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04/06/2016 - 20h05m

Em novo depoimento garoto muda versão sobre tiros e morte de menino de 10 anos

Agência Brasil/Bruno Bocchini 
Erika Rios
Diretora do DHPP, delegada Elisabete Sato, confirma em entrevista coletiva que envolvidos em morte de criança serão ouvidos novamente
Diretora do DHPP, delegada Elisabete Sato, confirma em entrevista coletiva que envolvidos em morte de criança serão ouvidos novamente

São Paulo - O garoto que estava junto com o menino de 10 anos morto pela Polícia Militar na última quinta-feira (2) mudou a sua versão sobre os fatos do ocorrido. Em novo depoimento feito na noite desta sexta-feira (3), ele agora disse que não houve confronto com a polícia, e que três disparos foram feitos com o carro em movimento, e nenhum depois de o carro ter parado, durante a abordagem da polícia.

No novo depoimento, o garoto diz que o tiro que matou o menino de 10 foi disparado por um policial da Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) imediatamente após de o carro ter colidido e parar. Disse ainda que o mesmo policial que atirou o deitou no chão e deu um tapa no seu rosto. Segundo o relato do jovem, os policiais disseram ainda que seria morto caso não tivesse pai e mãe.

Segundo advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, a ação pode ser considerada uma execução, de acordo com o relato da criança no depoimento. “O principal é que não houve confronto no desfecho, no momento que o carro parou”, disse Ariel, que acompanhou o segundo depoimento.

De acordo com nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a criança morta e a outra, de 11 anos, teriam furtado um carro dentro da garagem de um condomínio na região do Morumbi. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.

Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto após ter atirado três vezes contra os policiais com uma arma calibre 38. Os primeiros dois tiros foram dados com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater contra um ônibus e, depois, contra um caminhão que estava estacionado, até perder o controle. Um terceiro tiro teria sido disparado pelo menor após as colisões. Vídeos de câmeras de segurança mostram o carro parado, desgovernado, e um policial se aproximando do veículo e atirando.

O garoto sobrevivente prestou dois depoimentos à polícia. No primeiro, acompanhado apenas pela mãe, ele disse que o outro menino atirou duas vezes contra os policiais e que, depois da batida do carro, disparou novamente, pouco antes de ser baleado e morto.

INQUÉRITO NO DHPP VAI OUVIR CRIANÇA, EQUIPE DO SAMU E PMs

São Paulo (Agência Hoje*) - O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que foi instaurado inquérito, na sexta-feira (3), para investigar a morte de um menor de 10 anos acusado de trocar tiros com a Polícia Militar após furtar um veículo. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (2), na Vila Andrade, zona sul.

A diretora do DHPP, delegada Elisabete Sato, concedeu entrevista coletiva, na tarde de sexta-feira (3), para falar sobre as investigações do caso. Segundo a delegada, um garoto de 11 anos que estava no carro furtado com o menino afirmou, em depoimento, que o garoto havia atirado contra os PMs.

“Todos serão ouvidos novamente, tanto a criança quanto a equipe do Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], que foi acionada para prestar socorro. Os PMs serão novamente chamados”, explicou Sato.

A arma que estava com o menor, um revólver de calibre 38, foi apreendida e, durante as investigações iniciais, a polícia descobriu que se tratava de uma arma roubada e utilizada em uma ocorrência de roubo de uma carga de cigarros, no dia 19 de abril do ano passado, em Jundiaí, no interior do Estado.

Para ajudar no esclarecimento do caso, a polícia realiza perícias no revólver, no carro furtado – Daihatsu Terios – e em uma luva usada pelo garoto. “Todas as perícias foram solicitadas ontem, estamos aguardando os resultados”, esclareceu a diretora do DHPP.

Segundo a Polícia Civil, os menores tinham três atos infracionais registrados, dois no ano de 2015 e um nesse ano - por furto de bicicleta no Parque do Ibirapuera, furto em hotel na zona sul e por quebrarem o vidro de um veículo na mesma região.

A Ocorrência

Os menores entraram no condomínio, por volta das 19 horas, e encontraram o veículo com a chave na ignição. O mais novo assumiu a direção do automóvel e os dois saíram sem serem percebidos devido aos vidros escuros do carro.

Momentos depois, o proprietário do automóvel chegou ao condomínio e percebeu que seu carro havia sido furtado e, então, chamou a polícia.

Os PMs disseram que, devido aos vidros escuros, não perceberam se tratar de duas crianças. Segundo eles, ao receberem os disparos, reagiram para se defender. O menino de 10 anos foi baleado e morreu.

O outro menor, de 11 anos, contou à polícia que estava em casa quando o colega chegou com a arma e o coagiu a ir com ele até o condomínio para realizarem furtos. Após ser ouvido, o menino foi liberado a um responsável.

O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial.

* Com informações da Secretaria de Segurança Pública

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