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30/11/2014 - 10h54m

Conceito de moradia discutido em exposição fotográfica; são 31 trabalhos de Paulo Pampolin

Agência Brasil/Elaine Patricia Cruz 
Divulgação
Exposição com 31 fotos de Paulo Pampolin ficará na Caixa Cultural até março de 2015
Exposição com 31 fotos de Paulo Pampolin ficará na Caixa Cultural até março de 2015

São Paulo - Uma exposição em São Paulo discutirá a situação e o conceito de moradia na capital paulista. Denominada São Paulo: Dentro e Fora, a mostra apresentará 31 fotografias e instalações de Paulo Pampolin, produzidas ao longo de duas décadas de trabalho.

“A exposição discute a questão da moradia em São Paulo, cidade com o maior déficit habitacional do Brasil. Convivemos com isso no dia a dia. Observamos pessoas morando nas ruas e milhares de habitações coletivas espalhadas pelo centro. Além disso, recentemente ocorreu um boom imobiliário, elevando os preços dos aluguéis e dos imóveis. Tudo isso influenciou nossa relação com a moradia”, destacou Lucila Mantovani, uma das curadoras da exposição, em parceria com Lúcia Camargo.

Segundo ela, 30% das pessoas que vivem em São Paulo moram de forma muito precária, em favelas, cortiços ou habitações coletivas. “Esse pessoal ocupa apenas 10% do território. É uma questão alarmante”, ressaltou a curadora.

Em entrevista à Agência Brasil, Lucila informou que as fotos de Pampolin retratam São Paulo como um todo. "Entretanto, a questão da moradia saltou nas imagens dele”, disse. Ela acrescentou que as fotos, que caminham entre o trabalho documental e autoral, mostram incêndios em favelas, a arquitetura da cidade e ocupações coletivas.

“Há imagens de um prédio, tiradas à noite, com várias janelas mostrando a diversidade da relação humana com o lar e como cada pessoa decora sua casa”, observou.

Para a curadora, a exposição não pretende apenas discutir moradia por meio de abordagem social ou política. “O problema tem um lado muito poético. Quem mora nas ruas também pinta paredes ou coloca um quadro para demonstrar que ali é sua casa. É uma situação afetiva que temos com São Paulo. Cada um acaba criando relação afetiva com o lugar que escolheu para morar”, assinalou.

A exposição conta com duas partes interativas. A primeira, no hall central, utiliza 30 imagens de Pampolin em monóculos. “Os monóculos cairão do teto e as pessoas poderão ver algumas outras imagens além das que estão impressas na parede”, explicou a curadora.

A segunda, uma parede ocupada pelo visitante, tem como intervenção inicial polaroides feitas por adolescentes. “Sobre o recorte da foto de Paulo Pampolin temos um projeto educativo do fotógrafo Luciano Spinelli, que é um workshop com crianças e adolescentes que moram no Cine Marrocos.

São fotos vivenciais, que dialogarão com as fotos do Paulo”, comentou. De acordo com a curadora, essa parede ficará aberta para que os visitantes da mostra escrevam mensagens ou falem sobre a moradia.

A exposição começa no próximo sábado (6), na Caixa Cultural São Paulo, no centro da capital, e fica em cartaz até 1º de março de 2015. A programação inclui mesa-redonda, oficina e debate. Todas as atividades são gratuitas.

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