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13/03/2016 - 20h54m

Mais de 6 milhões de pessoas de 248 cidades brasileiras protestam contra Dilma e Lula

Agência Hoje 
Agência Brasil/Rovena Rosa
Na Avenida Paulista, em São Paulo, perto de 3 milhões de pessoas cantaram o hino nacional e gritaram "Fora Dilma"
Na Avenida Paulista, em São Paulo, perto de 3 milhões de pessoas cantaram o hino nacional e gritaram "Fora Dilma"

São Paulo (Agência Hoje) - Os organizadores das manifestações deste domingo, 13, calculam que cerca de 6,6 milhões de pessoas participaram de atos de protesto contra o Governo Dilma, a politica do PT e o ex-presidente Lula. A mobilização popular incluiu o Distrito Federal e 248 cidades de todos os 26 Estados brasileiros.

A maior presença de manifestantes ocorreu na avenida Paulista, em São Paulo, por onde passaram cerca de 2,5 milhões de pessoas entre as 10h e as 18h30. Mesmo em Estados governados pelo PT, como Minas Gerais, Bahia e Piauí, a mobilização exigindo a renúncia da presidente Dilma Rousseff foi grande.

"Foi a maior demonstração da força política do povo brasileiro", comentou o comerciante Edgard Simões da Silva, dono de uma pequena loja de roupas no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Ele chegou na avenida Paulista por volta das 8h, junto com os dois filhos adolescentes e ficou até o final das manifestações. "Estou de alma lavada, mostrei minha indignação".

Movimento Pacífico

Em todo Brasil, os manifestantes cantaram o Hino repetidas vezes, fizeram homenagens ao juiz Sérgio Moro e espalharam cartazes de alertas ao STJ e ao STF, sempre de forma pacífica. Também pediram a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, ambos do PMDB.

Nos protestos na capital paulista, predominaram as críticas a presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula. O boneco "Pixuleco", representando Lula com roupas de presidiário, circulou por vários pontos da avenida, sempre protegido por um grupo de 30 seguranças que se diziam policiais militares aposentados.

O líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer, questionado sobre os episódios da última semana envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a condução coercitiva para depor à Polícia Federal (PF) e a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), disse que “o resultado está aqui na Paulista hoje, isso só indignou mais o povo”.

Segundo ele, “a população é que está mostrando para esse governo que ele não tem mais a legitimidade de estar no poder”. O Vem Pra Rua, de acordo com Chequer, tem um programa político de longo prazo que inclui, como primeiro passo, o impeachment de Dilma. “E que o impeachment venha seguido de uma transição pacífica e uma coalizão entre os movimentos e partidos de oposição para conseguir retomar o crescimento brasileiro. Não é hora de brigar, é hora de se unir”, disse.

O coordenador nacional do Movimento Brasil Livre, Fernando Holiday, disse que viu com bons olhos as ações da Polícia Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo. “Afinal de contas, isso prova, de certa forma, que as instituições estão funcionando no nosso país e que não há pessoas acima da lei, nem mesmo o ex-presidente Lula, que já foi um dos presidentes mais populares da história do país e hoje é uma grande decepção.”

“Existe uma mensagem mais imediata que é o impeachment da presidente Dilma Rousseff”, disse. No entanto, segundo Holiday, há também uma segunda mensagem importante: “o povo tem poder e os políticos têm de se submeter à sociedade civil, às ruas, e não o contrário”.

“Nós viemos aqui mostrar para o governo do PT e para a presidente Dilma que nós não queremos mais esse tipo de comportamento do Poder Público. Nós não aguentamos mais corrupção, incompetência e tanto abuso de direito e de recursos públicos. Nós queremos esse governo fora, chega de Dilma”, disse o presidente do Movimento Endireita Brasil, Ricardo Sales.

Ele acredita que qualquer governo será melhor que o da atual presidente. Sobre a possibilidade de o vice-presidente assumir, Sales afirma que “o Temer será um presidente experiente, sabe lidar com o Congresso, embora esteja em um partido difícil, que é o PMDB, ele tem uma história de relacionamento com os poderes públicos”.

Os movimentos Acorda Brasil e Nas Ruas também protestaram na Avenida Paulista.

Datafolha

Os organizadores estranharam que o Instituto Datafolha anunciou a presença de 500 mil manifestantes na avenida Paulista. O número representa apenas um terço do que a Polícia Militar e as entidades sociais contabilizaram - 1,5 milhão de pessoas.

"Não entendi porque o Datafolha está fazendo isso, é a segunda vez que eles reduzem a quantidade de pessoas que saíram as ruas de São Paulo para pedir o impeachment da Dilma. Na manifestação anterior eles também minimizaram os números, mas desta vez exageraram. Falar em 500 mil, quando todos, inclusive a PM, admitem três vezes mais público não parece erro, mas uma atitude deliberada de menosprezar o protesto", disse um membro do movimento Brasil Livre

No interior de São Paulo, a presença do público também foi grande. Ribeirão Preto registrou 70 mil manifestantes nas ruas, São José dos Campos, 40 mil, Taubaté 35 mil e São José do Rio Preto 30 mil. Até cidades de porte médio, como São Carlos (20 mil), Araraquara (10 mil), Atibaia (6 mil) e Mogi das Cruzes (6 mil), registraram grande participação popular.

No Rio de Janeiro, pelo menos 1 milhão de pessoas gritaram palavras de ordem contra Dilma Rousseff na Praia de Copacabana, na zona sul. Curitiba teve a presença de 200 mil manifestantes; Vitória 200 mil, Brasília 200 mil, Recife 150 mil, Campo Grande 150 mil, Porto Alegre 150 mil, Belo Horizonte 150 mil e Florianópolis 120 mil.

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