São Paulo, SP, 30/06/2022
 
13/04/2012 - 21h00m

Golpe de Estado na Guiné-Bissau, exército assume o comando

AFP/Allen Yero Embalo 
©AFP/Archives / Issouf Sanogo
Soldados da Guiné-Bissau numa patrulha
Soldados da Guiné-Bissau numa patrulha

BISSAU, Guiné-Bissau (AFP) - Um novo golpe de Estado militar foi realizado nesta sexta-feira na Guiné-Bissau com a detenção do presidente interino, do primeiro-ministro e do chefe do Estado-Maior, na capital patrulhada por soldados, a duas semanas da eleição presidencial.

O Exército quebrou seu silêncio com um lacônico comunicado.

"Os acontecimentos de ontem (quinta-feira) se devem ao fato de termos descoberto a existência de um acordo militar secreto, assinado pelo primeiro-ministro Carlos Gomes Junior e pelo presidente interino do governo de Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, com Angola", diz o texto.

"Este acordo quer legitimar a presença de tropas estrangeiras, concretamente a missão militar angolana (Missang) na Guiné-Bissau, com o objetivo de proteger o governo em caso de crise", acrescenta o Exército.

Presente desde 2011, a missão militar angolana vem sendo fonte de discórdia entre o governo e o Exército de Guiné-Bissau, e os militares suspeitam que as autoridades dissimulem o reforço desta missão nos últimos meses para ter uma força disponível em caso de distúrbios.

Os golpistas confirmaram agora à noite a deposição do chefe do Estado-Maior, general Antonio Indjai, assim como do presidente interino e do primeiro-ministro, detidos na quinta-feira.

O "comando militar" criado depois do golpe de Estado de quinta-feira, confirma que foi deposto o presidente interino Raimundo Pereira, o primeiro-ministro Carlos Gomes Junior e o chefe do Estado-Maior, general Antonio Indjai. Os três estão sob o controle do exército", segundo a nota.

Os Estados Unidos pediram a volta de um poder civil e tanto a União Africana (UA) quanto a Comunidade Econômica de Estados da África do Oeste (CEDEAO) condenaram o golpe neste país muito instável, onde os rumores de golpe tornaram-se insistentes nos últimos dias, à medida que se aproxima o segundo turno das presidenciais de 29 de abril.

De acordo com uma fonte militar, Carlos Gomes Junior está detido na base militar de São Vicente, perto da capital.

A base de São Vicente fica a 45 km ao norte de Bissau. Uma fonte diplomática em Bissau confirmou que o primeiro-ministro é mantido nessa base dedicada à formação de oficiais.

Já o presidente Raimundo Pereira "foi detido na quinta-feira à noite em sua residência por um grupo de militares" e "levado para um destino desconhecido", indicou à AFP um membro de sua guarda próxima.

"Os militares vieram, bateram na porta e se identificaram. O presidente Pereira saiu para abrir a porta. Disseram que tinham ido buscá-lo, o presidente não ofereceu resistência", acrescentou um membro de sua guarda.

Carlos Gomes Junior também "foi detido ontem (quinta-feira) por militares. Depois o levaram em uma caminhonete que arrancou com destino desconhecido", havia declarado à AFP sua esposa, Salomé Gomes, que foi à residência do casal recuperar suas coisas.

A casa do chefe de governo e favorito nas presidenciais foi atacada na quinta-feira à noite com foguetes pelos militares, que tomaram a rádio nacional e a cidade.

Várias autoridades políticas foram detidas na quinta-feira à noite e levadas à sede do Estado-Maior, segundo uma fonte militar. Outras estão sendo "procuradas", acrescentou.

Os soldados estavam mobilizados na manhã desta sexta-feira em toda a cidade.

"Os militares estão em todas as partes e proíbem alguns acessos", afirmou à AFP uma fonte diplomática.

Atacada na quinta-feira à noite, a residência de Carlos Gomes Junior seguia vigiada por homens armados. A sala da casa estava destroçada por um foguete e o frontão tinha buracos de balas.

Nesta sexta-feira às 07h00 locais (04h00 de Brasília), uma centena de jovens saiu para protestar em solidariedade a Gomes, mas foi dispersada pelos militares.

A rádio pública, interrompida desde a noite de quinta-feira, começou a emitir novamente, divulgando apenas música e comunicados lacônicos de "um comando militar" sem nome nem rosto.

O "comando" assegura não ter "nenhuma ambição de poder" e propôs "um governo de união nacional" durante uma reunião com partidos políticos, mas assumiu os ministérios da Defesa e do Interior, decretando toque de recolher entre as 21H00 e as 06H00 locais.

Portugal, ex-potência colonial, condenou "com veemência" o golpe, defendendo a presença da missão angolana como "fator de segurança, não de instabilidade".

A presidência angolana da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ameaçou levar o caso ao Tribunal Penal Internacional.

Os países membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram o golpe de Estado na Guiné-Bissau e pediram a volta do governo civil, disse a embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice.

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