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06/11/2014 - 13h58m

Conheça mais sobre a história e a diversidade da cultura brasileira

Agência Hoje  
Reprodução
O quadro "Os Operários" de Tarsila do Amaral mostra a diversidade do povo brasileiro
O quadro "Os Operários" de Tarsila do Amaral mostra a diversidade do povo brasileiro

São Paulo (Agência Hoje/Isabela Guiaro) - O Brasil é um país com grande diversidade cultural, pois de norte a sul temos diferentes manifestações que ajudam a dizer o que é ser brasileiro. Pensando nisso, em 15 de maio de 1970 foi criada uma lei que define o dia 5 de novembro como Dia Nacional da Cultura Brasileira. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do escritor, político e diplomata Rui Barbosa.

Embora se tenha a ideia de que cultura está apenas associada a manifestações artísticas, tais como música, cinema, teatro, pintura, entre outros, o conceito é muito mais amplo. Ela engloba, também, os costumes, a língua (e dialetos), a culinária, o esporte e as crenças de um determinado grupo social.

A raiz da cultura brasileira é europeia, pois quando o povo lusitano colonizou o Brasil, na bagagem vieram, entre outras coisas, a língua portuguesa e o cristianismo. Séculos mais tarde, os costumes de Portugal passaram a ser mesclados com os indígenas e africanos, o que é visto com mais força no norte e nordeste do país.

Já no sul, vemos mais a presença do modo de vida europeu e de sua cultura, trazidos principalmente pelos italianos, espanhóis e alemães.  Nas regiões fronteiriças, vemos uma grande influência de bolivianos, paraguaios, argentinos, uruguaios, peruanos e colombianos. Além disso, recentemente contamos com uma contribuição dos japoneses e árabes.

Artes visuais

Embora a pintura fosse algo presente entre os indígenas, as artes visuais ainda funcionavam de maneira experimental e amadora nos primórdios do Brasil Colonial. O desenvolvimento só chegou com o movimento artístico conhecido como Barroco, no final do século 17, que marcou presença muito forte no estado de Minas Gerais.

O Barroco foi introduzido em países cristãos, tendo como objetivo mostrar a união entre Deus e o homem, sendo que a maioria dos trabalhos barrocos foi feita em igrejas, como afrescos e esculturas de santos. Ele surgiu em oposição ao movimento anterior, o Renascimento, que colocava o homem como centro do universo. O principal artista brasileiro desse movimento é Aleijadinho.

Logo depois, o Neoclassicismo se instalou no Brasil. Embora recebido com um pouco de preconceito, devido à forte herança barroca, o movimento rendeu ao país célebres pintores, como Manuel Dias de Oliveira, e grandes obras como a residência da Marquesa de Santos, localizada no centro de São Paulo.

No início do século 20 surgiram novas gerações de artistas, conhecidos como modernistas. Esse movimento, introduzido definitivamente após as vanguardas europeias e a Semana de Arte Moderna de 1922, tentou “brasileirar” a arte, colocando em evidência os aspectos da nossa cultura. Nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Di Cavalcanti ganharam destaque em âmbito mundial por suas pinturas.

Literatura

A literatura brasileira começou de maneira tardia, em comparação a outros lugares do mundo. Enquanto na Europa já havia grandes escritores, como o português Luiz de Camões e o italiano Dante Alighieri, a escrita literária no Brasil, durante dois séculos após o descobrimento, se resumiu à carta de Pero Vaz de Caminha à Corte de Portugal e relatos de viajantes sobre a “América Portuguesa”.

A poesia brasileira começou a aparecer, de fato, no século 17 com Gregório de Matos, um advogado nascido em Salvador que produziu vários poemas de cunho satírico. Depois que o Neoclassicismo foi introduzido no Brasil, surgiram Tomás Antonio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa. Ambos, devido ao envolvimento com uma revolta contra o poder colonial, foram exilados para a África.

No século 19, o Romantismo europeu passou a influenciar a nossa literatura. A primeira fase romancista consistia em patriotismo. Enquanto na Europa a poesia exaltava os cavaleiros medievais, a alternativa encontrada no Brasil foi mostrar o indígena, criando um subgênero chamado Indianismo. Nessa época foram escritos os grandes clássicos “Iracema” e “O Guarani”, ambos de José de Alencar.

Já na segunda fase, conhecida como Ultrarromantismo, ou “o mal do século”, Álvares de Azevedo entra em cena com narrativas com influências byronianas, como “Noite na Taverna” e “Lira dos Vinte Anos”, ao passo que Castro Alves, na terceira geração, chamada de Condoreirismo, coloca os escravos trazidos da África em destaque na obra “O Navio Negreiro”.

O Romantismo entra em declínio com a chegada do Realismo. Os poetas, cansados de viverem em um mundo de fantasias, resolvem falar da vida como ela é, além de serem influenciados pelo Naturalismo. No caminho apareceu Aluísio Azevedo com “O Cortiço” e Machado de Assis com “Dom Casmurro”. As obras machadianas são referência mundial para a literatura realista.

