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18/06/2012 - 10h52m

Ecologistas dizem que acordo pelo planeta pode ser diluído

Agence France Presse 
©AFP / Vanderlei Almeida
Ativistas exibem uma enorme faixa pedindo mais investimentos limpos na praia de Copacabana
Ativistas exibem uma enorme faixa pedindo mais investimentos limpos na praia de Copacabana

RIO DE JANEIRO (AFP) - As negociações por um acordo global para salvar o planeta, que entraram neste domingo em uma corrida contra o tempo lideradas pelo Brasil, preocupam os ecologistas que temem um acordo diluído na conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável Rio+20.

A nova proposta de acordo apresentada no sábado pelo Brasil "foi habilmente construída para evitar a controvérsia e promover o consenso, mas não reorientará o crescimento econômico em favor das urgentes prioridades do planeta", denunciou à AFP Antonio Hill, representante da ONG de luta contra a fome Oxfam.

"Diante da tripla crise do planeta -ameaçado por uma catástrofe climática, pelo aprofundamento da desigualdade social e por um consumo insustentável impulsionado por um sistema econômico quebrado- o texto não é nem suficientemente ambicioso nem contempla o compromisso político necessário para o planeta", disse Asad Rehman, dos Amigos da Terra.

Mais de 190 países tentam chegar a um acordo na conferência inaugurada na quarta-feira para iniciar uma transição mundial em direção a uma economia verde que preserve os recursos naturais do planeta e impulsione a luta contra a pobreza.

As rédeas da conferência estão agora nas mãos do Brasil, que como anfitrião assumiu no sábado o comando das negociações e apresentou um novo texto de compromisso, tentando alcançar um acordo após cinco meses de negociações em que não houve um consenso.

Cerca de 130 chefes de governo e de Estado encerrarão a conferência em uma cúpula que será realizada de 20 a 22 de junho.

Boa parte dos presidentes que estarão no Rio se reunirá antes na cúpula das grandes economias emergentes e industrializadas, o G20, realizada no México na segunda e na terça-feira para abordar outro tema muito mais imediato e que parece atrair mais as atenções: a crise econômica internacional.

As ausências no Rio de líderes de países-chave na luta para preservar o meio ambiente, como o americano Barack Obama e a alemã Angela Merkel, que estarão no México, são consideradas um mau presságio.

"Precisamos de um manual para salvar o mundo, não de páginas sem conteúdo", denunciou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Uma das principais decisões em negociação é o lançamento de Metas de Desenvolvimento Sustentável que obriguem os países a cumprir metas relativas a mudanças nos padrões de produção e consumo, energia e agricultura sustentáveis.

Mas o acordo contemplado pelos países na Rio+20 adia a definição dessas metas, que seriam adotadas em uma reunião posterior em 2015.

"Será lançado um processo negociador para 2015 para determinar numericamente quais serão essas metas", disse o chefe dos negociadores brasileiros, Luiz Alberto Figueiredo.

As delegações digeriam neste domingo o novo texto introduzido pelo Brasil, que deixa de fora o fundo de 30 bilhões de dólares por ano exigido pelos países em desenvolvimento para que se adaptem à nova economia e à criação de uma Agência Mundial do Medio Ambiente sob a égide da ONU, defendida pela Europa e rejeitada por Brasil e Estados Unidos.

O texto proposto pelo Brasil é "bastante aceitável", disse à AFP a ministra do Patrimônio do Equador, María Fernanda Espinosa.

O novo texto "não perdeu força" nos compromissos propostos para preservar o planeta, afirmou, por sua vez, a porta-voz da ONU para a conferência, Pragati Pascale.

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