo renda, melhorando os serviços publicos especialmente nas áreas de saúde e mobilidade urbana, garantindo creche para todas as crianças. Os desafios sao imensos, mas não são maiores que a capacidade de realização da população de Brasília. Com muita fé em Deus e com a ajuda do povo brasiliense, teremos dias melhores em Brasília", afirmou o governador.

Uma série de eventos foi agendada para celebrar os 55 anos da cidade, incluindo manifestações artísticas e eventos esportivos. Apenas o projeto Brasília – Faz a Festa, que recebe recursos da Petrobras, reuniu várias apresentações de música e dança previstas para diferentes horários e locais da cidade, como a estação central do Metrô-DF.

À tarde, na Torre de TV, será encenada a peça Os Dez Mandamentos da Capital, que retrata a saga de um grupo insatisfeito com o modelo de cidade. Às 17h, o Grupo de Pesquisa Cênica do Sesc-DF apresenta O Auto da Compadecida, em um espetáculo adaptado para apresentações ao ar livre, utilizando elementos da arte circense, da dança e da música.

No gramado da Torre, às 18h30, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro relembrará trilhas sonoras de filmes e fará um espetáculo com participação do violonista Roberto Corrêa.

À noite, a Torre de TV será ocupada pelo Baile do Almeidinha, projeto de gafieira do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda, que terá participação das cantoras Ellen Oléria e Rosa Passos. Os brasilienses também podem visitar exposições montadas em diferentes pontos da cidade.

Com fotografias, textos e croquis, elas remetem a importantes marcos da trajetória de 55 anos da capital. Entre os destaques, as exposições Brasília Através dos Tempos, dos Correios, e A volta de Brasília, a Cidade que Inventei, na Praça dos Três Poderes.

A partir das 17 horas, a estação central do metrô será transformada em Espaço da Dança, com apresentações de diversos estilos. No mesmo horário, no Salão Negro do Senado Federal, haverá um desfile com roupas usadas na inauguração de Brasília e nos eventos sociais da década de 1960.

O espaço é o mesmo da exposição Memórias Femininas da Construção de Brasília, com acervo inédito de documentos, fotos e objetos pessoais de pioneiras que aceitaram o desafio de viver em uma cidade ainda em formação.

Como a festa foi organizada para atender a todos os gostos, os eventos esportivos incluíram corrida de rua, maratona, natação, golfe, sinuca e regata. A 1ª Etapa do Circuito de Corrida de Rua abriu o calendário de provas na cidade. A programação continua por toda semana.

PIONEIROS LEMBRAM ÉPOCA DA CONSTRUÇÃO E DESAFIOS ATUAIS

Brasília (Agência Brasil/Ana Cristina Campos) - Na solenidade em que foram homenageados no sábado(18) no Catetinho, primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek em Brasília, pioneiros lembraram histórias da construção da capital e falaram dos desafios que a cidade enfrenta 55 anos após a inauguração, que será comemorada terça-feira (21).

A viúva do pioneiro Ernesto Silva, Sônia Silva, é homenageada pelo Governador do DF em evento comemorativo ao aniversário de 55 anos de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sonia Souto e Silva, de 77 anos, viúva do pioneiro Ernesto Silva, que faleceu aos 96 anos, em 2010, destaca que ainda há muito a comemorar em relação às obras feitas pelo povo brasileiro para o surgimento de Brasília. “Ele chegou aqui em 1955. Chamam o Ernesto de “pioneiro do antes”. Ele veio escolher o sítio onde seria localizada Brasília. O Ernesto adorava essa Brasília. O papel dele foi fundamental. Ele também orientou a construção do Hospital de Base”, contou Sonia.

O médico Ernesto Silva participou da equipe de especialistas liderada pelo marechal José Pessoa para definir a área onde seria construída a nova cidade e presidiu a Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal. No dia 15 de abril de 1955, Ernesto e o marechal escolheram o local onde Brasília seria erguida, o Sítio Castanho, onde estão a Asa Sul, a Asa Norte e o Eixo Monumental.

Para a viúva, a Brasília do início era mais calma. “Hoje é muito tumulto, cresceu muito, o trânsito é uma loucura, os ex-administradores deixaram tudo caindo: a saúde, a educação. As coisas estão se deteriorando por causa das pessoas que vão subindo no poder. As pessoas só querem usufruir e não pensam no progresso da cidade. O patrimônio está sendo descaracterizado”, lamentou.

O jornalista e historiador Jarbas Silva Marques, de 72 anos, contou que sua história com a cidade começou em janeiro de 1955, aos 12 anos, quando acompanhou o pai, caminhoneiro que foi levar sal e querosene de Goiânia, onde morava, a Formosa, também em Goiás. “Demoramos sete dias de Goiânia a Formosa. Hoje você faz [o trajeto] em três horas [de carro]. Tinha uma estrada velha para Formosa onde hoje é o lago [Paranoá], Sobradinho e Planaltina. Passei por aqui antes de ser escolhido o local para Brasília.”

Jarbas voltou para a capital federal em 1964, após deixar a prisão em Goiás. Já eram os tempos da ditadura militar. “Em 1967, a ditadura me prendeu novamente. Fiquei preso dez anos.”

Ele lembra que Brasília, na época da construção, era motivo de orgulho de todos os brasileiros. “Brasília virou um polo de desenvolvimento do país. O desafio de Brasília hoje são os especuladores imobiliários que querem deformar o projeto urbanístico de Lucio Costa. Foi esse projeto urbanístico que garantiu que Brasília fosse a primeira cidade moderna listada como Patrimônio Cultural da Humanidade.”

O aposentado Leonardo Barreiro Lemos, de 76 anos, conta que chegou ao Planalto Central em 1959, vindo da Paraíba, quando tinha 20 anos. Ele foi um dos 60 mil candangos (trabalhadores) que vieram participar do surgimento da nova cidade. “Ouvi falar que era bom. Vinha muita gente para cá. Decidi me arriscar. Vim em um caminhão com 50 pessoas. Vim para cá e me dei bem.”

Assim que chegou, Lemos trabalhou dez meses em um escritório improvisado com tapumes de madeira dentro do Congresso Nacional. “Eu tinha conhecidos que trabalhavam em uma empresa de construção e falaram que eu ia ganhar muito mais lá. Fiquei 26 anos na empresa onde me aposentei. Fui de apontador a gerente da firma.”

Segundo ele, nos primeiros tempos, Brasília era só construção, só tinha poeira e barro. "Depois começou a melhorar. Problemas, sempre tem. Tenho mais a comemorar do que a reclamar.”

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