O século 20 chega com o pré-modernismo de Euclídes da Cunha, que escreveu “Os Sertões”, inspirado na Guerra de Canudos, e Monteiro Lobato, autor de obras infantis como “O Sítio do Pica-pau Amarelo”. Eles foram um ensaio para os modernistas, conhecidos como “Geração de 22”, devido à Semana de Arte Moderna de 1922. Entre eles está Mário de Andrade, famoso pelo seu personagem anti-herói em “Macunaíma”.

O pós-modernismo trouxe Carlos Drummond de Andrade, com “Sentimento do Mundo”, João Cabral de Melo Neto com “Morte e Vida Severina” e os sonetos de Vinícius de Moraes, seguidos por Clarice Lispector e João Guimarães Rosa. Graciliano Ramos é o maior destaque do movimento com a obra “Vidas Secas”.

A literatura contemporânea é focada na vida urbana, na solidão, violência, política e na mídia. Os principais autores são Lygia Fagundes Telles, Fernando Sabino, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Moacyr Scillar e Caio Fernando Abreu.

Música

Como a maior parte da cultura do Brasil, a música se formou com a fusão entre elementos dos colonizadores europeus e dos escravos africanos. Enquanto da Europa vieram peças sacras com influências classicistas, como as de José Maurísio Nunes Garcia, a África nos deu a diversidade rítmica, danças e instrumentos.

A princípio, no século 16 a música surgia de conservatórios portugueses, onde os jesuítas ensinavam as técnicas de produção com padrões da cultura europeia. As canções tinham cunho católico e foram um ensaio para o que chamamos hoje de “música erudita”. Séculos mais tarde, surgiram salas de concertos e grandes compositores, como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita.

A música erudita ganhou força após a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, que trouxe com ela sua ampla biblioteca musical, conhecida por ser uma das melhores da Europa. Nessa época apareceu o padre José Maurício Nunes Garcia, autor de várias missas, e seu discípulo, Francisco Manuel Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Surgiu, também, Antonio Carlos Gomes, que compôs óperas nacionais como “Il Guarany” e “Lo Schiavo”.

Antonio Francisco Braga e Alberto Nepomuceno, no século 19, tentaram incorporar elementos essencialmente brasileiros em suas obras, com pesquisas baseadas no folclore. A maior figura de nacionalismo musical, porém, foi Heitor Villa Lobos, que se apresentou na Semana de 22.

Enquanto isso, manifestações populares também aconteciam. As chamadas “modinhas” de viola foram inspiradas em elementos da ópera italiana trazidas pelos portugueses. Já o lundu era uma dança africana com o uso de instrumentos como o bandolim. Ambos eram presentes em saraus populares. Um dos grandes nomes da época é Chiquinha Gonzaga.

O samba foi registrado em 1838 e tem como influências a modinha, o maxixe, o lundu e a umbigada africana. Antes era uma representação das pessoas mais humildes até que, em 1917, ele saiu dos pequenos grupos e se instalou nos morros cariocas, se tornando um dos maiores símbolos nacionais. Com a chegada da Era do Rádio, nos anos 30, surgiram grandes ídolos, como Carmen Miranda.

O Baião e o Forró ficaram famosos a princípio no nordeste do país, principalmente pela música de Luiz Gonzaga, “Asa Branca”. Esses gêneros, presentes em festas tradicionais como a junina, popularizaram o uso de instrumentos como a sanfona, a zabumba e o triangulo.

Nos anos 50, a chegada da Bossa Nova, movimento que incorporava elementos do samba e do jazz, trouxe ainda mais ídolos da música nacional, como Toquinho, Dorival Caymmi, Vinícius de Morais e Tom Jobim. A música “Garota de Ipanema” ganhou destaque mundial.

A decadência da Bossa Nova nos anos 60 facilitou na popularização da MPB (música popular brasileira) de Chico Buarque e Geraldo Vandré, que inicialmente era um protesto contra a ditadura militar brasileira, do Tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e do rock nacional, conhecido como Iê Iê Iê, de Roberto e Erasmo Carlos.

Esses três gêneros trouxeram nomes como Elis Regina, Maria Bethania e Rita Lee. Além disso, o samba crescia com Martinho da Vila, Alcione e Beth Carvalho, a rock brasileiro ganhava uma força maior com Raul Seixas, Blitz, Titãs e Legião Urbana, além de outras com uma pegada mais pop, como Kid Abelha e RPM.

Outros gêneros populares regionais surgiram nos anos 80: o sertanejo de Sérgio Reis e das duplas Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano; o pagode de Fundo de Quintal e Jorge Aragão; e o axé de Ivete Sangalo e Daniela Mercury. Já nos anos 90, o funk carioca e o hip hop se instalam no Brasil.

Culinária

Embora a representação de refeição média aqui no Brasil seja arroz, feijão e uma carne, as comidas típicas variam de acordo com cada região. A variedade gastronômica é riquíssima e todos os pratos, aliás, possuem influência europeia, africana e/ou indígena.

