São Paulo, SP, 24/06/2019
 
15/07/2013 - 22h05m

Elis Regina, o talento de uma das maiores cantoras brasileiras

Livro 100 Brasileiros (2004) 
Biblioteca Nacional/Arquivo
Elis Regina (1945-1982)
Elis Regina (1945-1982)

Livro 100 Brasileiros (2004)

Elis foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil. E tinha toda razão. Era um instrumento afinadíssimo, que combinava a técnica com o carisma e a emoção que ela colocava em cada canção.

Para muitos a maior cantora brasileira de todos os tempos, a Pimentinha lançou grandes compositores, como João Bosco e Aldir Blanc. Perfeccionista, exigia muito de seus músicos, de sua gravadora, de sua voz. Quem ganhava era o público. Elis se envolvia de forma radical com tudo o que fazia, na música e na vida. Nasceu em Porto Alegre (RS) e já aos 11 anos cantava no elenco fixo da Rádio Farroupilha.

Em 1959 assinou o primeiro contrato profissional, na Rádio Gaúcha, e no ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro compacto, pela Continental. A mesma gravadora lançou seu primeiro LP, Viva a Brotolândia, de rocks e calipsos, em 1961.

Voltou de vez ao Rio em 1964, quando começou a se projetar. Cantou no Beco das Garrafas, reduto da bossa nova, onde aprendeu, com o bailarino americano Lennie Dale, uma coreografia que lhe valeu o apelido de Hélice Regina.

Contratada pela TV Rio, passa a trabalhar com Jorge Ben e Wilson Simonal. Em 1965 tornou-se nacionalmente conhecida, ao vencer o I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, cantando Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Dois na Bossa, com Jair Rodrigues, foi um tal êxito que nos anos seguintes foram lançados os volumes 2 e 3.

Ao lado de Jair, Elis apresentou um dos programas mais importantes da música brasileira, O Fino da Bossa, na TV Record, onde foram lançados sucessos como, Canto de Ossanha, de Vinicius e Baden Powell, e Louvação, de Gilberto Gil e Torquato Neto. Sua carreira decolou de vez em 1966, quando lançou o disco Elis, com composições dos então desconhecidos Milton Nascimento, Ivan Lins, Zé Rodrix e Belchior.

De temperamento irrequieto, participou com o mesmo entusiasmo de festivais e movimentos políticos, lutando pela preservação das raízes da MPB contra a invasão estrangeira. Seu show Falso Brilhante tornou-se um marco da música e da cena brasileira. Levou sua voz, sua alma e a MPB aos principais palcos do mundo. Gravou Elis e Tom (com Tom Jobim) nos Estados Unidos. Em 1979 foi ao Festival de Jazz de Montreux, Suíça, e gravou O Bêbado e a Equilibrista, música que o Brasil elegeu para pedir a volta dos seus exilados. Sua morte repentina, em 1982, cortou uma carreira fulgurante e deixou um vazio nunca preenchido.

 

Hoje São Paulo

© 2012 - Hoje São Paulo - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por ConsulteWare e Rogério Carneiro