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06/05/2012 - 15h14m

Chiquinha Gonzaga inspira dança e música na Estação da Luz

Agênciac Brasil/Elaine Patricia Cruz 
Agência Hoje/Arquivo
Lembranças de música e dança da maestrina Chiquinha Gonzaga podem ser vistas na Estação da Luz, em São Paulo
Lembranças de música e dança da maestrina Chiquinha Gonzaga podem ser vistas na Estação da Luz, em São Paulo

São Paulo - Na correria do dia a dia, no ritmo apressado de São Paulo, uma pausa para a arte. Essa é a proposta do espetáculo Duas Memórias, que está sendo apresentado todas as terças, quintas e sextas-feiras no saguão da Estação da Luz, no centro da capital, até o dia 18 de maio.

Por cerca de uma hora, os artistas, integrantes da companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros, caminham por entre os curiosos e dançam pelo saguão, atraindo a atenção dos que passam pela estação. Duas Memórias é um espetáculo de improvisação em dança e música, acompanhado por músicas inspiradas na obra de Chiquinha Gonzaga, compositora e pianista brasileira do início do século 20. Na apresentação, outros instrumentos como violino, escaleta e percussão acompanham a execução em piano.

“Esse é um espetáculo de dança contemporânea e música, de improvisação, feito para lugares abertos e públicos, onde nos utilizamos do fluxo cotidiano da cidade e da arquitetura do lugar. Ele se adapta ao lugar onde a gente se apresenta”, explicou Alex Ratton Sanchez, bailarino, interpréte e diretor.

O espetáculo mescla o passado da estação e as músicas de Chiquinha Gonzaga a uma linguagem contemporânea. A ideia, segundo o grupo, não é fazer uma releitura da obra da pianista, mas evocar a memória desse espaço histórico (a estação) por meio de uma musicalidade inerente àquela época. “A ideia do trabalho é levar um pouco de poesia e de arte para lugares onde não se imaginava que isso iria ocorrer. Esse aqui, principalmente, é um lugar onde as pessoas passam muito rápido. Elas atravessam, estão sempre com pressa e com o objetivo de chegar a algum lugar. E quando elas percebem que alguma coisa fora desse cotidiano está acontecendo, elas param, observam e dão um tempo na vida delas para curtir o momento”, ressaltou.

A escolha pela Estação da Luz se revelou muito rica para o grupo, disse o diretor. “É um lugar muito movimentado, com um fluxo muito grande de pessoas e muito heterogêneo. Há desde moradores de rua a pessoas que vêm para fazer compras ou passear, estudantes que vão para a Pinacoteca (Pinacoteca do Estado) e o Museu da Língua Portuguesa, além de turistas”, acrescentou.

A aposentada Maria Ester de Souza é uma dessas pessoas. Passando pela Estação da Luz, na última sexta-feira (4), Maria Ester se deparou com a apresentação do grupo e decidiu parar para assisti-la. “É muito lindo. Amo ver essas meninas girando e dançando. É um equilibrio físico delas e mental para mim”, disse ela à Agência Brasil.

Quem também parou para assistir ao espetáculo foi o casal de estudantes Felipe Mares e Suelen da Silva, que tinham ido visitar a Pinacoteca do Estado e passaram pela Estação da Luz no momento da apresentação. “Viemos em busca de arte hoje e nos impressionamos com essa apresentação inovadora”, disse Suelen.

“Antes, a cultura era um pouco elitizada e algo assim [como a apresentação] é uma atitude social, mais que artística. As pessoas mais simples que passam por aqui conseguem também interpretar e dar significados a isso, mesmo que não saibam a origem ou seus conceitos teóricos. O sentimento não é só dos ricos, mas de todas as pessoas que passam por aqui”, comentou Mares.

As apresentações ocorrem sempre às 13h e são gratuitas.

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