A região norte tem forte influência indígena e, por isso, a maioria dos pratos possuem mandioca e alimentos à base de milho, além de diversos tipos de peixes. Lá é onde se localiza a Amazonia e, por isso, há uma grande quantidade de frutos tropicais como açaí e cupuaçu, e frutas secas como a castanha-do-pará.

O nordeste é onde tem a maior presença de africanos. A tapioca, o acarajé, baião-de-dois, moqueca, caruru e sarapatel são alguns dos pratos, a maioria com peixes e com condimentos trazidos da áfrica, como o azeite-de-dendê. Entre os doces estão a canjica e a rapadura, além das frutas típicas como manga, maracujá, cajá e buriti.

Já o centro-oeste possui um pouco de cada grupo: indígenas, europeus, sírios e bolivianos. Por ser a região do pantanal brasileiro, o churrasco de gado pantaneiro se desenvolveu bastante. Os peixes são animais em abundancia devido à quantidade de ribeirinhas e os mais conhecidos são o pacu, o bagre, o pintado e o geripoca. O milho deu origem ao Curau, Angu e à Pamonha.

O sudeste é famoso principalmente pela cozinha mineira. Pão de queijo, feijão tropeiro e queijo minas são os mais adorados do estado de Minas Gerais. O Rio de Janeiro nos deu a feijoada, conhecida em várias partes do mundo, enquanto o Espírito Santo é forte em peixes e culinária indígena. São Paulo é o estado com maior diversidade: tem comida chinesa, japonesa, francesa, africana, indígena e árabe, mas a forte presença italiana, principalmente na capital, faz com que as massas dominem o cardápio.

Já o sul do país apresenta grande influência alemã, principalmente em Santa Catarina. O Paraná usa muito o pinhão em seus pratos, enquanto o Rio Grande do Sul o famoso churrasco gaúcho é tradição, além de ser acompanhado pelo chimarrão.

Vale ressaltar que vários pratos típicos são “queridinhos” no país inteiro, como o pão francês, o brigadeiro, o pastel, o catupiry, a mandioca e a paçoca, além de bebidas como o guaraná e a caipirinha.

Religião

O Brasil é um país laico, ou seja, o Estado e a Religião são separados. Mesmo assim, temos uma grande diversidade na questão da religiosidade, sendo que a maioria da população é cristã, principalmente católica, embora o protestantismo seja crescente.

Os africanos, ainda na condição de escravos, não eram permitidos de praticar suas próprias crenças, então passaram a mesclar a elas o catolicismo, o que gerou a criação de várias religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e Umbanda.

O judaísmo começou a ficar forte no país depois da imigração de judeus na metade do século passado. Além disso, o espiritismo vem crescendo, sendo que o Brasil é o país com o maior número de espíritas no mundo.

Esportes

O esporte mais popular no Brasil é, sem dúvidas, o futebol. A seleção brasileira já foi campeã cinco vezes na Copa do Mundo, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, sendo a mais vitoriosa de títulos mundiais. Outros esportes que possuem força é o vôlei, o futsal, o basquete, automobilismo e artes marciais, além da natação, ginástica, handebol e tênis.

Entre os ídolos do esporte brasileiro estão o Pelé, Mané Garrincha e Marta, jogadores de futebol, Ayrton Senna, piloto de Fórmula 1, Oscar, jogador de basquete, Bernardinho e Fernanda Venturini, jogadores de vôlei, Guga, jogador de tênis, e Daiane dos Santos, ginasta.

Folclore

No Brasil, o Folclore é muito presente e engloba a música, dança, festas, encenações, literatura, ditos, lendas, mitos, culinária, brincadeiras, superstições e artesanato tradicionais de um povo.

Músicas como “O Cravo e a Rosa”, “Ciranda-Cirandinha” e “Atirei o Pau no Gato”, festas como o Carnaval, Folia de Reis, Festas Juninas, Literatura de Cordel, Trava-línguas e lendas como “Mula Sem Cabeça”, “Saci Pererê”, “Curupira” e “Boto Cor-de-rosa” são os traços mais fortes do nosso folclore.

Veja AQUI mais informações sobre folclore.

Língua e dialetos

O português é uma língua românica derivada do latim informal, que começou a ser falada na Península Ibérica pelos povos que habitavam o Reino da Galiza, lugar onde hoje é o norte de Portugal, e se espalhou pelas outras regiões.

A língua chegou aqui no Brasil devido à colonização portuguesa. Depois de alguns anos, porém, ela ganhou uma nova variação, chamada simplesmente de “português brasileiro”, que acaba sendo mais falada que a variante de Portugal pelo fato de existirem mais brasileiros do que portugueses no mundo. Em 2006, a cidade de São Paulo inaugurou o Museu da Língua Portuguesa, localizado na Estação da Luz.

O Brasil tem, ao total, 16 dialetos diferentes: Caipira, Costa norte, Baiano, Fluminense, Gaúcho, Mineiro, Nordestino central, Nortista, Paulistano, Sertanejo, Sulista, Florianopolitano, Carioca, Brasiliense, Serra amazônica e Recifense. O dialeto nada mais é que um modo de falar que varia de acordo com a região.

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