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24/05/2014 - 04h50m

Casos de dengue continuam aumentando e chegam a 6.005, mais 17,9% em uma semana

Agência Hoje 
Luiz Guadagnoli
Equipes da Prefeitura de São Paulo percorrem bairros para combater mosquito da dengue
Equipes da Prefeitura de São Paulo percorrem bairros para combater mosquito da dengue
  • Nas áreas de alta incidência do mosquito, trabalho é feito com auxílio de veículos
  • Com cuidado, técnicos isolam mosquito para realizar testes em laboratório

São Paulo (Agência Hoje) - Apesar da temperatura mais fria, o número de casos de dengue continua aumentando em São Paulo e na maioria dos municípios da Região Metropolitana. Há indíces muito altos também em cidades do interior, como Campinas, Taubaté, São José dos Campos e Atibaia. Populares culpam as prefeituras por não terem feito trabalho preventivo.

Em São Paulo, mesmo com o registro de temperaturas abaixo de 20 graus na maioria dos dias e as ações da Prefeitura no combate ao mosquito Aëdes Aegypti e na orientação dos bairros mais afetados, o total de casos registrados neste ano até esta sexta-feira, 23, chegou a 6.005, representando 17,9% a mais do que o registrado na semana passada.

Mais um caso de óbito pela doença foi registrado em São Paulo no decorrer da semana e chamou a atenção dos médicos, principalmente os que atuam na periferia. A Prefeitura de São Paulo está  pedindo o apoio da população para ajudar no combate ao mosquito tomando precauções e evitando deixar água parada em casa e nos quintais.

De acordo com especialistas, a dengue em São Paulo está sendo transmitida por duas espécies de mosquitos, o aëdes aegypti, mais conhecido, e também o aëdes albopictus. Ambos picam durante o dia e a noite, ao contrário do mosquito comum, que pica somente à noite.

Os transmissores de dengue proliferam-se dentro ou nas proximidades de habitações, casas, apartamentos, hotéis, em recipientes onde se acumula água limpa, tipo vasos de plantas, pneus velhos e cisternas.

Veja AQUI o registro dos casos de dengue nos distritos:

Crescimento Preocupa

O registro de casos de dengue na cidade de São Paulo continua em crescimento. Segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (22) pela Secretaria Municipal de Saúde, o total de casos registrados neste ano chegou a 6.005, mais que o dobro no mesmo período de 2013 e num patamar superior ao de 2010. A Secretaria Municipal de Saúde também confirmou mais uma morte pela doença, totalizando cinco óbitos na cidade.

Em comparação com a semana passada, o aumento do número total de notificações registradas foi de 17,9%. Antes, o crescimento tinha sido de 13%. Como os números são instáveis, mas ainda indicam crescimento no registro de casos, os próximos dias continuam sendo de atenção.

Por isso, a Prefeitura de São Paulo pede apoio da população no combate ao mosquito transmissor da doença.

Os dados divulgados nesta quinta-feira consideram as notificações recebidas nas primeiras 20 semanas epidemiológicas e podem variar na medida em que os casos são registrados pelas unidades de saúde públicas e privadas. O crescimento de notificações registradas neste último balanço se refere aos casos confirmados nas últimas quatro semanas, consideradas críticas.

Até o momento, a taxa de incidência da cidade é 53,4 (casos para cada 100 mil habitantes), considerada baixa de acordo com o Ministério da Saúde. Durante todo o ano passado foram confirmados 2.617 casos e índice 23,3.

Casos registrados em São Paulo:

Em 2010

Até a 20ª semana - 3.046 casos

Total do ano - 5.866 casos

Em 2011

Até a 20ª semana - 1.788 casos

Total do ano - 4.191 casos

Em 2012

Até a 20ª semana - 441 casos

Total do ano - 1.150 casos

Em 2013

Até a 20ª semana - 1.794 casos

Total do ano -  2.617 casos

Em 2014

Até a 20ª semana - 6.005 casos

Total do ano - Não computado

Os casos confirmados de dengue avançam em distritos já identificados em balanços anteriores. Dos 96 distritos administrativos da cidade, 93 estão em transmissão da dengue. Na maioria deles (62) o nível de transmissão está no início. Em 27 distritos o nível de transmissão é de alerta e quatro estão em nível de emergência.

Desses quatro com nível de emergência de transmissão, três estão na zona oeste: Jaguaré, com 844 casos registrados e taxa de incidência de 1692,6 (alto); Rio Pequeno, com 425 casos e incidência de 358,8 (alta); e Lapa, com 365 casos e incidência de 555,2 (alta); e um na zona norte: Tremembé, com 347 casos e incidência de 175,9 (média).

Entre os 27 distritos onde o nível de transmissão é de alerta estão Pirituba, com taxa de incidência de 120,9 (média); Jaguara, com incidência de 140,6 (média); Carrão, com incidência de 169,3 (média); Vica Jacuí, com incidência de 146,1 (média); e Santo Amaro, com incidência de 136,9 (média).

Mortes Confirmadas

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou nesta semana mais uma morte por dengue na cidade. No dia 24 de abril morreu uma mulher, de 33 anos, que morava na Capela do Socorro, na zona sul.

