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05/06/2015 - 12h28m

Conheça as espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil

Portal EBC/Luiz Claudio Ferreira 
Reprodução
Arara-azul é comumente vítima do tráfico ilegal de animais
Arara-azul é comumente vítima do tráfico ilegal de animais

Brasília - Nada interrompe o bicho mais forte. Nem os gritos das florestas, muito menos os silêncios que ecoam de lá. O bicho ergue cidades, joga árvores para baixo, contamina rios, caça, tira as penas, coordena a ilegalidade de matar e tratar tudo como negócio.A bolsa de valores cresce, mas os dos valores de responsabilidade socioambientais caem.

Seja como for, no Brasil, o bicho ser humano é o principal responsável pela ameaça de extinção de 1173 espécies na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa, incluindo espécies terrestres e aquáticas. As questões são complexas, por vezes, porque comunidades inteiras também vivem da venda de animais e não foram orientadas sobre o impacto na natureza.

O Portal EBC ouviu especialistas, entidades do governo, de organizações não-governamentais e ambientalistas para criar uma lista com exemplos de animais “Criticamente ameaçados de extinção”, “Em Perigo e em "Situação Vulnerável. As três categorias representam os maiores sinais de alerta para eliminação da natureza, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação (Icmbio).

Entenda a amostra

A preocupação de pesquisadores, governo e ambientalistas se transforma em estudos permanentes. Em 2014, o Icmbio categorizou 1.173 espécies a partir de uma análise ampla de 12.256 animais no Brasil feita por 1.383 especialistas em todo o país.A partir da categorização, os profissionais descobriram que 88 animais saíram dessa lista.

Entre esses bichos, está a arara-azul do Pantanal. Segundo a bióloga Neiva Guedes, o trabalho árduo do "Projeto Arara Azul" era aumentar a conscientização das comunidades que conviviam com a ave na região. Eles promoveram o trabalho árduo de manejo e a conservação de uma população viável de araras azuis na natureza a médio e longo prazo. Por consequência, permitiram também a conservação do Pantanal como um todo.

O Projeto Arara Azul é realizado em cinco regiões do Pantanal Sul-Matogrossense: Nhecolândia, Abobral, Rio Negro, Miranda e Aquidauana, através de atividades como cadastramento de ninhos naturais, instalação de 260 ninhos artificiais, monitoramento e manejo de ninhos, ovos e filhotes”. Na década de 1980, a estimativa era de 1500 animais, hoje passam de cinco mil. Para a biológia, conscientizar a comunidade foi tarefa importante para que as pessoas soubessem que poderia haver outra forma de renda.

Causas: desmatamento e tráfico de animais

Todos os especialistas consultados para a criação da lista multimídia foram taxativos em afirmar que o desmatamento é um dos principais responsáveis pela extinção das espécies. Entre os impactos da destruição das florestas, está a mudança de habitat e dificuldades de alimentação e reprodução

Outro motivo que preocupa é a o tráfico ilegal de animais silvestres. O ambientalista Dener Giovanini, que coordena organização não-governamental para combate da venda ilegal, lembra que o tráfico é responsável ainda hoje por ameaçar inúmeras espécies contando com a ineficiência de fiscalizações e falta de punição. A história da arara-azul é uma das poucas vitórias a serem celebradas, já que outras batalhas ainda ainda estão longe de um final feliz, como são do sauim-de-coleira (na Amazônia), do mutum-do-nordeste (da Mata Atlântica), da ararinha-azul (da Caatinga) ou do cardeal-amarelo (Pampa). Atualmente, essas espécies são consideradas praticamente extintas, mas possuem programas de cativeiro e podem ser reintroduzidas na natureza nos próximos anos.

Por outro lado, 395 novas espécies entraram na lista de ameaça. Isso se deve também porque a amostragem da pesquisa cresceu 830%. O desafio de sensibilização não é simples. Um espelho disso, segundo a professora Debora Salvino, da Universidade Católica de Brasília, uma das principais autoridades brasileiras no estudo de anfíbios, é que se torna cada vez mais difícil comover a sociedade mesmo para espécies carismáticas. “Então, imagine o que é convencer as pessoas da importância de sapos e cobras. E eles são muito importantes para gente, inclusive para a pesquisa de medicamentos e equilíbrio do meio. Diminuem os sapos, aumentam os insetos”, exemplifica.

Já o professor da Universidade de São Paulo (USP), Luis Fábio Silveira, um dos maiores estudiosos de aves do país, lembra que a conservação da natureza não é responsabilidade apenas dos pesquisadores. “Nós todos moramos aqui. Devemos levar esse assunto nas escolas para as crianças e deve fazer parte da vida dos adultos”, enfatiza.

O professor Clodoaldo Assis, que descobriu recentemente uma nova espécie de perereca dentro de um bambu no interior de Minas Gerais, defende que todos os animais, por menores que sejam, merecem especial atenção. “Com a classificação da espécie, pode haver plano para conservação. Além de tudo o que pode beneficiar o ser humano, devemos lembrar que nós não temos direito algum de acabar com outro animal”.

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