São Paulo, SP, 22/09/2019
 
10/10/2013 - 08h49m

Filme "Serra Pelada" é a grande atração do Festival de Cinema

Agência Brasil/Cristina Indio do Brasil 
Concine/Divulgação
Filme "Serra Pelada" mostra aventuras de garimpeiros na busca de ouro na década de 80
Filme "Serra Pelada" mostra aventuras de garimpeiros na busca de ouro na década de 80

Rio de Janeiro - As mudanças na programação atingiram também a sessão de gala de encerramento do Festival do Rio. O filme Serra Pelada, dirigido por Heitor Dhalia, que seria exibido no Cine Odeon Petrobras, na Cinelândia, palco de tensos conflitos entre a Polícia Militar e manifestantes no centro do Rio, foi transferido para o Cinépolis Lagoon, na Lagoa, zona sul da cidade. Para o complexo de cinemas também foram levadas outras exibições durante o Festival e que seriam feitas no Cine Odeon, tradicional local da mostra Première Brasil.

Para a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, é uma enorme honra poder fazer a gala de encerramento do Festival do Rio de 2013 com o filme Serra Pelada. “Um magnífico filme. Quero agradecer a Paranoid, a Tatiana Quintella e a Warner pela oportunidade de fechar o festival em tão grande estilo, com uma grande produção brasileira”, disse

Serra Pelada começa com a viagem, em 1980, de Juliano (interpretado pelo ator Juliano Cazarré) e de Joaquim (uma atuação de Júlio Andrade) de São Paulo ao sul do Pará com o sonho de trabalhar e ganhar dinheiro com a exploração do ouro. Segundo o diretor Heitor Dhalia, foi difícil contar a história de um garimpo que concentrou homens vivendo em condições precárias e enfrentando as ordens dos donos das áreas de exploração.

“ Estamos falando de um evento brasileiro bastante importante da nossa história recente. A maior corrida do ouro da era moderna. Maior concentração de trabalho manual desde as pirâmides do Egito, que tiveram 4 mil homens. Em Serra Pelada chegaram a trabalhar até 100 mil homens”, explicou.

O trabalho de pesquisa foi intenso e contou com documentários, fotos e relatos de pessoas que viveram no local. Conforme surgiam as informações, o roteiro ia se alterando. “O roteiro partiu do real”, completou o diretor.

Para retratar a realidade, a produção chegou a conclusão logo no início dos trabalhos de que não poderia filmar no local. A produtora Tatiana Quintella explicou que a infraestrutura necessária não era viável com o orçamento de R$ 10 milhões. “Quando a gente viu o orçamento perto do que a gente ia construir lá, a gente resolveu trazer para São Paulo e filmar também em Belém. Ficou mais barato. É a magia do cinema”, revelou.

O roteiro mostra as transformações pelas quais passam as vidas de Juliano e Joaquim. Juliano passa a explorar os garimpeiros e se transforma em matador, enquanto Joaquim sonha em voltar para São Paulo e encontrar com a mulher que tinha deixado grávida. “Para mim a protagonista deste filme é a amizade desses dois personagens”, defende Cazarré.

A roteirista Vera Egito disse que a decisão de mostrar o início da exploração do garimpo de Serra Pelada foi porque o período marca a inocência de muitos que foram para lá pensando em vencer na vida e conseguir dinheiro. Para a roteirista, a inocência se transformou ao longo do tempo e a ganância levou a violência para as minas de ouro e para as cidades próximas, que passaram a se desenvolver enfrentando casos de crimes e prostituição. Na avaliação dela, o filme não teve a intenção de fazer o julgamento dos personagens. “A vida real é essa dramaturgia. O personagem vai em busca da transformação. A gente não julga um personagem. O segredo é não dar uma lição de moral a quem está assistindo o filme”, disse.

Wagner Moura, que representa o gangster Lindo Rico, é também um dos produtores do filme. Ele contou que não teve muita dificuldade em dividir as funções, porque tinha um número menor de cenas em comparação a outros personagens e também sabia qual era a função de Lindo Rico no filme. O ator disse que esse era um projeto que vinha trabalhando há muitos anos e por isso conseguiu ter uma visão mais ampla do que em Tropa de Elite 2, quando também foi produtor, com a diferença que precisava filmar todo dia.

“Teve uma hora em que eu falei que tinha que esquecer um pouco a conversa de produção e fazer o meu trabalho. No Serra Pelada não, eu filmei pouco e pude acompanhar. Eu sou um ator que sempre teve interesse em saber o que acontece ao redor. Depois que fiz o Tropa de Elite 2, eu fiquei com uma visão ainda mais ampla, de saber o que acontece antes de chegar no set de filmagem”, disse.

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