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20/07/2013 - 14h05m

Camponeses reclamam de perderem terras para aeroporto Luanda

Agência Hoje Internacional 
Wikimedia Commons
Camponeses de Luanda reclamam falta de indenização da área onde viviam
Camponeses de Luanda reclamam falta de indenização da área onde viviam

Luanda, Angola (Agência Hoje Internacional) - Cerca de três mil famílias de camponeses que ocupavam a área onde está sendo construído o novo aeroporto de Luanda, encaminharam memorando ao ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás e ao governador Bento Francisco Sebastião, pedindo para serem incluídos em um programa de realojamento.  

O grupo relata que desde 2005, quando a área foi ocupada por uma companhia chinesa, encarregada de executar as obras do aeroporto, estão sem lugar fixo para morar. Alegam que teriam perdido plantações de mandioca e outras culturas de subsistência. Também não foram aproveitados na obra como empregados.

Segundo os camponeses, no início da construção, o então ministro dos Transportes, André Luís Brandão, teria garantido que todos eles seriam amparados. "Prometeram boas condições de vida, realojamento da população, indenização das duas lavras e garantia de emprego para os mais jovens. Nada disso foi feito nesses anos todos", aponta um deles.

O documento aponta também que todas as residências construídas em alvenaria foram destruídas pela construtora chinesa e as de madeira, queimadas. Pedidos de ajuda dirigidos à administração municipal de Icolo e Bengo não tiveram resposta, o que está gerando uma grande insatisfação.

Na administração municipal de Icolo e Bengo, assessores informaram que "não existe nenhuma irregularidade com os proprietários dos terrenos onde está sendo construído o novo aeroporto", mas que há uma comissão integrada por funcionários do Ministério dos Transportes, Casa Militar da Presidência da República, Governo de Luanda e Administração Municipal de Icolo e Bengo, trabalhando no processo de realojamento dos camponeses".

De acordo com os administradores, "eles estão sendo indenizados aos poucos e não é verdade que sejam mais de três mil os cidadãos à espera de indenização, nesse meio há muitos aproveitadores". Há indicações de que até agora apenas 30 famílias foram realojadas e receberam indenização de acordo com as benfeitorias que possuiam antes.

Há reclamações também em relação a maneira como são tratados pelos chineses que trabalham no aeroporto. "Alguns populares vivem em um lugar que foi cercado pela construtora e ficaram impedidos de circular livremente", conta o documento encaminhado ao ministro e ao governador. "Muitas vezes são revistados, acusados e humilhados", afirmam.

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