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12/05/2015 - 16h38m

Especial "Os Gêneros do Cinema Mundial": as faces do Terror

Agência Hoje 
Reprodução
Christina Ricci como Vandinha no filme "A Família Addams"
Christina Ricci como Vandinha no filme "A Família Addams"

São Paulo (Agência Hoje/Isabela Guiaro) - Esta sessão, que será atualizada uma vez por semana, foi criada com o intuito de falar um pouco mais sobre os vários gêneros do cinema mundial, como o Musical, a Comédia, a Ação, o Drama, a Animação, entre outros. Se você é um cinéfilo de plantão, aproveite!

O terror surgiu, primeiramente, como gênero literário, no final do século XIIX, com o objetivo de transmitir ao leitor uma sensação de medo. A primeira obra registrada neste estilo foi “O Castelo de Otranto”, de Horace Walpole, lançada em 1764.

As décadas seguintes trouxeram a literatura gótica, que reformulou o horror. Com ela vieram as histórias de bruxas, vampiros, lobisomens, espíritos, demônios, entre outros que aterrorizaram a população da época, por acreditarem que muitas destas criaturas realmente existiam.

Autores como Mary Shelley e Bram Stoker, por exemplo, foram responsáveis por grandes clássicos de terror, como “Frankenstein” (1818) e “Drácula” (1897), respectivamente. Os poemas de Edgar Allan Poe e do brasileiro Álvares de Azevedo também foram destaque.

No cinema

Ainda nos primórdios da sétima arte Georges Méliès dirigiu os curta-metragens “A Mansão do Diabo” (1896) e “A Caverna Maldita” (1898), que ficaram conhecidos como os primeiros filmes de terror. Até a primeira década do século XX foram feitos “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” (1908), “Frankenstein” (1910) e “Notre-Dame de Paris” (1911), adaptados das obras literárias de Mary Shelley, Robert Louis Stevenson e Victor Hugo, respectivamente.

Logo vieram os consagrados “Nosferatu” (1922), adaptação não autorizada de “Drácula”, “O Corcunda de Notre-Dame” (1923), “O Monstro” (1925) e “O Fantasma da Ópera” (1925). “O Terror” (1928) foi o primeiro filme de terror falado.

A ascensão do gênero permitiu a produção de novos filmes dos mesmos personagens, como “Drácula” (1931) e “Frankenstein” (também 1931). O último ganhou, ainda, as sequências “A Noiva do Frankenstein” (1935) e “O Filho do Frankenstein” (1939).

      

Nesta época foram lançados, também, “A Múmia” (1932), que introduziu a cultura egípcia ao terror, “O Lobisomem” (1941), que, embora não seja o primeiro filme a falar desta criatura, é o mais influente até então. Vale citar “Ilha das Almas Perdidas” (1932) e “Mistério no Museu de Cera” (1933), ambos dirigidos por Michael Curtiz, e “A Morta-Viva” (1943), de Jacques Tourneur pela sua importância ao cinema.

Os anos 50 viram surgir mais filmes inspirados em “Drácula” e “Frankenstein”, mas o início dos 60 viu o surgimento dos subgêneros slasher e terror natural, com “Psicose” (1960) e “Os Pássaros” (1963), respectivamente. O sucesso de temas ocultos, como em “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polansky, facilitou a produção de filmes como o “O Exorcista” (1973), “A Profecia” (1976) e “Poltergeist” (1982).

Junto com o terror natural de “Tubarão” (1975) e “Orca – A Baleia Assassina” (1977), começou a Era de Ouro dos filmes Slasher, com grandes títulos como “Halloween” (1979), “Sexta-Feira 13” (1980) e “Hora do Pesadelo”, imortalizando os vilões Michael Myers, Jason e Freddy Krueger.

Houve um pequeno declínio entre o final dos anos 80 e início dos 90, mas o diretor Wes Craven trouxe o subgênero de volta com as sequências de “Pânico” (1996-2011), que abriu caminho para outros títulos como “Eu Sei o Que Você Fez no Verão Passado” (1997), de Jim Gillespie.

Os anos 2000 trouxeram algumas releituras de clássicos, como “O Exorcismo” (2000), “Freddy VS Jason” (2003) e “Carrie” (2013) e o terror psicológico de “O Chamado” (2002) e “O Grito” (2004). Além disso, os zumbis vieram à tona com “Eu Sou a Lenda” (2007), “Zumbilândia” (2009) e “Madrugada dos Demônios” (2004).

Entre os maiores fenômenos do século XXI é possível citar as sequências de “Jogos Mortais” (2004-2010) e “Atividade Paranormal” (2009-2015). Há, ainda, paródias como “Todo Mundo em Pânico” (2000-2013), que embora sejam comédias, utilizam personagens de diversos filmes de terror para a construção das histórias.

Subgêneros

Slasher – mostra a violência acontecendo, geralmente em decorrer de algum psicopata/serial killer. O subgênero ganhou popularidade com o lançamento de “Psicose” (1960) de Alfred Hitchcock e de “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), de Tobe Hooper.

Terror na Ação – este subgênero combina as atividades sobrenaturais, como demônios, vampiros, espíritos e zumbis, com as sequências vistas nos filmes de ação. É o caso de “O Corvo” (1994), “O Fim dos Dias” (1999), “Resident Evil” (2002), “Constantine” (2005), “Motoqueiro Fantasma” (2007), “Planeta Terror” (2007), entre outros.

