São Paulo, SP, 23/05/2017
 
19/04/2017 - 05h26m

Com poucos recursos, Instituto de Câncer reduz atendimento

Agência Hoje 
Reprodução
Com mais pacientes para atender, Instituto de Câncer entra em crise e pede apoio
Com mais pacientes para atender, Instituto de Câncer entra em crise e pede apoio

São Paulo - Sem recursos, registrando prejuízos nos últimos quatro meses e com dificuldades para pagar fornecedores, o Instituto de Câncer Doutor Arnaldo Vieira de Carvalho está limitando o atendimento a 130 internações cirúrgicas de alta complexidade por mês.

O hospital, em atividade em São Paulo desde 1929, atende exclusivamente pelo SUS. Com a crise financeira e o aumento do desemprego houve redução drástica do número de pessoas que tinham planos de saúde. Em consequência, unidades de saúde consideradas de referência, como o IAVC, passaram a atender o dobro de pacientes.

Em março, por exemplo, fez 497 cirurgias, mas o SUS só pagou o equivalente a 130. Ao todo, o Instituto de Câncer recebe dois mil pacientes por dia, mil deles pela primeira vez. Pelo menos 300 moram em outras cidades.

Com tanta defasagem, o IAVC entrou em crise financeira e apelou primeiro para a Prefeitura de São Paulo, depois para o Governo do Estado e por fim ao Ministério da Saúde, tudo sem resultado. “Nós não queremos nada do que não fazemos, nós queremos receber simplesmente o serviço que está sendo prestado para a população”, afirma Sérgio Innocenzi, diretor executivo do Instituto de Câncer.

Limite de Atendimento

A diretoria do hospital defende o recebimento de R$ 800 mil pelas internações cirúrgicas que foram realizadas a mais. Como o pagamento não foi feito, veio a crise. A saída a partir de agora é limitar o atendimento a 130 internações por mês, insistir na cobrança para saldar as dividas com fornecedores e evitar o fechamento.

Fundado há 96 anos, o Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho é o hospital para tratamento de câncer mais antigo do Brasil e da América Latina. O seu atendimento é exclusivo para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Também desenvolve pesquisas e atua na formação de médicos especializados nas áreas de cirurgia oncológica, radioterapia e oncologia clínica.

A médica Silvia Regina Graziani, especializada em Cancerologia, explica que o Instituto tem função importante na área de pesquisas. "Temos um Centro de Pesquisa atuante, que pesquisa novas drogas e esquemas terapêuticos, além das pesquisas Institucionais".

Para ela, mesmo sendo um hospital de referência, com grandes serviços prestados ao público sofre com a falta de recursos financeiros. "Devido ao fato de atendermos 100% dos pacientes do SUS, somos reféns de uma tabela de honorários que não se atualiza há muitos anos. Não temos outras fontes de renda e esta situação colocou o Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho em estado de penúria".

E prossegue: "o Serviço de Oncologia Clínica tem número de atendimento e tratamento quimioterápico entre o segundo e terceiro do Estado de São Paulo e os números de atendimento para procedimentos quimioterápicos, radioterápicos e de cirurgia oncológica estão entre os maiores do Brasil".

Apoio da População

A preocupação da diretoria e dos médicos que atuam no Instituto de Câncer é obter apoio da população para manter o hospital em funcionamento e em condições de atender todos os pacientes que precisam de cuidados e não apenas um número limitado.

"Por este motivo necessitamos da ajuda de todos que possam interferir para que possamos continuar a atender os pacientes do SUS", justifica Silvia Graziani. E acrescenta: "nossos principais problemas que geraram a limitação do atendimento oncológico são:

1) Dívida acumulada que geram deficit de receita

2) Mensalmente temos atendido pacientes além do "teto" preestabelecido, devido ao fato de não haver outras Instituições abertas em sua plenitude aos pacientes oncológicos

3) Nossa receita é repassada do Ministério da Saúde (SUS) para a Prefeitura de São Paulo.

4) Não concordamos com a redução do atendimento aos pacientes, pois sabemos que os pacientes do SUS não serão atendidos em nenhum outro local.

5) Temos condições físicas e profissionais qualificados para continuar atendendo com a excelência que sempre atendemos aos pacientes do SUS.

No final, ela faz um apelo dramático: "não deixem o Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho fechar".

Está circulando em todo país um abaixo assinado pedindo para que a Prefeitura, o Governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Saúde sejam sensíveis ao problema do Instituto de Câncer, permitam o atendimento de todos os pacientes que precisam de cuidados e liberem o pagamento dos valores em atraso.

As mensagens podem ser encaminhadas através das redes sociais.

Veja, na íntegra, o texto do ofício assinado pelo presidente do Instituto de Câncer, Sérgio Innocenzi:

São Paulo, 04 de abril de 2017.

O Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, hospital que atende os pacientes do Sistema Único de Saúde/SUS na sua integralidade e, centro de referência em alta complexidade para oncologia, leva ao conhecimento da população que, por questões de limitação orçamentária, pactuada em Convênio no. 037, de 09 de outubro de 2013, assinado com a Secretaria Municipal de Saúde, estará atendendo os pacientes portadores de patologia oncológica mediante demanda submetida à regulação e autorização do Complexo Municipal a partir do dia 03 de abril de 2017.

O referido convênio prevê atendimento de 130 internações cirúrgicas mensais de alta complexidade. Esclarecemos que o teto financeiro para as 130 internações cirúrgicas mensais pactuado é de R$ 780 mil.

Ocorre que, nos últimos sete meses, a instituição realizou em media 264 internações cirúrgicas por mês causando um prejuízo mensal pelo não recebimento das internações na ordem R$ 800 mil.

Todos os esforços para resolver essa situação foram feitos junto aos Poderes Municipal, Estadual e Federal, porém sem qualquer sucesso.

Portanto, a partir desta data, os pacientes que excederem o teto físico para internações cirúrgicas serão direcionados à Secretaria Municipal de Saúde para que referencie em quais serviços credenciados os pacientes poderão obter atendimento.

Atenciosamente,

SÉRGIO INNOCENZI

PRESIDENTE INSTITUTO DE CÂNCER DR. ARNALDO

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