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28/10/2013 - 10h09m

Deic vai conduzir inquérito-mãe sobre ação de grupos que se infiltram em manifestações

Agência Hoje* 

São Paulo (Agência Hoje) - A Secretaria da Segurança Pública anunciou nesta segunda-feira, 28, a decisão de reunir em um só inquérito policial todos os casos relativos às manifestações que estão ocorrendo em São Paulo desde junho passado. O procedimento conterá informações passadas pela Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público Estadual.

O "inquérito-mãe", será conduzido pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e faz parte da força-tarefa anunciada pelo secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira. O esforço da Polícia é para conter a onda crescente de violência e levantar o perfil das pessoas que se infiltram em movimentos pacíficos de vários setores.

Até agora, segundo o delegado Luis Francisco Segantin Júnior, responsável pelo setor de inteligência da 1ª Delegacia Seccional, no centro, pelo menos 106 pessoas foram indiciadas e presas sob acusação de se infiltrarem em protestos e causarem danos ao patrimônio público e privado.

“A Polícia Civil, em parceria com a PM, vai reunir em uma única investigação todos os casos que envolvem protestos em São Paulo”, declarou o delegado, em nota da Secretaria da Segurança Pública divulgada no final da tarde de sábado, 26. Setores de inteligência policial também trabalham com a informação de que 30% das pessoas detidas por atos de vandalismo e agressões nos últimos 30 dias, são reincidentes.

Para a Polícia, os reincidentes estiveram presentes em uma média de quatro manifestações e foram filmados ou fotografados danificando patrimônio público e privado, principalmente caixas de bancos oficiais e privados e lojas comerciais. "O cerco está se fechando, estamos muito perto de relacionar os crimes praticados por cada um desses elementos, para levá-los à Justiça", comenta um delegado.

Maior Violência

O ato de maior violência, segundo os policiais, ocorreu na sexta-feira, 25, em São Paulo, quando mascarados se infiltraram na manifestação convocada pelo grupo MPL (Movimento do Passe Livre), causando danos ao terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II, no centro de São Paulo, e agredindo o coronel da PM, Reynaldo Simões Rossi. Ferido, com a clavícula quebrada, escoriações na cabeça, nos braços e nas pernas, o militar foi levado ao Hospital das Clínicas.

Em nota, a Polícia explicou as providências adotadas. "Um suspeito de tentar matar um coronel da Polícia Militar e agredir um soldado, além de outros sete homens que danificaram o terminal de ônibus Parque Dom Pedro II utilizando coquetéis molotov foram presos em flagrante durante uma manifestação, na noite de sexta-feira (25), no centro de São Paulo. Três adolescentes também foram apreendidos".

Ao todo, 92 pessoas foram detidas para averiguação e conduzidas a quatro delegacias da região, conforme informou o diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), delegado Domingos Paulo Neto, durante coletiva de imprensa concedida no auditório do Gabinete da Secretaria da Segurança Pública (SSP), na tarde de sábado (26).

“A Polícia Civil, em parceria com a PM, vai reunir em uma única investigação todos os casos que envolvem protestos em São Paulo”, explicou. O chamado “inquérito-mãe” será conduzido pelo Deic. A integração dessas ocorrências faz parte de uma força-tarefa anunciada em 8 de outubro pelo secretário Fernando Grella Vieira, e tem o objetivo de conter a violência durante as passeatas. A medida é desenvolvida em parceria com o Ministério Público Estadual.

Balanço Mostra Situação Atual

Veja os principais pontos da nota divulgada pela Secretaria da Segurança:

- Entre as dezenas de pessoas levadas aos distritos policiais está o comerciário P.H.S.S., de 22 anos, reconhecido por policiais como o agressor do coronel Reynaldo Simões Rossi.

- Uma equipe da 1ª Companhia do 2º Batalhão de Policiamento de Choque (BPChq) viu quando o suspeito deu pauladas, socos e chutes no oficial da PM, que é comandante do Policiamento de Área Metropolitana 1 (CPA/M-1 – região central).

- Sábado, por volta das 21:30 horas, Rossi foi agredido violentamente e teve uma clavícula quebrada, além de ferimentos no rosto e na cabeça. “Ele tem um perfil conciliador e pretendia negociar com os manifestantes, mas acabou sendo agredido”, afirmou o porta-voz da PM, major Mauro Lopes. Eles também agrediram outro PM, que recebeu atendimento médico.

- O coronel foi socorrido ao Hospital das Clínicas e liberado às 4 horas deste sábado (26), após realizar exames e receber doses de morfina para conter a dor. Ele passa bem. Durante o crime, o oficial teve seu radiotransmissor e sua pistola calibre ponto 40 roubados. Apenas o rádio foi recuperado até o final da tarde de sábado.

- O indiciado estava acompanhado por um fotógrafo, de 22 anos, que foi liberado, mas será investigado. “O problema desse rapaz liberado e de todos os que foram levados à delegacia está começando, porque nós vamos individualizar a atuação de cada um através da investigação”, afirmou Domingos Paulo Neto. Com isso, o indiciamento será mais preciso e a Justiça deverá responder mais rápida e precisamente.

