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17/10/2013 - 09h01m

Estudo sugere uso de lodo de esgoto para fabricar tijolos e telhas

Agência Hoje 
Agência Hoje/Arquivo
Lodo de esgoto é gerado em grandes quantidades e ocupa muito espaço nos aterros sanitários
Lodo de esgoto é gerado em grandes quantidades e ocupa muito espaço nos aterros sanitários

São Paulo (Agência Hoje) - A incorporação de dois resíduos industriais gerados em grande quantidade no Estado, conhecidos como lodo de esgoto e lama vermelha, poderão ser utilizados como matéria prima para fabricação de cerâmicas. O material permite a fabricação de blocos maciços, tijolos e telhas, todos com grande demanda na área da construção civil.

A primeira experiência foi feita durante pesquisa realizada pela Poli (Escola Politécnica) da USP, com base na dissertação de mestrado do engenheiro Cristian Camilo Hernández Diaz e orientação do professor Antonio Carlos Vieira Coelho. Os resultados estão sendo considerados satisfatórios, porque além de permitirem a fabricação de um produto de boa qualidade, conferem valor agregado aos rejeitos e reduzem a quantidade de descarte em aterros sanitários.

Na opinião do engenheiro, os materiais estruturais utilizados na construção civil, "geralmente são fabricados com argilas comuns, com jazidas próximas à fabrica de produção. Decidimos utilizar lodo de esgoto e lama vermelha porque a produção desses resíduos está aumentando consideravelmente”, explica. O estudo foi apresentado pela primeira vez à comunidade universitária na Poli, no dia 3 de maio passado.

Lodo de Esgoto

O lodo é gerado no processo de tratamento de esgoto e a lama vermelha é o resíduo de um processo denominado Bayer para produzir alumina (óxido de alumínio, que é um dos componentes da bauxita, o principal minério de alumínio). “O lodo veio da planta de tratamento de esgotos da cidade de Franca, no interior de São Paulo. Já a lama vermelha é originária de uma planta industrial localizada no Pará”, informou Cristian Diaz.

Produzido em grandes quantidades e difícil de ser retirado, o lodo de esgoto geralmente é depositado em aterros sanitários, causando transtornos, ocupando grandes espaços e em consequência diminuindo a vida útil. Já a lama vermelha é levada para lagoas especiais, mas a alta alcalinidade gera problemas ambientais.

“Em ambos os casos, os resíduos têm a possibilidade de serem usados em outras aplicações devido a seus componentes químicos, diminuindo assim a quantidade de resíduos depositados na natureza”, justifica o engenheiro. A pesquisa mostrou que eles podem ser usados como matérias-primas alternativas. “Assim seriam diminuídas as quantidades de resíduos em áreas de disposição final. Além disso, haveria menor consumo dos recursos naturais. E quanto às propriedades tecnológicas, os produtos cumprem todos os parâmetros”.

O engenheiro Cristian Diaz realizou a caracterização das matérias-primas quanto à sua composição química, fases mineralógicas presentes e comportamento térmico. O pesquisador também avaliou as propriedades tecnológicas de corpos de prova prensados, fabricados com os resíduos e com misturas dos resíduos e argila em diferentes proporções.

Essas propriedades tecnológicas são: resistência à flexão, densidade, absorção de água, porosidade e retração na secagem e na queima. O pesquisador ainda comparou os resíduos e suas misturas com os produtos sem adição de resíduos, quanto a vários aspectos físicos como: cor, textura e odor. Também definiu, segundo os resultados obtidos, as possibilidades de aplicações mais adequadas para os resíduos e para as misturas estudadas.

Os resíduos foram caracterizados e, baseados em estudos que já haviam sido realizados, foram escolhidas algumas proporções resíduo-argila. Depois foram determinadas as propriedades tecnológicas das misturas após queima.

Os resultados mostraram que algumas das misturas cumprem os parâmetros exigidos para os tipos de produtos estudados. A mistura que apresentou melhor relação entre a quantidade de resíduos e propriedades físicas e mecânicas foi de 45% de argila, 45% de lama vermelha e 10% de lodo de esgoto. Ou seja, a incorporação de resíduo é maior que 50%.

Sobre a aplicação prática da técnica, o engenheiro afirma que seria possível. “De fato há vários artigos de testes a nível industrial e algumas casas já têm sido construídas com esse tipo de produto. Para que fosse uma produção em maior escala seriam necessárias iniciativas por parte das empresas e governos para favorecer este tipo de produção amigável com a natureza”, finaliza.

* Com informações da Agência USP de Notícias

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