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04/09/2014 - 17h49m

Entidade registra mais de 2 mil animais silvestres atropelados por dia no Brasil

Agência Hoje* 
Agência Hoje/Arquivo/Adilvan Nogueira
Mais de 750 mil animais silvestres são vítimas de atropelamentos todos os anos no Brasil
Mais de 750 mil animais silvestres são vítimas de atropelamentos todos os anos no Brasil

São Paulo (Agência Hoje*) - O presidente da Apas (Associação Protetora dos Animais Silvestres), Agnaldo Marinho, disse que o Brasil registra 750 mil atropelamentos de espécies selvagens por ano, o equivalente a 2.055 vítimas por dia. O número aumentou muito por causa das grandes obras de construção de hidrelétricas que exigem grandes desmatamentos.

No mundo, são 400 milhões de animais atropelados por ano, sendo que boa parte deles são vítimas do aumento do espaço urbano e dos reservatórios de empreendimentos hidrelétricos. Os números foram apresentados nesta quinta-feira em seminário organizado pela Apas em Brasília e divulgados em emissoras de rádio.

“Infelizmente, em algumas localidades, a onça-parda virou gato de rua, e as pessoas acabam achando que [todos animais] dentro da cidade são ou gato ou cachorro”, disse ele, durante o programa de rádio Amazônia Brasileira, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Mas não são apenas carros que estão ferindo ou matando animais silvestres no Brasil. “Precisamos jogar menos lixo na natureza [o que também pode causar problemas para a fauna silvestre] e ter menos animais de estimação desse tipo. Em alguns estados, muitos adquirem papagaios porque é bonito ver o bichinho falando. Mas, para cada louro dar o pé, 50 deram a vida ao ser transportados [pelos traficantes de animais silvestres]”, afirmou Marinho.

Segundo ele, ao adquirir um animal silvestre, as pessoas também não têm conhecimento de que podem estar pondo a própria saúde em risco. “Esses animais costumam ter doenças silvestres que afloram em situações de estresse, e podem até passá-las aos seres humanos. Isso já foi comprovado. E é por isso que sempre digo: precisamos prevenir agora para não ter de gastar dinheiro amanhã”, acrescentou.

Outro fator que Marinho considera prejudicial ao meio ambiente são os reservatórios das usinas hidrelétricas. Nas proximidades de Assis, em São Paulo, onde ele criou a Apas após ficar sensibilizado com o número de animais apresentando problemas de saúde como queimaduras e feridas até por agressão, há três hidrelétricas construídas a uma distância de 10 a 15 quilômetros, uma da outra.

Por causa dos reservatórios construídos para as usinas, os animais começaram a migrar para as cidades da região. “Quando começou a implantação dessas hidrelétricas, havia na região animais endêmicos e transitórios fazendo fluxo. Como a cidade sempre apresentou deficiência e falta de um papel visível do Estado, eu acabava fazendo o resgate deles e os levava [de forma intercalada] para uma clínica diferente a cada dia [para evitar sobrecarregar algumas delas]”, lembra o ambientalista.

“Posteriormente, como meu pai tinha uma chácara, comecei a usá-la para ajudar no tratamento dos animais. Vi, então, que era necessário envolver o Poder Público. A Apas virou referência e hoje conseguimos tanto reabilitar animais silvestres como disponibilizar a eles um mantenedor".

O mantenedor, tipo de empreendimento autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para criar e manter espécimes em cativeiro, após terem sido apreendidos ou vítimas de maus-tratos, na opinião de Agnaldo Marinho, é a melhor forma de cuidar dos animais e evitar que eles se tornem vítimas constantes.

De acordo com Marinho, os reservatórios acabam causando problemas para outros tipos de animais bem menos visíveis. “A fauna aquática da região foi quase 70% dizimada. As concessionárias [das usinas] têm plano de soltura, mas priorizam os peixes que servem para pesca esportiva, que acabaram concorrendo com os da fauna nativa. Com isso, vários peixes sumiram.”

O ambientalista considera “excelente” a lei de crimes contra a fauna, embora classifique de falha a prática da legislação. “São aplicadas multas de até R$ 200 mil, mas, como a pessoa não tem condições de pagar, acaba prestando serviços à comunidade. Em geral, para instituições como asilos, que nada têm a ver com o meio ambiente”, destacou.

* Com informações da Agência Brasil

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