- No 1º DP (Sé), o comerciário foi indiciado por tentativa de homicídio, roubo, lesão corporal e formação de quadrilha. Ele foi recolhido à carceragem do 2º DP (Bom Retiro), mas será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na segunda-feira (28).

- Outros sete adultos foram presos e três adolescentes apreendidos pela Polícia Militar depois de depredarem agências bancárias e um terminal de ônibus, durante a passeata ocorrida na região central.

- Os sete rapazes, com idades entre 18 e 23 anos, foram flagrados pela Força Tática do 11º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) enquanto quebravam catracas do Terminal Parque Dom Pedro II, por volta das 22 horas.

- O grupo, que contava ainda com dois estudantes e um cobrador – todos com 16 anos –, ainda danificou pelo menos 15 caixas eletrônicos de agências de cinco bancos diferentes.

- A equipe policial, que acompanhava o protesto, apreendeu nove mochilas com o grupo, além de uma câmera digital, diversas sacolas, um lenço vermelho e uma camiseta, além de sete celulares.

- Um martelo para liberar o conteúdo do extintor de incêndio, seis pedras e 10 simulacros de balas de fuzil também foram apreendidos com os suspeitos, no cruzamento da Avenida do Estado com a Rua Wandenkolk.

- Um policial militar da Força Tática, de 32 anos, foi atingido por uma dessas pedras encontradas com o grupo, mas não reconheceu quem atirou o objeto. A agressão o deixou com um ferimento no braço direito. O PM foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de lesão corporal cautelar e passa bem.

- De acordo com os policiais militares, o estudante C.R.A., de 19 anos, e o ajudante de cozinha E.R., de 23, foram vistos lançando bombas de fabricação caseira durante a passeata. Eles responderão por atirar os explosivos.

- O caso foi registrado no 8º Distrito Policial (Brás). Todos os adultos foram indiciados por dano qualificado ao patrimônio e formação de quadrilha. Eles ficarão detidos na carceragem do 2º DP (Bom Retiro), aguardando uma definição da Justiça, que poderá decretar a prisão preventiva. Os adolescentes serão encaminhados à Fundação Casa. Nenhum responsável por eles compareceu à delegacia.

Redes Sociais

A estratégia da Polícia é reunir informações e analisá-las. “Todas essas informações constam num sistema integrado das polícias, que leva as informações de averiguados e acusados ao conhecimento de todos os órgãos de segurança. Além disso, as polícias fazem um monitoramento de investigados em meios digitais, como redes sociais e blogs", afirmou o delegado Luis Francisco Segantin Junior.

A Delegacia Eletrônica também tem feito estudos e monitoramentos de redes sociais para evitar atos violentos e descobrir seus líderes. O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, já havia destacado que a internet é o principal meio de comunicação dos grupos criminosos e, por isso, é importante acompanhar o que acontece dentro da rede.

“Com essa união de esforços, a gente consegue proteger a nossa cidade”, destacou o major Mauro Lopes. “Nós já mudamos a história do país com manifestações, de cara limpa e com caras pintadas, mas nunca com os rostos cobertos”, ressaltou.

Segundo o oficial, é preciso que as polícias continuem acompanhando os eventos para garantir o direito da livre manifestação. “Mas de manifestações reais, sem violência.”

OUTRO LADO

O advogado Guilherme Braga, responsável pela defesa do universitário Paulo Henrique Santiago dos Santos, de 22 anos, que foi acusado de agredir o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, durante protesto na sexta-feira, 25, no centro de São Paulo, disse que "não há nenhum indício de que o jovem tenha encostado no coronel".

Segundo o advogado, “em nenhum momento ele aparece agredindo nas fotos. O bolo da agressão estava no meio da manifestação, tinha um monte de gente por perto, então no quadro das imagens aparece o rosto dele. E com isso, a polícia identificou ele como agressor. Mas em nenhum momento, aparece ele agredindo”.

Para ele, “não existe nenhum indício de que meu cliente tenha encostado no policial. Existe apenas uma foto com ele próximo ao coronel. Essa situação beira ao absurdo. A gente está acostumado com muitos absurdos na polícia, mas essa situação é esdrúxula ao extremo”, afirmou o advogado.

Ainda no sábado, 26, a defesa do universitário pediu liberdade provisória, mas a juiz não acatou. O advogado afirmou que nesta segunda-feira, 28, vai ingressar com habeas corpus no Tribunal de Justiça.

O suspeito é estudante de relações internacionais na Faculdade Santa Marcelina, nas Perdizes, e trabalha em uma empresa da região, segundo o advogado Guilherme Braga. “Ele é tranquilo, idealista e está totalmente assustado com essa situação. Ele perguntou do policial até mesmo porque ele estava naquela situação tentando apartar os ânimos”.

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