São Paulo, SP, 20/09/2019
 
11/05/2013 - 03h57m

Exposição mostra aspectos materiais e humanos da zona leste

Agência Hoje 
Divulgação
Casa do Tatuapé, um dos principais símbolos da história da cidade
Casa do Tatuapé, um dos principais símbolos da história da cidade

A mostra que atrai grande público desde dezembro, quando foi inaugurada, segue até novembro de 2013. Os trabalhos apresentados lançam olhar sobre a zona leste da cidade, resgatando aspectos materiais e humanos da ocupação da região mais populosa da capital. A entrada é gratuita e livre.

A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo inaugurou no dia 9 de dezembro de 2012, na Casa do Tatuapé, a mostra Zona Leste: um novo olhar, com curadoria da arquiteta urbanista Manoela Rufinoni. A exposição ocupa os cômodos da histórica casa do século XVII com painéis, mapas, fotografias, instrumentos musicais e objetos que chamam atenção aspectos materiais e imateriais da história da ocupação da região leste.

Zona Leste: um novo olhar está dividida em três eixos principais:

Zona Leste: expansão e transformação urbana, onde o visitante pode ler breves textos, fontes cartográticas e iconográficas que mostram as principais fases de transformação urbana da região, desde meados do século XIX até a atualidade.

O segundo eixo aborda aspectos da formação urbana e da população local, como a presenção de imigrantes e migrantes, o universo fabril, os espaços de sociabilidade e a coexistência de arquiteturas de diversos períodos históricos.

Nesse espaço o visitante é convidado a conhecer imagens de diferentes aspectos da paisagem cotidiana, desde representações do cenário urbano propriamente dito, até imagens de personagens anônimos em seus ofícios e fazeres, festas populares e manifestações sociais diversas no espaço urbano.

No terceiro e último eixo temático, a curadoria se debruça sobre a contemporaneidade. Zona Leste hoje exibe fotografias recentes dos diversos bairros que compõem a região. Com o intuito de envolver a população na proposta deste novo olhar e na própria elaboração da mostra, Manoela abre um espaço na própria exposição para que o público envie suas fotografias de seus bairros e de seus percursos cotidianos, que serão inseridas em um vídeo atualizado constantemente ao longo da exposição.

História, memória e patrimônio cultural

O processo de urbanização da Zona Leste de São Paulo delineou particulares identidades culturais à região, ontem e hoje expressas em elementos da paisagem e em aspectos do cotidiano local. Os remanescentes arquitetônicos mais antigos remontam ao século XVII, quando foram construídas a Casa do Tatuapé, a Capela de São Miguel e a Sede do Sítio do Capão.

O impulso à urbanização das terras à leste do rio Tamanduateí, contudo, ocorreu com a chegada dos trilhos ferroviários da São Paulo Railway, em 1868, e da Estrada de Ferro do Norte, em 1875. As ferrovias viabilizaram o crescimento do setor industrial, atividade que atraiu grandes levas de trabalhadores à região, muitos deles vindos de terras distantes, imigrantes e migrantes que reelaboraram identidades culturais na adaptação à nova terra.

As fábricas de maior porte se foram na década de 1980, mas a região se reorganizou funcionalmente e continuou a desempenhar o papel de célula produtora e trabalhadora da cidade, crescendo cada vez mais até atingir o extremo leste da capital.

Do outro lado do rio, a região também chamada de “cidade dormitório” conheceu diversos episódios de transformação urbana, mas demorou algum tempo para atrair a atenção maciça da especulação imobiliária. Talvez por este motivo, seus bairros ainda preservem diálogos tão expressivos entre o passado e o presente

. Em tempos recentes, contudo, a dinâmica de renovação urbana na região é mais agressiva e acelerada, ameaçando a leitura e valorização de suas histórias e memórias. Diante dessa realidade, a exposição Zona Leste, um novo olhar convida o público à uma postura renovada na percepção desses espaços urbanos, buscando compreendê-los como patrimônio cultural, como documentos de história e como suportes materiais para a memória coletiva.

Ao atentar para o conhecimento histórico imbuído na observação do cotidiano, lançamos um novo olhar sobre o nosso papel na construção dessa realidade e na condução de suas futuras transformações.

Casa do Tatuapé

A Casa do Tatuapé é uma construção em taipa de pilão, com seis cômodos e dois sótãos, que se diferencia de outros exemplares remanescentes do período colonial por apresentar telhado de apenas “duas águas”.

O história do sítio onde se localiza a Casa do Tatuapé remonta ao ano de 1698, quando seu proprietário, o Pe. Matheus Nunes de Siqueira, nomeou Mathias Rodrigues da Silva como administrador de seus bens, ficando a este o crédito de ter sido o construtor da casa.

Em meados do século XIX, o sítio passou a abrigar uma olaria onde eram fabricadas, exclusivamente, telhas. Entretanto, com a imigração italiana, a olaria passou a fabricar também tijolos. Para que a casa pudesse ser residência e depois olaria era preciso ter água nas cercanias. Este fato explica porque sua implantação esteve vinculada à proximidade de um curso d’água, situação hoje descaracterizada pela retificação do rio Tietê e canalização do córrego do Tatuapé.

Em 1945, após a morte de seu proprietário, Elias Quartim de Albuquerque, o imóvel foi comprado pela Tecelagem Textilia. Com o loteamento da propriedade, a casa restou implantada em um terreno reduzido, cercado por outras construções muito próximas. Sua atual situação urbana impede a compreensão das relações que a Casa do Tatuapé mantinha originalmente com a paisagem.

Três décadas mais tarde a Casa do Tatuapé foi adquirida pela Prefeitura do Município de São Paulo. Entre 1979 e 1980, sob responsabilidade do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), por meio de um projeto realizado em conjunto com o Museu Paulista da USP, foram realizadas pesquisas arqueológicas e, em um segundo momento, o imóvel passou por obras de restauro.

Os trabalhos foram realizados de modo a reconstituir algumas paredes que estavam por desabar, assim como o madeiramento e o telhado. Também foram restauradas as janelas com balaústres e as portas almofadadas. Com o intuito de evidenciar características da época de sua construção, conservou-se nos cômodos o piso em “terra batida”.

Em 1981 a Casa do Tatuapé foi aberta à visitação pública.

Em 1991 o imóvel passou por novas obras de preservação, e no ano seguinte a Casa do Tatuapé foi reaberta à população, abrigando atividades sócio-culturais.

Serviço:

Exposição: Zona leste: um novo olhar

Curadoria: Manoela Rufinoni

Abertura: domingo, dia 9 de dezembro, às 11:00

Período expositivo: de 09 de dezembro de 2012 a 30 de novembro de 2013

Casa do Tatuapé

Rua Guabijú, 49 – Tatuapé - São Paulo - SP

Fone: (11) 2296 4330 - CEP 03077-100

Aberta de terça a domingo, das 9 às 17 horas

Entrada franca e livre pra todos os púbicos

Não possui estacionamento

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