São Paulo, SP, 30/04/2017
 
17/01/2017 - 16h34m

Chefe Secreto do Fantástico aprende no dia a dia da empresa

Agência Apoio 
Transpes/Divulgação
Tarcia Gonzalez conversa com empregado durante filmagem do Fantástico
Tarcia Gonzalez conversa com empregado durante filmagem do Fantástico

Belo Horizonte - Ao participar do quadro Chefe Secreto, do Fantástico, Tarsia Gonzalez, presidente do Conselho Administrativo da Transpes, uma das maiores empresas de logística do país, pôde detectar não conformidades nos processos empresariais e corrigi-los.

Os ganhos podem significar ganhos em produtividade e maior segurança para os funcionários.

Tarsia Gonzalez, a empresária que idealizou e implantou processos na Transpes para a conquista dos três prêmios consecutivos de melhor empresa para se trabalhar do Brasil, viveu, este ano, uma experiência que jamais havia imaginado.

Conhecer Processos

Ao aceitar ser a primeira participante da nova temporada da série Chefe Secreto, do Fantástico, e gravar, durante duas semanas, disfarçada e como uma funcionária iniciante em diversas áreas da empresa, a gestora, hoje presidente do Conselho de Administração da Transpes, ficou frente a frente com processos que não estavam funcionando como esperado.

E usou essas informações para melhorá-los, em busca de mais segurança para o dia a dia dos funcionários e maior produtividade para a companhia.

“Após a convivência de duas semanas com os funcionários, percebi que existiam responsabilidades muito grandes em relação à companhia que não eram percebidas no dia a dia, não conformidades que surgiam como necessidades de melhoria, ações preventivas que só foram possíveis de serem identificadas uma vez que vivenciadas no dia a dia”, explica Tarsia.

Algumas dessas não conformidades foram consideradas graves por Tarsia, por resultarem em risco para os funcionários, outras causavam insatisfação desnecessária, o que diminuía a produtividade das áreas. Uma das maiores preocupações foi com a comunicação entre os gestores e seus subordinados.

Muitas vezes, a falta de comunicação gera inúmeros problemas, e aumentar o treinamento ou realocar pessoas pode ser uma solução rápida e eficaz”, enfatiza. “As empresas estão passando por um processo de mudança, as demandas devem ser atendidas com agilidade e são necessários chefes com maior liderança, mais sentimento de apego pela companhia e tudo que diz respeito a ela, como acontecia no passado”, pondera a gestora.

Está na hora de provocarmos uma mudança no comportamento dos profissionais do mercado, uma tomada de consciência de que o descaso não pode mais fazer parte do dia a dia de uma empresa de sucesso”.

Erros e Acertos

Ela enumera algumas dessas não conformidades, que estão sendo resolvidas ou transformadas em melhorias:

1. Falta de organização dos materiais de amarração dentro dos caminhões, e necessidade de seguir um padrão de organização e limpeza;

2. Falta de comunicação entre o gestor de área e os motoristas, que pode requerer mais treinamento;

3. Falta de procedimentos padrão para acondicionamento correto dos alimentos nos caminhões e necessidade da reforma na cozinha dos veículos;

4. Falta de informação aos motoristas sobre melhores práticas para uma alimentação saudável e preventiva;

5. Falta de troca de caminhões, mesmo já havendo sido solicitado diversas vezes;

6. Necessidade de melhoria nos locais de descarte e coleta de lixo, para que a coleta seletiva seja efetivamente realizada;

7. Falta de substituição do técnico de segurança que estava de férias;

8. Equipamentos da borracharia em péssimo estado e local completamente inadequado, o que demonstra falta de liderança na filial;

9. Ações realizadas sem equipamentos adequados, como montagem e desmontagem de pneus, o que diminui a eficiência nos reparos;