A Secretaria já havia confirmado quatro mortes por dengue grave no município em abril. No dia 11 morreu um homem de 68 anos e no dia 13 duas mulheres, uma de 34 anos e a outra 69 anos. O homem e uma das mulheres moravam no Tremembé. A outra era do Jaguaré, mas recebeu todo atendimento de saúde em Osasco.

O primeiro caso de óbito confirmado no 7 de abril. O menor I.B., 6 anos. A criança morava no Jaguaré, distrito com alta incidência.

Combate e Prevenção

Na Zona Leste, até o domingo, dia 25, as ações de combate a dengue serão realizadas em sete subprefeituras. Na Cidade Tiradentes, 20 agentes farão 25 bloqueios de criadouro, duas ações de nebulização e aplicação de toucas para caixas d’água em 30 pontos. Em Guaianazes serão 45 agentes, divididos em duas regiões diferentes da regional, que realizarão 13 bloqueios de criadouros, nebulizações e a subprefeitura fará uma Operação Cata Bagulho.

Nas quatro regiões de Itaquera, atuarão um total de 92 agentes, sendo 23 em cada uma, que farão 24 bloqueios de criadouros e oito nebulizações. Em São Mateus serão 24 agentes, sendo oito em cada uma das três regiões, fazendo dez bloqueios de criadouros e uma nebulização. Na três áreas de São Miguel Paulista, 81 agentes farão 11 bloqueios de criadouros.

Além disso, 20 agentes atuarão em cada uma das duas regiões de Ermelino Matarazzo e mais 70 agentes trabalharão divididos em duas áreas do Itaim Paulista.

Na região Sudeste, as ações que foram iniciadas no dia 19 estão programadas até o próximo domingo (25), com 56 agentes atuando na subprefeitura do Jabaquara, além de outros quatro que estarão na Vila Prudente no próximo sábado (24).

Na Zona Oeste, 60 profissionais trabalharão para visitar 3 mil imóveis até o próximo dia 27, onde estão previstas 35 ações de bloqueio e trabalhos efetivos em 1,2 mil residências. Serão feitas ainda na região duas nebulizações, duas operações Cata-Bagulho e a distribuição de 30 toucas para caixas d’água. Um mutirão de bloqueio será realizado nesta subprefeitura no sábado (24) a atingirá ainda o Butantã no mesmo dia.

Na Zona Sul, Campo Limpo, Capela do Socorro, M'Boi Mirim, Parelheiros e Santo Amaro também contarão com ações de combate. No Campo Limpo, 60 agentes farão até domingo (25) dez nebulizações e 25 bloqueios de criadouro. Na Capela do Socorro serão 19 bloqueios, 25 nebulizações e uma operação Cata-Bagulho com o apoio de 120 profissionais.

No M'Boi Mirim, 60 agentes farão 13 bloqueios e seis nebulizações. Em Parelheiros serão três bloqueios e duas nebulizações, enquanto em Santo Amaro, 54 agentes farão 20 bloqueios e quatro nebulizações.

Até domingo (25), seis subprefeituras da Zona Norte também terão ações de combate a dengue. Na Cachoeirinha, 30 agentes farão 40 bloqueios de criadouros e sete nebulizações. Na Freguesia do Ó, 93 profissionais realizarão 90 bloqueios e 12 nebulizações, enquanto no Jaçanã, 14 profissionais farão dez bloqueios de criadouros e 15 nebulizações.

Em Perus, serão 70 bloqueios e dez nebulizações com 86 profissionais e em Santana, onde atuarão 42 agentes, serão 50 bloqueios e 24 nebulizações. Ainda na região, 78 agentes atuarão na região da Vila Maria, em 60 ações de bloqueio e dez nebulizações.

Como prevenir

- Pratos de vasos de plantas devem ser preenchidos com areia;

- Tampinhas, latinhas e embalagens plásticas devem ser jogadas no lixo e as recicláveis guardadas fora da chuva;

- Latas, baldes, potes e outros frascos devem ser guardados com a boca para baixo;

- Caixas d’água devem ser mantidas fechadas com tampas íntegras sem rachaduras ou cobertas com tela tipo mosquiteiro;

- Piscinas devem ser tratadas com cloro ou cobertas;

- Pneus devem ser furados ou guardados em locais cobertos;

- Lonas, aquários, bacias, brinquedos devem ficar longe da chuva;

- Entulhos ou sobras de obras devem ser cobertos, destinados ao lixo ou “Operação Cata-Bagulho”;

- Cuidados especiais para as plantas que acumulam água, como bromélias e espadas de São Jorge; ponha água só na terra.

Sintomas da Dengue

A presença de dois sinais, combinada com febre alta, é indicação para procurar o serviço médico, principalmente, quem está chegando de viagem de região contaminada. Os sintomas da Dengue Clássica como é chamada, acrescida de dor abdominal contínua, suor intenso e queda de pressão caracterizam a Dengue Hemorrágica.

- Febre alta (acima de 38°C)

- Fraqueza e prostração ou fraqueza

- Dor no corpo e nas juntas

- Dor de cabeça

- Dor no fundo dos olhos (Sem resfriado ou coriza)

Entenda o índice: Taxa de incidência de dengue*

0 a 100 casos por 100 mil habitantes - baixa incidência

100 a 300 casos por 100 mil habitantes - média incidência

Acima de 300 casos por 100 mil habitantes - alta incidência

* Ministério da Saúde

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