São Paulo, SP, 03/08/2020
 
28/05/2014 - 16h12m

Instituto confirma casos de superbactéria, mas descarta risco de infecção generalizada

Agência Brasil/Isabela Vieira 

Rio de Janeiro - O Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio) esclareceu hoje (8) que não há risco de infecção generalizada por bactérias multirresistente a antibióticos. A direção da unidade, que é referência no tratamento de doenças relacionadas ao sangue, confirmou que tem três pacientes infectados e mais 14 pessoas com o microorganismo na pele (colonizados) - mas que não estão doentes - internadas em isolamento no instituto.

Segundo a diretora-geral da unidade, Simone Silveira, o aparecimento de bactérias resistentes a antiobióticos é comum, principalmente em pacientes com imunidade baixa, em decorrência de tratamentos como a quimioterapia. ??Com o passar o tempo, bactérias se tornam mais resistentes a remédios. Mas há novas drogas, mais potentes. Os pacientes que estão internados aqui têm tratamento, estão sob cuidados, não estão esperando a morte?, esclareceu.

A diretora do Hemorio reforçou que não há nenhum risco de infecção para pessoas que regularmente doam sangue na instituição, em uma ala ??completamente desvinculada da internação?. E pediu que os doadores compareçam à unidade. ??Por uma série de motivos como a greve de ônibus, estamos com estoques baixos, na véspera da Copa do Mundo?.

De acordo com Simone, o número de pacientes com bactérias multirresistentes no Hemorio está abaixo do percentual de 8% (pacientes por leito) aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). ??Nossa taxa global de infecção hospitalar está abaixo de 1,3%?, comparou. ??As bactérias estão aqui no hospital e na população por algum tempo, não existe risco de infecção geral?, frisou. Ontem (27) sete pessoas que tinham sido detectadas com o problema tiveram alta.

Para evitar a propagação da bactéria, a médica explicou que os pacientes estão em uma área isolada. ??Porque o acompanhante desse paciente vai pegar nele, vai tocar, e depois vai encostar na maçaneta, vai ao banheiro. Um outro acompanhante pode vir e tocar naquilo. Aí, um outro paciente que está sensível, pode ser colonizado". Segundo ela, os profissionais da unidade precisam usar máscaras e luvas para lidar com os pacientes do isolamento.

O professor de infectologia pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migowski confirmou que pessoas em tratamento acabam mais vulneráveis a doenças. ??? igual ventar contra uma casa de palha e outra de alvenaria. O mesmo vento derruba a casa de palha e não a de alvenaria?. Ele ressaltou que é pouco provável que pessoas saudáveis corram o mesmo risco.

??Esse é o problema da atualidade. A partir do momento em que mantemos vivos quem teria morrido por falta de quimioterapia, de cuidado médico, infelizmente, vai ocorrendo a possibilidade de colonização (primeiro passo para a infecção)?, explicou Migowski. Os pacientes do Hemorio foram identificados com as bactérias ESBL, KPC e VRE.

A direção do Hemorio também confirmou que, na semana passada, o setor de pediatria identificou larvas na comida servida às crianças. A empresa terceirizada que fornece a alimentação foi notificada para que trocasse a chefia de Nutrição. ??Acreditamos que tenha sido um caso isolado porque é uma empresa que comprova qualidade no processo?, declarou.

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