10. Necessidade de reformas na oficina, para beneficiar a saúde dos funcionários;

11. Não utilização efetiva dos EPI’s, mesmo tendo disponíveis;

12. Falta de unidade no uniforme dos borracheiros, que devem ser os mesmos da Matriz;

13. Necessidade de caneta ideal para marcação e controle dos pneus;

14. Necessidade de instalação de cabos de segurança (linha de vida) para que o funcionário utilize durante a lavagem dos guindastes e em cima das cabines, melhorando sua performance, já que são, em média, uma lavagem de 16 conjuntos por dia, isto significa 32 equipamentos;

15. Necessidade de reparos a serem executados na grade de segurança da vala, evitando riscos de acidentes;

16. Necessidade de melhorar a organização dos produtos de limpeza utilizados no lavador;

17. Necessidade de aquisição de maquinário mais potente para lavagem de carros pequenos;

18. Necessidade de acompanhamento de um técnico de segurança para melhorar ações preventivas e antever os riscos de acidentes;

19. Controles da qualidade da água feitos todos à mão e somente depois digitalizados;

20. Falta de ouvir necessidades dos colaboradores, como novos cursos e conhecimento a mais para executar suas tarefas – percepção de que o interesse existe, falta apenas um processo para que isso aconteça;

21. Necessidade de engajar os novos funcionários com a história da companhia, pois apenas os mais antigos conheciam profundamente o negócio e a grande maioria que iniciaram as atividades nos últimos 3 anos, desconheciam até mesmo o organograma da empresa;

22. Necessidade de revisão do treinamento introdutório da companhia e um reforço da informação, em decorrência do desconhecimento de parte dos funcionários quanto à história da Transpes;

23. Revisão no processo de entrega de materiais, desde o uniforme e ferramentas de trabalho iniciais, evitando acomodação e agilizando o dia a dia de todos;

24. Verificação de falta de liderança e agilidade em processos intermediários da companhia, como carregamento de vagões. É preciso que a empresa atualize seu time para o senso de urgência do mercado atual.

Tarsia revela que ficou surpresa ao se deparar com a realidade do dia a dia do “chão de fábrica” da companhia.

“Eu imaginava muitos detalhes diferentes e me assustei com alguns comportamentos, que às vezes pensamos não existir. Especialmente com a falta de comprometimento, profissionais que não se envolvem com os possíveis problemas e soluções necessários para melhorar o negócio do qual fazem parte”.

Ela cita o comprometimento como uma das maiores mudanças que precisam ser realizadas: “só pessoas que realmente se sentem parte do negócio podem se desenvolver e ser mais felizes no que fazem”, garante ela.

Os processos, para Tarsia, servem como norteadores, mas precisam estar condizentes com as necessidades reais dos funcionários, o que muitas vezes não acontece porque são criados em salas de reuniões, não nas garagens ou na linha de produção. Existe hoje uma necessidade de reinventar as empresas, o que deu certo no passado não é mais garantia de sucesso, o ciclo do crescimento das empresas mudou completamente e as pessoas precisam mudar urgentemente.

“Percebo que este trabalho é 100% responsabilidade dos executivos que devem, dentro de cada estrutura, chamar a atenção da necessidade de um serviço diferenciado, tanto para o cliente interno, como para o cliente externo”, finaliza.

Sobre Tarsia Gonzalez

Aos 13 anos, seu sonho era comprar um par de sapatos de salto. O pai disse que, para isso, ela precisaria trabalhar, mas o sonho do sapato foi apenas o estopim para uma carreira sólida, que começou aos 16 anos e resultou na ampliação da empresa, com foco especial na satisfação de seus funcionários.

Formada em psicologia, Tarsia aprendeu na prática como é alavancar sucessos e deseja levar essa experiência a outras empresas: “meu objetivo é realizar mudanças significativas, criando diferenciais motivacionais em pessoas, companhias e instituições que tenham como objetivo agregar o quociente humano a metas de produtividade”.

Com foco em levar processos assertivos a outras companhias, para que possam atingir o nível de governança necessária para o seu sucesso, Tarsia quer ser vista como a peça que faltava para criar ambientes propícios ao crescimento sustentável de pessoas e companhias.

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