São Paulo, SP, 18/09/2019
 
22/11/2013 - 10h58m

Exposição sobre modernismo brasileiro na Estação Pinacoteca

Agência Hoje 
Pinacoteca/Reprodução
Obra "São Paulo, 1924", de Tarsila do Amaral
Obra "São Paulo, 1924", de Tarsila do Amaral

São Paulo (Agência Hoje) - A exposição de longa duração "Arte no Brasil: uma história do Modernismo" será apresentada na Estação Pinacoteca, em São Paulo, pela primeira vez. Reunindo 50 obras entre pinturas e esculturas de artistas consagrados, a mostra retrata os três principais momentos do modernismo brasileiro.

Artistas como Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Carlos Prado, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto Di Fiori, Flávio de Carvalho, José Pancetti, Lasar Segall, Sérgio Camargo, Tarsila do Amaral e Victor Brecheret, presentes nos acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e da Fundação José e Paulina Nemirovsky,  fazem parte da exposição que trata da formação da visualidade artística e a constituição de um sistema de arte no país que se inicia no período colonial e avança até início do século XX.

Os três principais momentos do Modernismo brasileiro tratados são as inovações formais do primeiro Modernismo (de Lasar Segall a Flávio de Carvalho), a retomada das tradições da pintura (sobretudo dos artistas atuantes nas décadas de 1930 e 1940, como Alberto da Veiga Guignard e Pancetti), finalizando com obras que começam a ser influenciadas pelo abstracionismo (Bonadei e Volpi) e apontam em direção ao concretismo que se sedimentaria nos anos 1950.

Pela primeira vez na Estação Pinacoteca, o público terá oportunidade de conhecer os três principais momentos da arte Moderna no Brasil e perceber as aproximações e diferenças de estilos e temas entre as obras exibidas na mostra. Segundo Regina Teixeira de Barros, curadora, a busca da identidade brasileira já vem do século XIX com se vê nas obras de Almeida Junior, por exemplo.

Nesse sentido, o Modernismo dá continuidade a essa busca. Mas há artistas que não se enquadram nessa temática, como Ismael Nery que tem uma produção de caráter mais pessoal e filosófico, ou ainda, artistas que estavam interessados na pintura pela pintura como Guignard, Pancetti e De Fiori e que foram referenciais para seus contemporâneos.

Veja os trabalhos dos principais artistas da exposição: 

Tarsila do Amaral

Antropofagia, 1929

Em janeiro de 1928, Tarsila presenteou o marido Oswald de Andrade com a pintura Abaporu, que o inspiraria a redigir o Manifesto Antropófago, documento seminal do Modernismo brasileiro, no qual o autor propõe uma assimilação crítica do legado cultural europeu e seu reaproveitamento para a criação de uma arte genuinamente brasileira.

Embora Abaporu seja considerada a obra inaugural, A negra, de 1923 – uma alegoria da figura da Grande Mãe, de seio único e agigantado, pesadamente assentada na terra, como uma deusa mítica da fertilidade –, já prenuncia o que viria a ser a poética antropofágica de Tarsila: pinturas caracterizadas por um número reduzido de elementos, economia de cores e presença de temas nacionais e primitivos, figurados numa intensa atmosfera onírica.

A pintura Antropofagia, de 1929, como indica o título, é uma assimilação das duas obras anteriores: figura e fundo de Abaporu e A negra se mesclam, formando um casal primevo, em uma paisagem densa e silenciosa. As imagens inspiradas em um Brasil arcaico, pré-cabralino, aliadas à utilização de uma linguagem moderna, criaram uma solução possível para um paradoxo presente na prescrição antropofágica: a necessidade de conciliar aspectos primitivos e modernos a um só tempo.

Ernesto de Fiori

Homem andando, entre 1936 e 1937

São poucos os dados precisos sobre a formação artística de Ernesto de Fiori. Sabe-se que em 1904 ingressou na Akademie der Bieldenden Künste de Munique, na Alemanha, onde frequentou aulas de desenho. Desde o início interessado em pintura, mas dedicado, sobretudo, à escultura, chegou ao Brasil, em 1936, vindo de Berlim, e começou a se firmar no ambiente artístico ao participar de mostras locais.

A figura do homem andando ou em marcha está presente em seu trabalho desde 1920 até aproximadamente 1938. Mas esta peça tem as suas especificidades no modo como o homem projeta o seu corpo à frente, com cabeça e tronco lançados para a esquerda, em passo largo, sugerindo velocidade e obstinação.

A superfície áspera, desigual, com aspecto inacabado, e a simplificação das formas, sem a divisão dos dedos das mãos ou dos pés, reforçam a rapidez e o dinamismo da escultura, desde a ideação, passando pela moldagem da matéria. O resultado é uma imagem urgente, que insinua um processo em curso, ou no mínimo uma situação que aponta para transformações.

Volpi

Fachada, c. 1955

Foi depois da viagem a Minas Gerais, em 1944, que Volpi começou a pintar com têmpera. Juntamente com a troca de técnica, vê-se, pouco a pouco, ao longo do final da década de 1940 e início da de 1950, sua pintura se fechar, selecionando certos elementos formais, como as fachadas das casas, que até então eram representadas em sua totalidade.

As famosas bandeiras começaram a ser representadas no início da década de 1950 e reaparecerão inúmeras vezes em seu trabalho, ora como bandeirinhas, ora como formas geométricas puras sofrendo todo o tipo de manipulação construtiva nas mãos do artista. Mas nem sempre a rigidez formal impera: em Fachada, por exemplo, vemos uma composição bastante animada, de cunho mais popular.

SERVIÇO

Estação Pinacoteca

www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/

Endereço - Largo General Osório, 66 - Tel. 11 3335 4990

Dias e horários - Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até às 18h

Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca) - R$ 6,00 e R$ 3,00

Grátis aos sábados. Estudantes com carteirinha pagam meia entrada.

Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.

Hoje São Paulo

© 2012 - Hoje São Paulo - Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por ConsulteWare e Rogério Carneiro