 

Terror psicológico – utiliza técnicas como música que gera suspense, para que o espectador fique tenso e emocionalmente instável. Os filmes neste estilo geralmente retratam espíritos e demônios, como “Repulsa” (1965), “O Bebê de Rosemary” (1968), “Carrie, a Estranha” (1976), “O Sexto Sentido” (1999), “A Bruxa de Blair” (1999), “Os Outros” (2001), “O Chamado” (2002), “O Grito” (2002) e “Silent Hill” (2006).

Terror na comédia – este subgênero utiliza elementos do terror, como atividades paranormais, serial killers, entre outras coisas, porém a abordagem do filme tem um tom de comédia. A primeira produção a utilizar este recurso foi “Uma Noite de Terror” (1922). “Os Caça-Fantasmas” (1984), “Beetlejuice” (1984), “Elvira, a Rainha das Trevas” (1988), "A Família Addams" (1991), “Psicopata Americano” (2000) e as sequências de “Todo Mundo em Pânico” (2000-2013) também são exemplos.

Terror natural – ocorre quando a natureza se rebela de forma prejudicial ao ser humano. É o caso de “King Kong” (1933), “Tubarão” (1975), “Jurassic Park” (1993), “A Sombra e a Escuridão” (1996), “Anaconda” (1997), entre outros.

Terror científico – envolve a ficção científica, experiências de médicos loucos e invasão de aliens, que acabam fazendo o apocalipse na Terra. As sequências de “Alien”, de “Frankenstein” e “Godzilla”, além de “Eu Sou a Lenda” (2007) e “Praga” (1978) são alguns exemplos.

Terror corporal – retrata a destruição, mutilação e degeneração do corpo, tanto por meio de violência, quanto por doenças fatais. Encontram-se nesta categoria os filmes “A Bolha Assassina” (1958), “A Mosca” (1958), “Shivers” (1975), “Possessão” (1981), “Hellraiser” (1987), “Virus” (1999) e “A Centopéia Humana” (2009).

Splatter – este estilo mostra violência explicitamente, muitas vezes com uma conotação sexual. O filme mais famoso neste estilo é “Jogos Mortais” (2004), mas também há outros como “Holocausto Canibal” (1980) e “O Albergue” (2007).

Na TV

A televisão norte-americana, desde os anos 50, lança mini-séries com abordagens sobrenaturais e criminais, também combinadas com a comédia. Foi nos anos 60, porém, que algumas ganharam seu espaço. É o caso de “Twilight Zone” (1959-1964), “Sherlock Holmes” (1964-1968), “A Família Addams” (1964-1966), “Os Monstros” (1964-1966) e “Sombras da Noite” (1966-1971).

Além disso, o terror também chegou às animações para crianças. Os desenhos de “Scooby-doo” (1969-presente) mostram quatro amigos, Fred, Daphne, Velma e Salsicha, que resolvem mistérios com seu cão, que dá o nome da série. A franquia é popular até hoje, tendo lançado, inclusive, alguns filmes em live-action.

A série “Arquivo X” (1993-2002) apresenta os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully resolvem casos paranormais. O programa ainda gerou dois filmes, lançados em 1998 e 2008. Recentemente foi anunciado, também, que a franquia poderá voltar à TV. O século XXI chega com “Supernatural” (2005-presente), que mostra os irmãos Sam e Dean Winchester viajando pelos Estados Unidos e resolvendo mistérios.

Os anos 90 também trouxeram “Buffy, a Caça-Vampiros” (1997-2003), criada por Joss Whedon, que conta a história da escolhida para lutar contra vampiros, demônios e outros fenômenos sobrenaturais. O episódio “Hush” é, inclusive, citado como um dos mais assustadores da televisão. Um fato interessante é que a atriz pincipal (Sarah Michelle Gellar) atuou em vários filmes de terror, como "Eu Sei o Que Você Fez no Verão Passado" (1997), "Pânico 2" (1997), "Scooby-Doo" (1 e 2, 2002 e 2004) e "O Grito" (1 e 2, 2002 e 2004).

A série ganhou, ainda, um spin-off chamado “Angel” (1999-2004), que, embora possua uma estrutura parecida, é apresentado de maneira mais obscura e adulta.

 

As séries focadas em um estilo de fenômeno sobrenatural também surgiram. “Dexter” retrata um serial killer, “True Blood” (2008-2014) e “The Vampire Diaries” (2009-presente) trouxeram o mundo dos vampiros, “The Walking Dead” (2010-presente) apresenta o apocalipse zumbi, “Teen Wolf” (2011-presente) mostra os lobisomens, e “Salem” (2014-presente) é baseada na caça às bruxas que aconteceram em Salém, no século XVII.

 

Há, também, “American Horror Story” (2011-presente) que em cada uma de suas temporadas aborda um terror diferente. A primeira, “Murder House”, é sobre uma casa assombrada, enquanto a segunda, “Asylum”, se passa em um hospital psiquiátrico nos anos 60. “Coven” mostra jovens bruxas e “Freak Show” é um circo de horrores.

 

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