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22/08/2014 - 17h33m

Dia do Folclore: saiba mais sobre a popular manifestação cultural

Agência Hoje/Isabela Guiaro 
Reprodução
A Literatura de Cordel é uma grande expressão da tradição nordestina
A Literatura de Cordel é uma grande expressão da tradição nordestina

São Paulo (Agência Hoje/Isabela Guiaro) - O Folclore é uma manifestação cultural popular que ajuda a definir a identidade de um povo. Ele engloba a música, dança, festas, encenações, literatura, ditos, lendas, mitos, culinária, brincadeiras, superstições e artesanato. No Brasil, todas essas manifestações foram influenciadas por várias culturas, com destaque para a portuguesa, africana e indígena.

Em 1965 foi oficializado pelo Congresso Nacional Brasileiro que o dia 22 de agosto é o “Dia do Folclore”. Desde então, diversas festas populares acontecem nas cidades do país, exaltando e preservando a riquíssima tradição brasileira.

Música

Estão sempre ligados ao folclore alguns ritmos brasileiros tais como samba, frevo, maxixe, baião, quadrilha, modas de viola e cantigas de roda. Canções populares também fazem parte, tendo como exemplo “Escravos de Jó”, “Sapo Cururu”, “O Cravo e a Rosa”, “Ciranda-Cirandinha” e “Atirei o Pau no Gato”, além das músicas de ninar como “Dorme Neném”.

Festas

O que não falta no folclore brasileiro são as festas. Todas elas dão um show de manifestação cultural, unindo a elas a música, o teatro, a culinária, os ritos, as lendas e as brincadeiras.

A mais conhecida é o Carnaval, tradição egípcia para comemorar a época de colheita, que se espalhou pelo Mediterrâneo e Europa, chegando ao Brasil em 1640. Só na segunda metade do século XIX recebeu a cara que conhecemos hoje: desfiles em blocos, fantasias e máscaras. A influência européia trouxe personagens como o Rei Momo, o Pierrô, a Colombina e o Arlequim.

As Festas Juninas, celebrando os santos católicos João Batista, Antônio e Pedro, foram trazidas de Portugal para o Nordeste brasileiro e, mais tarde, se espalhou por todo o país. Elas são caracterizadas pela Quadrilha, dança de comemoração do casamento caipira, pela fogueira, roupas e comidas típicas como bolo de fubá, pamonha, pipoca e quentão.

Outras três festas populares são o Congado, que homenageia a realeza de Congo e a cultura africana, Farras de Boi, teatralização de dramas envolvendo animais, geralmente bois, e Folia de Reis, tradição européia comemorada entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, Dia de Reis.

Linguagem e literatura

As principais manifestações de linguagem folclórica são as Adivinhações no estilo “O que é o que é?”, os Provérbios, sendo os mais populares “Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão” e “Quem com o ferro fere, com ferro será ferido”, além dos Trava-línguas como “Três tristes tigres comem três pratos de trigo”.

A Literatura de Cordel foi inspirada nas cantigas trovadorescas européias da Era Medieval. Ela é feita em espécies de livrinhos e colocados a venda pendurados em um barbante (por isso o nome “cordel”), com xilogravuras ilustrando as histórias.

Lendas e Mitos

As lendas e mitos foram trazidos das culturas européias e indígenas. Muitas delas estão representadas na obra infantil “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato. As principais são:

Indígenas

Boitatá fala sobre uma criatura parecida com uma cobra de fogo e olhos grandes e flamejantes, podendo ser vista por aventureiros noturnos. O Boitatá protege as matas de incêndios e queimadas.

Curupira é o protetor das matas e animais silvestres. É um anão de cabelos vermelhos e compridos, e seus pés virados para trás fazem com que aqueles que o sigam pelas pegadas, se percam.

Mandioca é um mito sobre a filha de Mara, Mandi, que morreu logo que nasceu. Sua mãe a enterrou perto de sua oca. Da sepultura começou a nascer uma planta, que deu raízes que servem de alimento. Ele ficou conhecido como Mandioca.

Boto cor-de-rosa fala sobre um jovem charmoso que encanta as mulheres e as leva para a beira do rio, para engravidá-las. Ao amanhecer, entra na água e vira o boto.

Iara é uma sedutora sereia que encanta os pescadores com sua beleza e voz, levando-os para o fundo das águas.

Européias

Lobisomem diz que uma mulher, depois de ter uma sequência de sete filhas mulheres, der à luz um filho homem, este será será um lobisomem, destinado a sair à meia-noite de sexta-feira para uma encruzilhada procurando sangue.

Mula sem cabeça conta a história de uma mulher que, ao ter relações sexuais com um padre, é destinada a virar uma mula sem cabeça e ir a uma encruzilhada e visitar sete povos em todas as passagens de quinta para sexta-feira.

Saci Pererê é um menino negro com uma perna só, que anda pela floresta com seu cachimbo e gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. É brincalhão e faz travessuras.

Culinária

O Brasil é riquíssimo na parte gastronômica, englobando um pouco de cada povo que é responsável pela formação do país. Dos indígenas, por exemplo, temos a mandioca, alimentos à base de milho, paçoca, moderação no uso do sal e dos condimentos. Já dos negros, temos o dendê, a pimenta malagueta, o inhame e caruru.

No Nordeste, as comidas típicas são buchada, sarapatel, dobradinha, acarajé, vatapá, pé-de-moleque, arroz-doce, tapioca e caldo de cana. Já no Sul, por ter grandes fazendas com gados, o churrasco com chimarrão é predominante. Em Minas Gerais temos pão de queijo e feijão tropeiro, enquanto no Centro-Oeste e Norte predominam os pratos à base de peixes. Além disso, a culinária italiana, principalmente pizza e macarrão, já foi incorporada em todo o país.

Artesanato

A produção de objetos de utilidade ou enfeite a mão foi feita no Brasil primeiramente pelos índios, que tinham prática na confecção utilizando cerâmica, na cestaria, pintura corporal e arte plumária. Os chamados artesãos produzem coisas simples como vasos, panelas, bordados, tecidos, instrumentos musicais, brinquedos, bijuterias, entre outras coisas.

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