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09/07/2014 - 13h36m

Felipão deixa seleção após jogo de sábado. Parreira sai junto e Tite deve ser o novo técnico

Agência Hoje/Edmundo Fortes, enviado especial 
Agência Brasil/Tomaz Silva
Torcedores sofrem com humilhação da seleção brasileira no jogo contra Alemanha
Torcedores sofrem com humilhação da seleção brasileira no jogo contra Alemanha

Rio de Janeiro (Agência Hoje/Edmundo Fortes) - Está tudo acertado nos bastidores da CBF, na Granja Comary, para Luiz Felipe Scolari entregar o cargo de treinador da seleção brasileira no próximo sábado, 12, logo após o jogo do Brasil com a equipe que perder o duelo entre Argentina e Holanda.

O coordenador Carlos Alberto Parreira, o segundo na linha de comando da seleção, também será afastado. O fiel escudeiro de Felipão, o ex-jogador de futebol Flávio Cunha Teixeira, conhecido como Murtosa, sairá junto com o chefe. Não há informações sobre a demissão dos outros membros da comissão técnica e nem sobre o destino do médico José Luiz Runco.

O nome mais comentado para substituir Felipão é o de Tite, ex-técnico do Corinthians e atualmente sem clube. Comenta-se, no entanto, a possibilidade de o comando ser dividido entre três profissionais que se encarregariam de convocar, treinar e escalar os jogadores da seleção brasileira nos próximos anos, dividindo as responsabilidades.

Na rodada de conversações desta terça para quarta-feira, admitiu-se até a hipótese de buscar um técnico estrangeiro para fazer parte da comissão técnica, trazendo novas ideias e esquemas táticos diferenciados. A má fase do futebol brasileiro, observada principalmente nos campeonatos regionais e na Copa Libertadores das Américas, tem estimulado essa possibilidade, embora as reações contrárias continuem sendo grandes.

Terceiro Lugar

O esforço da CBF agora é manter um ambiente de calma na Granja Comary, evitando a exposição de técnicos e jogadores, e fazendo um mínimo de ruído para o jogo de sábado, 12. Os treinamentos serão fechados, sem acesso do público, e a ordem é falar o menos possível. No dia do jogo, a seleção deve jogar na retranca, evitando tomar gols e nova humilhação.

Segundo fontes com acesso aos bastidores da CBF, Luiz Felipe Scolari tem personalidade forte e não está aceitando fazer mudanças radicais no esquema de jogo. Ele teria inclusive rejeitado asperamente a ideia de escalar cinco ou seis jogadores da reserva para disputar a partida de sábado. Disse que é questão de honra a equipe conquistar o terceiro lugar

Depois de informado que o psicológico dos jogadores derrotados pela Alemanha por 7 a 1 estava muito abalado, reclamou, mas deu a entender que analisaria melhor a questão das substituições.

Nem mesmo com as pessoas mais próximas, o treinador aceitou comentar sobre as suas maiores decepções em campo. Sem citar nomes, ele deu a entender que percebeu falhas em alguns defensores, mas que nunca esperava um "apagão" que resultasse em cinco gols adversários em 27 minutos de jogo.

Sem Reação

Os maiores críticos do técnico Felipão são unânimes em afirmar que todas as pessoas que acompanham jogos de futebol de perto perceberam a armadilha armada pelos alemães. A seleção brasileira estava sendo atraída para o campo adversário e deixava vários buracos na defesa, facilitando a troca rápida de bolas e a chegada ao gol de Júlio Cesar, sempre com perigo.

O primeiro gol alemão, por exemplo, saiu de uma jogada ensaiada, a mesma que o Brasil usou contra os colombianos. Os atacantes correram para a primeira trave e foram seguidos pelos marcadores. Na segunda trave apareceu um único homem para empurrar a bola calmamente para o gol. Foi uma jogada tão fácil e tão simples, que Thomas Müller não precisou nem cabecear, apenas tocou para as redes com o pé direito a bola que veio do escanteio batido por Kroos.

Sair um gol aos 10 minutos de um jogo entre duas seleções de grande tradição, disputando uma partida semifinal de Copa do Mundo não é normal. Mesmo assim, Luiz Felipe Scolari ficou sem reação. Não chamou a atenção de ninguém, não mudou a forma de marcação. E nos minutos seguintes continuou inerte, nada fez para fechar a defesa, marcar mais em cima.

Comentaristas da Rede Globo, do SporTV e da Rede Bandeirantes alertavam para o bom posicionamento dos alemães em campo e estranhavam a postura apática dos brasileiros. Sem meio de campo, a seleção repetiu os erros das partidas anteriores e se limitava a dar chutões para a frente. Errava passes simples, demonstrava nervosismo e falta de comando.

A irritação veio com o segundo gol. Novamente nenhuma reação do banco, nenhuma ordem que pudesse organizar melhor os jogadores e evitar uma goleada, uma humilhação dentro da sua própria casa. Teimoso, Felipão insistiu no erro, subestimou o adversário e levou a seleção pentacampeã do mundo a passar pelo maior vexame da história do futebol mundial.

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