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27/08/2014 - 14h39m

Debate na Band mostra Marina segura, Aécio irônico e Dilma sem discurso atual, repetitiva

Agência Hoje 

São Paulo (Agência Hoje) - O debate realizado pela TV Bandeirantes em São Paulo e que terminou na madrugada desta quarta-feira, 27, mostrou perfornances muito diferentes entre os candidatos à Presidência da Repúbica. Marina foi direta e respondeu a todas as perguntas, Aécio optou pela ironia e Dilma pareceu hesitante, com um discurso repetitivo.

No final, os observadores foram praticamente unânimes em apontar Marina Silva como o principal destaque. Além de responder as perguntas sem rodeios, emitindo opiniões favoráveis ou contrárias claramente, ela surpreendeu quem esperava uma postura discreta ou contida. Em várias ocasiões, a candidata do PSB questionou os adversários e beirou a agressividade.

Logo na primeira pergunta, dirigida a Dilma, Marina questionou a ação do Governo Federal em relação às seguidas manifestações que ocorreram entre março e junho de 2013 no país. Diante da afirmação de que tudo tinha sido resolvido a contento, a candidata do PSB foi dura e acusou a presidente da República de viver em um mundo imaginário que não tem nada a ver com a realidade do brasileiro comum.

O ponto alto da candidata, porém, aconteceu no momento em que acusou PT e PSDB de fazerem uma política desagregadora, dividindo o país e comprometendo as ações que poderiam ajudar no desenvolvimento econômico e social. Para ela, chegou o momento de dar um basta à velha política e trabalhar com estratégias novas, uma terceira via.

Surpresa Geral

A postura calma e segura de Marina, aliada a divulgação minutos antes de que ela alcançara 29 pontos no Ibope, deixaram Dilma e Aécio surpresos, sem saber como agir. A presidente Dilma Rousseff não estava à vontade, demonstrou nervosismo e perdeu-se na maioria das respostas. Sem discurso, ela se tornou repetitiva, culpando a crise internacional pelos problemas da economia brasileira e criticando o Governo de Fernando Henrique Cardoso, que acabou há mais de 10 anos.

Aécio falou sobre a incoerência na postura de Marina, alegando que a candidata estava no PSB, partido que apoia o PSDB em São Paulo, mas que se negara a subir no palanque de Geraldo Alckmin, seu líder maior no Estado. Na resposta, a candidata disse que é contra porque o país tem sido muito prejudicado com a polarização entre PT e PSDB.

Para os observadores ficou claro que os candidatos Dilma e Aécio não tinham uma estratégia definida para o debate, apenas a ideia de que deveriam atacar Marina de alguma forma. Não deu muito certo. Para o telespectador comum, ficou a sensação de que a sustituta de Eduardo Campos dominava as ações, falava de forma clara e respondia as perguntas objetivamente.

Articulada, em uma noite inspirada, Marina ainda teve tempo para elogiar o Governo de Fernando Henrique Cardoso em relação a estabilidade da economia e as ações de Lula em favor da população pobre. "Não tenho nenhuma dificuldade para reconhecer os acertos das pessoas, independentemente de partidos, nível social ou econômico".

Como novidade, Aécio anunciou sua decisão de nomear o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, como ministro da Fazenda. Mesmo um dia depois da "nomeação" a repercussão foi pequena.

Sem respostas para a maioria das perguntas feitas e com um discurso batido e cansativo, a candidata Dilma deixou o debate com a sensação de que terá dias difíceis pela frente. Sua equipe precisa trabalhar rápido na busca de uma nova estratégia de campanha e evitar que a turma do "Volta Lula" conquiste mais espaço dentro do PT.

Tradição da Band

Os candidatos Eduardo Jorge, do PV, Pastor Everaldo, do PSC, Levy Fidelix, do PRTB e Luciana Genro, do PSOL, foram pouco acionados com perguntas dos adversários. A maioria dos questionamentos veio dos jornalistas escalados pela Band, Boris Casoy, João Paulo Andrade e Fábio Pannunzio. As perguntas permitiram que eles mostrassem suas principais propostas.

De todos, Luciana Genro, do PSOL, foi a mais incisiva, respondendo e perguntando sobre temas polêmicos, inclusive religião, drogas e aborto. Levy Fidelix, do PRTB, reuniu o maior volume de informações técnicas e previu dias ruins para o país por causa da crise econômica e "da falência do Brasil", atualmente com uma dívida de R$ 2,4 trilhões.

Os candidatos que participaram do debate desta terça para quarta-feira elogiaram a Rede Bandeirantes pela oportunidade que tiveram de expor suas ideias em um debate nacional, transmitido simultaneamente também pela BandNews e emissoras de rádio AM e FM. O primeiro debate presidencial foi feito pela Band em 1989, tendo como mediadora a jornalista Marília Gabriela. 

Na noie de terça-feira, o mediador foi o jornalista Ricardo Boechat, que também é apresentador do Jornal da Band. Organizado, ele deixou os candidatos à vontade, mas soube esclarecer dúvidas. Diante da reclamação moderada de Luciana Genro, sobre não receber perguntas, ponderou: "Os candidatos escolhem a quem fazer as perguntas. Isto foi aprovado consensualmente nas reuniões com os assessores". 

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